




Hong Kong, território de pouco mais de 1.100 quilômetros quadrados devolvido pela Grã-Bretanha à China há pouco mais de dez anos, reúne elementos da cultura chinesa e ocidental e não hesita em se proclamar a "cidade global da Ásia".
A sede das competições de hipismo dos Jogos Olímpicos de 2008 - cujo principal palco é a capital chinesa, Pequim - é, entre outras coisas, um centro financeiro internacional com uma das bolsas de valores mais importantes do mundo e a economia mais livre do planeta.
A história de Hong Kong data de mais de 6.000 anos, mas a região passou a escrever de fato seu nome na história com a chegada dos britânicos, em 1840, quando surgiu a idéia da criação de um centro comercial que facilitasse as ligações com o ocidente.
Duas guerras e a negociação de um tratado "desigual" com a China (assim denominado pelas concessões e prerrogativas do país em relação à colônia, sem nenhuma reciprocidade) foi o investimento feito pelo Reino Unido para se tornar metrópole de Hong Kong durante pouco mais de um século e meio, até 1997.
Esse período foi suficientemente importante para que Hong Kong herdasse os mesmos sistemas jurídico e econômico dos britânicos, que seguem vigentes apesar de sua devolução à soberania chinesa, há mais de uma década. Desde então, prevalece a fórmula de "um país, dois sistemas".
De fato, as liberdades de expressão, religiosa e de imprensa são notórias e possuem força quase inacreditável na região administrativa especial, a qual, por outro lado, ainda caminha em marcha lenta rumo à democracia: o chefe executivo (principal cargo político) é eleito por um colégio eleitoral formado por apenas 3% da população - em sua maioria pró-Pequim -, enquanto apenas metade do Parlamento é eleita através de um pleito direto.
Contrariando o que muitos imaginavam, a saída dos britânicos de Hong Kong não prejudicou o desenvolvimento da região. Atualmente são sete milhões de habitantes, dos quais muitos deixaram a vida na China tradicional, além de gente de todas as partes do mundo. Com isso, o local registra alta densidade populacional - 6.350 pessoas por quilômetro quadrado nas áreas menos habitadas.
A necessidade de abrigar cada vez mais pessoas vem fazendo com que as construções mais tradicionais sejam demolidas, dando lugar a arranha-céus residenciais e empresariais. Um dos poucos exemplos de construção de estilo antigo que ainda estão de pé é o Parlamento, elegante e de estilo neoclássico.
Nos dias de hoje, são atrações da cidade prédios como as sedes do banco HSBC e o Two International Finance Center (IFC), este último de 88 andares e considerado o prédio mais alto de Hong Kong - terceiro do mundo. Entretanto, a poluição que vem das fábricas de Cantão prejudica as fotos de qualquer turista, pois o ar está sempre carregado.
Os pontos turísticos e diversões de Hong Kong estão concentrados na parte norte: praias, os bosques do Pico Victoria, boates, mercados ao ar livre e ruas repletas de vitrines. Para se locomover, há táxis - vermelhos, azuis ou verdes -, barcos que conectam as principais ilhas do território, bondes e ônibus de dois andares.
A ex-colônia, cujas partes principais são a ilha de Hong Kong, a península de Kowloon e os Novos Territórios, segue atraindo milhões de turistas da China, em sua maioria, e de outras partes do mundo.
Em 2007, foram 28 milhões de visitantes - número que deve dobrar por ser a região palco das provas de hipismo dos Jogos Olímpicos de 2008.
A escolha da ex-colônia britânica não foi por acaso ou motivada por questões políticas, mas porque dispõe de instalações de nível internacional, que não perdem em nada para as melhores da Europa.
O símbolo dessa excelência é o Jóquei Clube de Hong Kong, que nasceu durante a época colonial britânica, em 1884, e se tornou profissional em 1971.
Além de fazer uma doação de 154 milhões de euros, a administração do clube colocou toda a sua equipe e instalações reformadas à disposição dos competidores e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês).
A instituição não é apenas a maior contribuinte individual da ex-colônia britânica (no último ano fiscal, pagou cerca de US$ 1,621 bilhão em impostos, o equivalente a 8,2 % da arrecadação tributária total), mas também financia diversos projetos públicos, que vão desde centros de ensino a programas de saúde.
Por ser um esporte menos popular que o futebol ou o rugby, o hipismo vem sendo promovido pelas autoridades locais para ser um sucesso na primeira competição olímpica disputada na região.
COMO CHEGAR
O aeroporto internacional de Hong Kong, na ilha de Lantau, liga a região a 130 destinos de todo o mundo. Muitas vezes os preços são mais acessíveis que em Pequim e Xangai, pela condição de economia de livre mercado na ex-colônia. No entanto, uma ida à capital chinesa é considerada vôo internacional e pode custar até 250 euros. Para driblar esse inconveniente, muitos turistas preferem voar até Shenzen e de lá pegar um trem para a região.
De trem, a viagem de Hong Kong a Pequim dura quase um dia, incluindo uma parada na alfândega. Um europeu não precisa de visto para ir a Hong Kong, mas deve possuí-lo para ingressar na China. O documento é facilmente adquirido na ex-colônia.