[Opinião] Barrichello e Interlagos: por que nunca deu certo?

13 de Outubro de 2009 07:28

Por Gerson Campos, colunista do Yahoo! Esportes

A relação de Rubens Barrichello com o circuito de Interlagos é ambígua. Foi nos arredores da pista paulistana, ouvindo o ronco dos motores do quintal da casa da avó, que o pequeno Barrichello começou a se apaixonar por automobilismo. Rubens passou boa parte da infância e juventude correndo no kartódromo e acelerou nas categorias de base no autódromo, mas nunca atingiu um de seus maiores objetivos na carreira: vencer um GP de Fórmula 1 diante de sua torcida.

Apesar de andar bem em Interlagos (Barrichello cravou poles em 2003 e 2004 em cima de Michael Schumacher e liderou a prova a bordo de uma Stewart em 1999), a retrospectiva do vice-líder do campeonato em São Paulo não é das melhores: em 16 participações na prova, foram 11 abandonos e um 3º lugar como melhor resultado.

Mas qual é a parcela de culpa de Barrichello pelos insucessos numa pista que conhece e anda bem? Nesse ponto, o levantamento feito pelo Yahoo! Esportes com base no site Forix (talvez o maior banco de dados sobre Fórmula 1 do mundo) é claro: das 11 vezes em que não completou a prova, Rubens foi vítima de seu carro em nove delas. Apenas em duas ocasiões (1996 e 2001) o brasileiro provocou seu abandono com uma rodada e uma batida, respectivamente.

É bem verdade que Rubens ficou nada menos que nove anos sem completar uma prova no Brasil (entre 1995 e 2003), mas chegou muito, muito perto de vencer em 2003. Naquele ano, Barrichello fez a pole, marcou a melhor volta e liderava com tranquilidade antes do pit stop que colocaria combustível suficiente para que a Ferrari número 2 completasse as 71 voltas do GP Brasil na ponta – a prova acabou sendo interrompida na volta 54 em função de um múltiplo acidente que envolveu, entre outros, Fernando Alonso e Mark Webber, com a vitória sendo dada a Kimi Raikkonen e depois repassada a Giancarlo Fisichella.

Mas o pit stop de Barrichello não aconteceu e ele ficou parado na volta 46 sem gasolina – algo inacreditável numa equipe eficiente como a Ferrari. Alguns podem falar em conspiração para favorecer Schumacher ou algo do tipo, mas o alemão já havia abandonado a prova depois de rodar na Curva do Sol na volta 26.

No ano seguinte, o quinto em que correria no Brasil de Ferrari (em 2000 e 2002 Barrichello teve panes hidráulicas, em 2001 bateu e em 2003 ficou na pista sem gasolina), Rubens marcou a pole e largou como favorito. Mas não conseguiu manter o ritmo e sucumbiu, conseguindo apenas um 3º lugar, seu primeiro e único pódio no Brasil até hoje.

Em 2005 a Ferrari fez um carro sofrível e não deu ao brasileiro chance de brigar pela ponta. Em 2006 a Honda até tinha um carro mediano, mas não bom o suficiente para brigar pela vitória, apesar do 3º lugar de Jenson Button naquele ano. Em 2007 e 2008, o carro mediano da Honda se transformou numa carroça.

Por isso Barrichello, que anda saudavelmente contido nas palavras de alguns meses para cá, não falou (tanto) em vencer em Interlagos. Rubens sabe que o desempenho da Brawn é uma incógnita (quem consegue dizer qual carro andará bem em qual pista neste ano doido?) e que Button também anda bem no Brasil.

Fato que o fez optar pelo silêncio. Se não vencer, não será mais cobrado. Se ganhar, Barrichello acumulará mais um lucro no ano em que começou desempregado e terminará com o melhor resultado da carreira – mesmo que ele seja um vice-campeonato, será um vice-campeonato brigado.

Confira o retrospecto de Rubens Barrichello no GP Brasil de Fórmula 1:
1993 – abandono (câmbio)
1994 – 4º
1995 – abandono (câmbio)
1996 – abandono (rodada)
1997 – abandono (suspensão)
1998 – abandono (câmbio)
1999 – abandono (motor)
2000 – abandono (sistema hidráulico)
2001 – abandono (batida)
2002 – abandono (sistema hidráulico)
2003 – abandono (pane seca; pole e volta mais rápida)
2004 – 3º (pole)
2005 – 6º
2006 – 7º
2007 – abandono (motor)
2008 – 15º


300 km/h

- Só falta o anúncio oficial sobre o acerto entre Barrichello e a Williams para 2010. Não é um avanço para o brasileiro, mas não chega a ser um retrocesso. Em 2010, ninguém sabe o que será da Brawn. E a Williams não é uma Force India: sabe fazer um carro vencedor e até 2003 disputou o título com Montoya até a última prova;

- O contrato de um ano com o time de Frank mostra que o brasileiro terá de mostrar desempenho impecável se quiser permanecer na Fórmula 1 depois de 2010;

- A luta pelo campeonato está realmente difícil para Barrichello se analisarmos o quadro da seguinte forma: mesmo que Button não pontue nas duas etapas finais, Rubens precisa de uma vitória e de um quarto lugar para marcar 15 pontos. Ou de duas segundas colocações para carimbar 16 tentos. Complicado num campeonato em que o desempenho das equipes varia tanto de pista para pista.


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  Gerson Campos é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Trabalhou no caderno de veículos da Folha de S.Paulo, foi editor da revista CARRO e hoje é editor-chefe do portal Carro Online. Ele escreve neste espaço às segundas-feiras. Contato: gersoncampos82@yahoo.com.br.

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