Mito de 'Frankestein' ameaça esportes olímpicos
afp - Qui, 07 Ago - 16h16
PEQUIM (AFP) - O ser humano está brincando com fogo se pretende fazer com que a manipulação genética melhore a performance dos atletas a ponto de fazê-los saltar como o Homem-Aranha, levantar peso como o Incrível Hulk ou correr como o Flash, ressaltaram médicos e treinadores dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
O mito do Frankestein, o monstro que foge ao controle de seu criador e o destrói, renasceu com o chamado doping genético, que longe de melhorar desempenhos e permitir a quebra de recordes ameaça a essência do esporte.
"Fazer super-homens ou super-mulheres acarretará gravíssimos e terríveis riscos para a saúde, não apenas do atleta, como também de toda a sociedade", disse à AFP Tyrone Flores, diretor médico olímpico do Equador.
Flores, presidente da Confederação Sul-Americana de Medicina Esportiva, disse que "se é possível fazer testes com o gado gerando hipertrofia e monstros, também se pode fazer com humanos, e teremos resultados, mas o que virá é terrível".
"É uma maneira de ir contra a natureza e, quando isso acontece, a natureza vai cobrar seu preço depois", disse Juan Antonio Castillos, um dos médicos da delegação olímpica do Uruguai.
Castillos disse que "essas experiências podem ser realizadas, mas depois a natureza prega suas peças, porque uma coisa é a seleção genética natural e outra a manipulação genética".
"Há atletas superdotados, como os grandes esportistas da história, porque a natureza não é democrática, ela escolhe", explicou o médico.
Alan Garnier, diretor médico da Agência Mundial Antidoping, disse este ano que "a manipulação genética será o doping do futuro."
"Sabemos que acabará se chegando a isso, e por esse motivo levamos dois anos trabalhando para elaborar métodos que possam detectá-la", concluiu.
Flores disse que "é uma preocupação muito grande, porque há países que estão fazendo testes de laboratório para o doping genético".
"Já temos conhecimento de que se atua na fibra muscular bloqueando uma enzima para a hipertrofia muscular", alertou.
Mas o médico considera que "o problema para tais exames de doping é que deverão ser realizadas biópsias musculares nos atletas e se o resultado for negativo, será preciso pagar indenizações enormes".
"Tudo o que for o fortalecimento exagerado da musculatura causa o envelhecimento rápido das fibras. É como subir um morro com um carro forçando o motor. Se o fizermos várias vezes vamos diminuir a vida útil da máquina e, neste caso, do atleta", disse Flores.
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