Márcio Bernardes
No papel, Gana é a zebra do Grupo E. Ninguém apostava que a seleção africana bateria a República Tcheca e os Estados Unidos e que passaria para as oitavas-de-final, atrás da Itália. Mas em campo, como batizou o capitão da equipe, Stephen Appiah, eles foram os "brasileiros africanos". Apesar do exagero e de não terem a técnica de Camarões na Copa de 1990, com garra e força física, eles se tornaram os únicos representantes do continente africano na próxima fase. Entretanto, eles têm pela frente o Brasil, gigante que parecia adormecido, e que finalmente despertou contra o Japão. O técnico sérvio Ratomir Dujkovic, que não baixou a cabeça em nenhum momento antes do início do Mundial, sabe que enfrentará os melhores do mundo, mas avisa: "O Brasil vai sofrer".
O significado da frase pode ser interpretado de várias formas. A primeira explicação que vem à mente é pelo fato de Gana ter encerrado a primeira fase como a seleção mais violenta da Copa com 12 cartões amarelos. A segunda seria pela correria imposta aos adversários pela equipe ganense. Esta é também a maior aposta de Kofi Agyepong, de 24 anos, editor do jornal "Accra Daily Mail", para um possível triunfo sobre o Brasil.
"Para vencer, será necessário jogar como na partida contra a República Tcheca", sugere ele, se referindo à vitória por 2 a 0, que poderia ter sido maior, se a equipe africana não tivesse perdido tantos gols.
A boa notícia, para nós, é que o principal jogador de Gana, Michael Essien, está suspenso por ter levado o terceiro cartão amarelo e não joga contra o Brasil. O meio-campo do Chelsea foi comprado junto ao Lyon por 38 milhões de euros, e se tornou o jogador africano mais caro da história. Mas no meio, outro talento vem se destacando na armação das jogadas: Stephen Appiah, do Fernebahçe, da Turquia.
O mais temido na seleção canarinho ainda é Ronaldinho Gaúcho. E o receio de que ele finalmente 'estréie' na Copa, faz das pretensões da equipe nas oitavas-de-final um sonho bom.
"Os jogadores já foram além das expectativas. Gana esperava se mostrar competitiva na Copa, e conseguiu", explica o jornalista, que, apesar do realismo, não aposta no hexacampeonato do Brasil. "Eu espero que Argentina ou Inglaterra ganhe a Copa", diz.
Que a aposta de nosso colega ganense fique pelo caminho, assim como a seleção do país dele no confronto contra o Brasil, nesta terça.