




Shenyang, outra cidade a receber partidas de futebol dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, é a capital da província de Liaoning e maior cidade do nordeste da China. As autoridades locais construíram um Estádio Olímpico especialmente para sediar 12 jogos das competições masculina e feminina.
A cidade conta com passado imperial: foi a primeira capital Manchu, em 1625, quando era conhecida como Mukden. Atualmente, vive do êxito de seu parque industrial, famoso mundialmente.
Situada a cerca de 650 quilômetros de Pequim, sede dos Jogos, Shenyang é uma metrópole de 7,4 milhões de habitantes e lembra a capital chinesa por suas amplas avenidas, tráfego intenso e por se encontrar em plena expansão e modernização. Por isso, é comum avistar guindastes e edifícios em construção em quase toda a cidade.
O local também tem papel importante como ligação entre a China e outros países por sua localização estratégica, próxima às Coréias do Norte e do Sul, Rússia, Mongólia e até mesmo o Japão.
O amplo parque industrial local inclui fábricas dos setores automobilístico, petroquímico, aeronáutico, metalúrgico, têxtil, eletrônico, farmacêutico, de carvão, aço e ferro, entre outros. Os produtos são comercializados no mundo todo e a tendência é aumentar a produção - o que pouco lembra o período de arrefecimento e certa depressão sofrida na década de 70.
Diante de sua importância para as empresas, Shenyang abriga anualmente diversas convenções, congressos e feiras. Um dos principais desafios das autoridades locais é se livrar do estigma de cidade poluída.
Além de ser conhecida como Mukden quando era capital manchu, a cidade já teve outros nomes, sempre de acordo com aqueles que estavam no poder. Os primeiros dados sobre a cidade, que no final do século XIX e início do XX esteve sob domínio russo e japonês, datam de 2.300 anos atrás.
Já no século XI, Shenyang era um grande ponto comercial da dinastia mongol Yuan. Em 1625, virou o centro do império manchu e passou a ser chamada de Mukden, mas acabou relegada à condição de subcapital com a fundação da dinastia Qing (1644-1911) e após a conquista de Pequim, que se tornaria a principal cidade chinesa.
É a essa sociedade que Shenyang deve seu legado cultural e atrações turísticas mais importantes. Assim como em outras grandes cidades chinesas, modernas construções contrastam com símbolos de tradição como o Palácio Imperial e os Túmulos do Norte e Leste - todos declarados Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2004.
O Palácio Imperial, situado onde ficava o centro da cidade velha de Shenyang, começou a ser construído em 1625, durante o reinado de Nurhachi, líder dos Manchu. A obra, que demorou 11 anos para ficar pronta, é considerada o segundo maior complexo de arquitetura imperial mais importante e melhor conservado da China depois da Cidade Proibida de Pequim, embora suas dimensões sejam menores.
O palácio tem 300 aposentos e se divide em três seções: oriental (a mais antiga), central e ocidental.
A parte oriental tem como principal atração o Hall Dazheng, com pilares dotados de dragões sinuosos. Já a central conta com a Torre da Fênix, estrutura mais alta - três andares - e local de reunião para tratar de assuntos políticos, enquanto na parte ocidental se destaca o Pavilhão Wansu, repleto de obras da literatura chinesa.
O Túmulo do Norte foi erguido em 1643 e lá repousa Abahai, filho de Nurhachi, e sua esposa, a imperatriz Borjijit.
No Túmulo do Leste, terminado em 1651, estão os restos mortais de Nurhachi e Yehenala, sua esposa. A cidade também conta com quatro pagodes - templo destinado ao culto e adoração dos seus deuses - datados de meados do século XVII e que determinavam os perímetros locais. O chamado Pagode do Norte é o único em bom estado de conservação e tem como destaques o Grande Hall e o Teatro Falun.
Outra atração da cidade é o Museu 18 de Setembro, que retrata a ocupação de Shenyang pelas tropas japonesas - em 18 de setembro de 1931 - e possui conteúdo um pouco forte, pois mostra as agressões cometidas na Manchúria.
Uma visita a Shenyang fica incompleta se não incluir um passeio pela área comercial da cidade. Nela se destacam o Mercado Wuai, o maior do norte da China, e a rua Zhong, via de um 1,5 quilômetro e reservada apenas para pedestres que possui mais de 300 lojas dos mais variados ramos. À noite, a pedida é a rua Xita, com bom número de restaurantes e boates.
As melhores épocas para visitar a cidade são durante a primavera e o outono. No inverno, as temperaturas costumam superar os 20 graus abaixo de zero, e no verão passam dos 30. Shenyang é uma cidade frequentemente visitada por turistas, e sua presença aumentará ainda mais com a disputa dos Jogos Olímpicos.
COMO CHEGAR
O aeroporto internacional de Taoxian, a meia hora do centro de Shenyang, opera vôos para 58 cidades chinesas e países como Coréia do Sul, Rússia, Japão, Tailândia, França e Austrália. Vários trens ligam Pequim a Shenyang diariamente: os rápidos fazem o percurso em cerca de três horas e 40 minutos, enquanto os normais levam quase o triplo de tempo - dez horas e 15 minutos. De carro ou ônibus, a distância é de aproximadamente 650 quilômetros.
ub