"Vou competir para mim", diz Jade Barbosa
reuters - Ter, 10 Jun - 13h28
Por Tatiana Ramil
CURITIBA (Reuters) - Maior esperança de um pódio olímpico na ginástica feminina, Jade Barbosa sofre com o ritmo intenso dos treinos, chora e afirma que vai competir para ela, tentando afastar a pressão por um bom resultado em Pequim.
Medalhista de ouro no salto na etapa de Moscou da Copa do Mundo, no mês passado, a atleta carioca que completa 17 anos no dia 1o de julho carrega na bagagem o peso de ter sido a melhor do país na modalidade nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
"Fico feliz de as pessoas acreditarem em mim. É importante para o atleta ter reconhecimento. Mas também todo mundo acha que tenho que vir (de Pequim) com alguma coisa (medalha) e não é bem assim", disse Jade em entrevista à Reuters.
"Sou um ser humano qualquer, comum. Tento não ligar muito para essas coisas (pressão) e vou lá para competir para mim, porque eu gosto de ginástica", acrescentou ela, com a maquiagem borrada pelo choro.
A menos de dois meses da Olimpíada, no treino da tarde de segunda-feira em Curitiba, Jade foi às lágrimas pouco antes de se apresentar no solo. Tentou segurar o choro mas, no final da série, sentou no tablado e chorou.
Questionada pela técnica Nadja Ostapenko se estava com dor ou cansada, ela disse que não. Durante a entrevista, a ginasta afirmou que não queria falar sobre o motivo pelo qual chorou.
O choro de Jade é recorrente. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a atleta caiu das barras paralelas e chorou. Ela tinha chance de conseguir medalha no individual geral na ocasião. No dia seguinte, a ginasta levou ouro no salto.
"O mundo não ia acabar porque eu caí e perdi a medalha. Tentei esquecer aquele dia. Foi bem difícil competir em casa, com ginásio lotado e todo mundo te chamando pelo nome", declarou ela, que tem acompanhamento psicógico na capital paranaense, assim como as outras ginastas da seleção.
TREINO PESADO
O ritmo dos treinos da equipe permanente de ginástica se intensifica à medida que se aproxima a Olimpíada, que começa em 8 de agosto.
Segundo Jade, antes as atletas tinham que acertar 5 de cada 10 séries executadas. Agora, "tem fazer 10 e acertar 10, e tem que fazer até acertar".
"Está ficando cada vez mais forte, vai apertando. É pesado, mas é necessário", disse Jade, explicando que tem de atingir o pico de preparação durante os Jogos.
Para ela, as chances de medalha são maiores no salto e no solo. "No individual geral eu tenho chance, mas é difícil. Tem que competir bem todos os dias."
Depois da Olimpíada, a atleta voltará a treinar no Flamengo, já que a equipe permanente de ginástica deixará de existir.
"Vai ser legal voltar a frequentar uma escola normal, ver meus amigos, voltar a morar com meu pai", concluiu Jade, cuja mãe morreu quando ela tinha 9 anos.
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