[Opinião] Danica "esnoba" a Fórmula 1
20 de Julho de 2009 07:16Por Gerson Campos, colunista do Yahoo! Esportes
Engana-se quem acha que Danica Patrick é uma menininha mimada que sempre correu nos Estados Unidos e está com medo de tentar a Fórmula 1. A mulher mais bem-sucedida da história do automobilismo mundial já correu na Europa no fim dos anos 90 (andou de kart, Fórmula Vauxhall e Formula Ford, mas sem grandes resultados) e voltou aos States à procura de uma “categoria de monopostos top”, como informa seu site oficial (www.danicaracing.com). A página, aliás, já tem uma foto da moça com os cabelos esvoaçantes logo no começo da navegação. Portanto, que ninguém venha reclamar da "fetichização da imagem da mulher enquanto ser feminino ao volante”. Danica é bonita e sabe usar isso a seu favor. Nada a condenar.
Mas a primeira piloto a vencer uma prova em uma categoria top do automobilismo mundial não está nem um pouco a fim de voltar ao Velho Continente e realizar o sonho de Bernie Ecclestone: ter uma mulher andando na frente na Fórmula 1."Eu já morei na Europa antes. Mas, particularmente, gosto de estar aqui, com a minha família, meus amigos e o conforto que tenho no meu país natal. Eu diria que provavelmente não vou para a F1", disse Danica ao “Los Angeles Times” de domingo (19).
Há algum tempo, confesso, cheguei a achá-la esnobe. Não entendia como é que alguém tem a chance de chegar ao topo da carreira, ao lugar que todos os pilotos desejam, e dá de ombros para isso? Não dava para entender, mas confesso que não me esmerei na questão para tentar compreender o que pensa a parceira de Tony Kanaan na Andretti-Green. Também não sabia que ela já havia passado pela desilusão europeia, como passou Sébastien Bourdais, que acabou de ser demitido da Toro Rosso depois de ganhar tudo nos Estados Unidos. Bourdais foi criado no automobilismo europeu, se aventurou nos EUA, detonou, voltou e se deu mal. Seria isso uma maldição dos que vêm das pistas ianques?
Não exatamente, já que Jacques Villeneuve, por mais que tenha saído enxotado, foi campeão mundial. Juan Pablo Montoya, outro que se rendeu aos hambúrgueres mais cedo do que se esperava, também ganhou corridas e chegou a disputar o título de 2003 até a última prova. Mas Michael Andretti, campeão da Indy em 1991, foi massacrado por Ayrton Senna em 1993 (ok, era Senna, mas Andretti foi mal demais) e demitido antes do fim do ano. Isso porque o cara era a estrela do momento nos EUA. Zanardi também comeu o pão que o diabo amassou na bela Williams de 1999 depois de ser bicampeão na Indy (chamada de CART naquela época em que a categoria se dividiu em duas).
O que me parece é que Danica está rica, famosa e feliz nos Estados Unidos e já viu o que pode acontecer a ela caso as coisas não saiam bem na Europa. Para que se estressar tanto num ambiente hostil e que parece querê-la mais pela promoção comercial que pelos dotes atrás do volante? Dotes ao volante que, vale dizer, são inegáveis, mas não garantiriam a um piloto comum toda essa badalação.
De esnobe e sem ambição, passei a considerar a moça bem sensata. Não acho que ela se daria bem na F1 porque não tem o primordial para embarcar no circo: vontade de sobra e paciência de Jó. E você, mulher moderna e independente, o que faria no lugar de Danica Patrick? E os “cuecas”, o que acham da pilotagem dela?
300 km/h
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- Com calor na Hungria, chegou a hora de ver se a Red Bull está tão superior à Brawn assim.
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Y! Respostas: Danica Patrick se daria bem na Fórmula 1?
![]() | Gerson Campos é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Trabalhou no caderno de veículos da Folha de S.Paulo, foi editor da revista CARRO e hoje é editor-chefe do portal Carro Online. Ele escreve neste espaço às segundas-feiras. |




