| ALEMANHA - 1974 |

Países inscritos: 94
Participantes: 16
Gols: 97
Média de gols: 2,55
Média de público: 46.554
Na véspera, a Seleção da Alemanha Ocidental, dirigida por Schoen e tendo Beckenbauer como capitão, perdera de 1 x 0 para a da Alemanha Oriental, no Volsksparkstadion de Hamburgo. Um resultado cuja ressonância - esportiva, emocional e até política - qualquer um podia avaliar. Pela primeira vez na história, os alemães do oeste haviam enfrentado seus rivais do leste numa fase final da Copa do Mundo. Schoen anda estava arrasado com a derrota quando Beckenbauer o procurou naquela manhã. "Não quero que o senhor tome isso como uma desculpa para a derrota de ontem, herr Schoen. Mas esse isolamento, essa prisão, já vem durando quatro semanas e está minando nossos nervos".
Schoen olhou Beckenbauer de frente.
- Muito bem, Beckenbauer. O que você sugere?
- Sugiro que o senhor modifique esse regime de concentração e permita que os jogadores tenham, pelo menos, meia liberdade!
- E o que você entende por meia liberdade?
- Para começar, os casados devem poder estar com suas mulheres e filhos, mesmo nas vésperas dos jogos. Os solteiros, da mesma forma, devem poder sair com suas namoradas, sempre que lhes der vontade. Liberdade com responsabilidade é o que chamo de meia liberdade. Somos jogadores de futebol. Mas somos, antes de tudo, seres humanos.
Schoen não podia desconsiderar os argumentos de Franz Beckenbauer. Por isso concordou, após alguma relutância, com a ''meia liberdade'' sugerida pelo capitão. No dia seguinte, especulou-se bastante em torno de um provável motim em Bad Homburg, um levante liderado por Beckenbauer para derrubar Schoen. Contudo, a mais perfeita paz reinava no reduto alemão.
Enquanto isso, a muitos quilômetros dali, já a caminho de Hannover, a Seleção Brasileira comemorava sua primeira vitória na décima Copa do Mundo: um pálido 3 x 0 sobre a frágil e ingênua equipe do Zaire, no Parkstadion de Gelsenkirchen. O resultado classificara os brasileiros para um dos turnos semifinais, mas não fora o bastante para afastar as dúvidas que ainda pairavam sobre suas chances de chegar ao título. A rigor, a não ser pelo técnico da Seleção Brasileira, o mesmo Zagallo da campanha do tri, no México, ninguém parecia acreditar muito naquela equipe tecnicamente irregular e taticamente indefinida.
A Seleção Brasileira levou, em sua delegação, um verdadeiro exército de preparadores físicos, assessores, convidados, dirigentes, homens com funções várias para atender as mínimas necessidades do técnico e dos jogadores. Os jogadores - ao contrário do técnico - sentiam que as coisas não iam bem com eles, no entanto. Nos treinamentos, nos amistosos preparatórios, nos jogos-treinos disputados em Estrasburgo, Ludwigshafen e Basiléia, já a poucos dias da estréia na Copa, ficara mais do que evidente que muita coisa faltava à Seleção Brasileira para que ela pudesse ao menos sonhar com o tetra.
Um time medroso
O reflexo de tudo isso pôde ser visto e analisado muito bem no jogo que abriu oficialmente a décima Copa do Mundo, em 13 de junho, no Waldstadion de Frankfurt. Brasileiros e iugoslavos enfrentaram-se de igual para igual, cuidando mais da defesa que do ataque, ousando pouco, respeitando-se muito durante 90 minutos de futebol pesado, às vezes violento, que não deu ao público ao menos a alegria de um gol. Os dois treinadores, Zagalo e Miljanic, acharam o resultado muito bom. Afinal, já que ambos teriam de enfrentar o modesto Zaire, a classificação ficava na dependência de um simples empate com a Escócia.
O segundo jogo, diante da sólida e valente equipe da Escócia, não foi muito diferente. Também nele o Brasil se fechou. Também nele a briga pela bola chegou, em termos de violência, ao exagero. Também nele, enfim, o público deixou o estádio frustrado ante um espetáculo de nível técnico apenas razoável, cujo desfecho foi outro 0 x 0.
A esta altura, muita gente já duvidava - com razão - do sucesso brasileiro numa Copa em que sua equipe passara 180 minutos sem marcar um gol. Era um recorde negativo sem precedentes na história das participações brasileiras em todos os campeonatos mundiais, desde 1930. Tal dúvida não se dissiparia mesmo depois da vitória de 3 x 0 sobre o Zaire, que, apesar dos pesares, classificara os brasileiros.
No dia 23 de junho, ao se completarem os 24 jogos das oitavas-de-final, enquanto brasileiros e iugoslavos se classificavam no Grupo 2, enquanto as duas Alemanhas confirmavam seu favoritismo no Grupo 1, enquanto Argentina e Polônia se saíam bem no Grupo 4 (no qual a Itália foi prematuramente eliminada), uma quase estreante em fase final de Copas do Mundo convertia-se na grande atração do campeonato, destacando-se, com brilho, no Grupo 3. Era a Seleção da Holanda, uma seleção da qual os apaixonados pelo futebol-arte não tardariam em se transformar em fãs cheios de entusiasmo.
Holanda irresistível
A Seleção Holandesa, dirigida pelo competente treinador Rinus Michels, devolvia o futebol aos seus grandes dias do passado, quando o gol, acima de tudo o gol, era a própria razão de ser do jogo. Jogando com extraordinária aplicação tática, fazia a bola rolar de pé em pé, em manobras ensaiadas com admirável talento coletivo. Os holandeses - e isso se percebeu logo na estréia com os uruguaios - praticavam um futebol bonito, harmonioso, mas sobretudo eficaz.
Para muitos, que já o conheciam de longa data, Cruijff era rei há muito tempo. Pelo menos, desde que Pelé renunciara. Seu papel no time holandês, comandando as jogadas, fazendo-se presente em todos os setores do campo, defendendo e atacando com grande energia e muita consciência tática, tornava-o o mais completo jogador da décima Copa do Mundo.
Na última Copa do Mundo, as quartas-de-final tradicionais foram substituídas por dois novos grupos de quatro equipes cada, denominados A e B. Nos dois primeiros jogos do grupo A, o Brasil deu os primeiros sinais de vida ao vencer a Alemanha Oriental por 1 x 0, em 26 de junho, e a Argentina por 2 x 1, quatro dias depois. As duas vitórias foram conquistadas no acolhedor Niedersachsenstadion, de Hanover.
Embora o sistema de jogo brasileiro fosse basicamente o mesmo - e o defensivismo de Zagalo se acentuasse ainda mais, com a entrada de outro ponta recuado, Dirceu, no lugar de Leivinha -, desta vez, pelo menos, os tricampeões foram nitidamente superiores aos seus adversários. Tão superiores que, às vésperas do terceiro jogo - o jogo decisivo com os holandeses, em 3 de julho, em Dortmund -, Zagalo estava mais otimista do que nunca.
A vitória da Holanda sobre o Brasil foi indiscutível. É verdade que os brasileiros, com um pouco de sorte, poderiam ter chegado ao gol primeiro. Mas é verdade, também, que fora dois ou três lances isolados de contra-ataque, logo nos 15 minutos iniciais, o Brasil pouco conseguiu diante de uma defesa que marcava em cima, atenta, rápida e duramente. A Holanda, pelo contrário, sempre inspirada no futebol de Cruijff, se encontrou alguma dificuldade no primeiro tempo, chegou com méritos aos 2 x 0 que fizeram dela a finalista do Grupo A.
Parados no tempo
Ao Brasil não restou sequer o consolo de ficar em terceiro lugar, já que sua Seleção foi derrotada pela Polônia por 1 x 0, na véspera da grande final do estádio Olímpico de Munique. Os brasileiros não fizeram muito no jogo com os poloneses, que, pelo contrário, confirmaram seu ingresso entre as grandes forças do futebol europeu, já sugerido pelo título olímpico de dois anos antes, conquistado ali mesmo, em Munique.
A décima Copa do Mundo chegava ao fim. Com ela - como em todas as Copas - muitas lições vinham-se somar a tantas outras ensinadas pela história do futebol. Uma delas registrou-se no jogo final, disputado em 7 de julho. A Alemanha Ocidental, que vencera o grupo semifinal B, impondo-se à Iugoslávia, Suécia e Polônia, nem por isso era a favorita para a conquista do título. Mesmo levando-se em conta que a sua seleção atuava em casa, com o inestimável apoio da torcida, com todos os fatores extra-campo inteiramente a seu favor, acreditava-se mais na Holanda, a Holanda de Cruijff , do ''Carrossel'', do jogo perfeito, do futebol-arte. E os holandeses realmente abriram o escore, com menos de 2 minutos de jogo, num pênalti sobre Cruijff, batido por Neeskens. Mas os alemães empataram também num pênalti, e chegaram ao segundo gol, ainda no primeiro tempo, quando o goleador Müller surpreendeu o goleiro Jongbloed mal colocado e mandou a bola no lado oposto ao seu pé de apoio. Com esse gol bobo, frio, sem sal, decidiu-se a décima Copa do Mundo.

Nascimento: 8 de abril de 1950, em Mielec
Clubes: Stal Mielec, Lokeren-BEL e Atlante-MEX
Apesar de atuar como ponta-direita e, no final da carreira, no meio-campo, Lato ficou conhecido pela capacidade de marcar gols pelas equipes por onde passou. Porém, não conquistou muitos títulos. Só foram três campeonatos poloneses e uma medalha de ouro olímpica. Além de seus gols, o que também o tornou famoso era a calvície precoce e a baixa estatura (1,75m) para um atacante.
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