














Pequim, palco dos Jogos Olímpicos de 2008, será a terceira sede asiática do evento (Tóquio, no Japão, sediou em 1964, e Seul, capital da Coréia do Sul, organizou a festa em 1988) é uma cidade de contrastes. Modernidade e tradição convivem lado a lado nos principais pontos turísticos da cidade..
A primeira impressão é a de uma cidade caótica, com grandes engarrafamentos e multidões nos transportes coletivos. Porém, suas antigas ruelas - chamadas de hutong - refletem paz e tranqüilidade: nelas, o tempo parece ter parado há décadas.
A cidade é conhecido por seu apego às tradições, com monumentos, templos e bairros antigos. Mas esta tendência foi mudando, especialmente a partir da confirmação da capital chinesa como sede dos Jogos de 2008. Pouco a pouco foram surgindo espaços completamente novos, com arranha-céus que refletem o que há de mais moderno na arquitetura.
A ANTIGA PEQUIM
Cada vez mais ofuscada pelos bairros residenciais e de escritórios, a parte antiga da capital chinesa agüenta como pode as mudanças geradas pelos Jogos Olímpicos e a especulação imobiliária. Três monumentos são paradas quase que obrigatórias: a Cidade Proibida, o Templo do Céu e o Palácio de Verão.
O primeiro, palácio dos imperadores durante as dinastias Ming e Qing (do início do século XV ao começo do XX), fica no centro da cidade, resistente ao passar dos anos e às constantes revoluções. Seus telhados dourados, que podem ser melhor contemplados da Colina da Longevidade (outra atração, na parte norte da cidade), são símbolo do poder que os imperadores chineses concentraram até 1911.
Construído entre 1406 e 1420 por ordem do imperador Yongle, o local possui nada menos que 720.000 metros quadrados, e é uma combinação geométrica e quadriculada de salões, pátios, muros vermelhos e portões com pregos dourados. Dentre os 9.999 quartos e dezenas de pátios, talvez o principal seja o Hall da Suprema Harmonia, cujos paralelepípedos e pontes foram retratados no filme "O Último Imperador", do cineasta italiano Bernardo Bertolucci. A produção, que marcou época por ter sido a primeira vez que o Governo chinês autorizou filmagens na Cidade Proibida, mostra, entre outras coisas, a cerimônia de nomeação do Imperador e a vida no local.
Mais ao sul está a Praça da Paz Celestial, alma do simbolismo comunista. O local abriga o Mausoléu de Mao Tsé-tung, onde está o corpo embalsamado do criador da República Popular da China. Nove entre dez turistas que visitam a obra tiram uma foto junto ao célebre retrato do ex-presidente.
Um dos parques mais agradáveis de Pequim é o Templo do Céu - ou Tian Tan, em chinês. O local abriga o Hall das Preces por Boas Colheitas, onde os imperadores, após jejuarem, pediam aos deuses que fossem generosos com os campos de trigo e arroz do império. O edifício, de planta circular e telhados de intensa cor azul, é outro grande símbolo da capital chinesa. O complexo também abriga o chamado Muro do Eco, onde se diz que uma pessoa que estiver num extremo da parede pode ouvir os sussurros de quem estiver do outro lado.
O Palácio de Verão, no noroeste da cidade, completa o trio de monumentos imperiais, e seu estilo é diferente em relação aos outros por ser mais novo. A construção original data do ano de 1750, mas o local passou por duas reformas, ambas ordenadas pela imperatriz viúva Cixi, nos anos de 1860 e 1902.
Em meio a uma área de cerca de 290 hectares, é possível encontrar exemplos da arquitetura mais tradicional em templos, pavilhões e salões imperiais, todos com detalhes barrocos e ocidentais próprios dos últimos anos do império. Uma das estruturas mais impressionantes é o Longo Corredor, uma passarela de 728 metros decorada com mais de 14.000 pinturas panorâmicas.
Uma visita à parte mais tradicional de Pequim tradicional não ficaria completa sem uma ida à Grande Muralha. O trecho de Badaling, construído na dinastia Ming (1368-1644), é o mais visitado por ser o mais próximo da capital - 70 quilômetros ao noroeste de Pequim - , mas as vistas mais espetaculares ficam mais longe, em Mutianyu (90 km ao norte) e Simatai (110 km a nordeste).
A NOVA PEQUIM
Contrastando com esta Pequim de 1949, de cunho fortemente comunista, vai surgindo com cada vez mais força uma capital chinesa do século XXI, com idéias dos grandes arquitetos de todo o mundo.
Uma destas obras é o terceiro terminal do Aeroporto de Pequim, que começou a operar no início de março e foi projetado pelo arquiteto britânico Norman Foster. O novo prédio, que tem mais de 3,25 quilômetros de comprimento e 785 metros de largura, tem o design inspirado na forma de um dragão, com decorações em tons que vão do vermelho ao amarelo. A obra faz parte das reformas para sediar os Jogos Olímpicos.
A onda de modernidade continua na parte norte da cidade, onde fica a vila olímpica e maioria dos estádios construídos para os Jogos. O primeiro a chamar a atenção é o Estádio Nacional de Pequim, mais conhecido como Ninho de Pássaro, obra do estúdio suíço Herzog & De Meuron. O mais impressionante da estrutura é sua parte externa, uma massa de vigas e treliças de aço que forma uma espécie de ninho - daí o apelido. Perto dele está o Centro Aquático Nacional, palco das provas de natação, apelidado de Cubo Aquático.
A estrutura, projetada pela empresa australiana PTW, é a mais ecológica entre os locais de disputa feitos para os jogos: envolta em uma membrana opaca, ela possui mais de três mil bolsas de ar feitas de plástico reciclado.
A membrana plástica que recobre o Cubo Aquático cria bolhas de ar que permitem a entrada de mais luz e calor que o vidro, ajudando a aquecer a água das cinco piscinas e a reduzir em 30% o gasto energético.
As bolsas de ar são revestidas de um material parecido com Teflon, o ETFE (etileno-tetrafluoroetileno). A idéia é fazer com que todos, principalmente os espectadores, se sintam como se estivessem dentro d'água.
A parte financeira da cidade, no sudeste, também conta com muitos arranha-céus que apontam sinais de modernidade. O mais espetacular deles é a futura sede do canal de televisão estatal chinês "CCTV", um projeto do holandês Rem Koolhaas. A estrutura é formada por duas torres inclinadas - no formato da letra "Z", só que invertida - e ligadas pelo alto, com um enorme vão livre no meio - similar a um portão.
Outro exemplo de design de ponta é o Grande Teatro Nacional, no centro da cidade. Próximo a símbolos de tradição como a Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial, a estrutura idealizada pelo francês Paul Andreu tem como atração seu domo externo, feito de titânio e vidro e cercado por um lago artificial, que foi criado para que desse a impressão de que o teatro "flutua" na água. O formato da cúpula também gerou um apelido ao local: "O Ovo".
ANTONIO BROTO.
EFE REPORTAGENS.
| Ranking | gold | silver | bronze | Total | |
| 1. | Flag ofChina | 51 | 21 | 28 | 100 |
| 2. | Flag ofEstados Unidos | 36 | 38 | 36 | 110 |
| 3. | Flag ofRusia | 23 | 21 | 28 | 72 |
| 4. | Flag ofGran Bretaña | 19 | 13 | 15 | 47 |
| 34. | Flag ofArgentina | 2 | 0 | 4 | 6 |