Márcio Bernardes
França e Brasil chegam às quartas-de-final em situação semelhante. Zidane e Henry estão para os Azuis, assim como Ronaldo e Ronaldinho estão para a seleção canarinho. O Fenômeno ainda está longe da aposentadoria, mas como o colega de Real Madrid, chegou em má fase para disputar a Copa do Mundo, e ao longo da competição, na base do talento, provou que não pode ser descartado. Já Henry e Ronaldinho Gaúcho protagonizaram na final da Liga dos Campeões o duelo do ano até o momento por seus respectivos clubes. E apesar da indiscutível qualidade técnica e da boa fase ainda não jogaram nem um terço do que costumam apresentar no Arsenal e Barcelona. Dos quatro jogadores, franceses e brasileiros esperam muito. Há um respeito mútuo por parte de torcedores, atletas, e jornalistas. Estes pés, diretamente numa jogada, ou indiretamente, pelo fato de atraírem forte marcação, e assim deixarem espaço para os companheiros, decidirão a partida. Essa é opinião de Gérard Dreyfus, de 60 anos, editor do site da "Rádio França Internacional", com sete Copas no currículo.
"Zinedine Zidane ainda é o melhor na sua posição. Naturalmente que não tem mais o fôlego que tinha nos anos 90, mas sua virtuosidade vai conservar para a vida toda. Foi o que permitiu que ele fizesse o terceiro gol na vitória sobre a Espanha. Não se pode esquecer que o Zidane monopoliza a atenção dos adversários, ele pode dar mais espaço para seus companheiros", opina ele sobre a maior arma dos franceses para vencerem a partida, acrescentando sua esperança parecida com a nossa de ver o jogador tido como em melhor fase acordar.
"Na frente, Henry é capaz de fazer decidir sozinho, mesmo não mostrando o futebol do Arsenal, ainda confiamos e esperamos muito dele", conta o jornalista, comparando com o camisa 10 do Brasil.
"Ronaldinho tecnicamente se sobressai diante dos outros. Os franceses gostam muito de artistas, e essa é a sua imagem aqui no país", diz.
Apesar de eleger o craque gaúcho como o mais perigoso da nossa seleção, Gérard ainda cita a habilidade do craque do Lyon Juninho Pernambucano na cobrança de faltas com um dos trunfos brasileiros para uma possível vitória. Mas a melhor tática para vencer nossa seleção seria a da observação.
"Depende de qual seleção vamos enfrentar. Seria o Brasil sem talento e que está indo muito devagar? Ou o Brasil mágico que está no papel? A melhor estratégia é observar no primeiro tempo para pegar o ritmo coletivo dos brasileiros. A defesa francesa é sólida, mas se deixar espaço terá problemas. Temos que marcar bem e explorar os contra-ataques", aposta.
Como quem bate esquece, diferentemente de quem apanha, Gérard diz que o confronto deste sábado nada tem a ver com a decisão da Copa de 1998.
"A obrigação é esquecer aquela final. Vai ser um jogo totalmente diferente, mas o Brasil vai tentar mostrar serviço o mais rápido possível", diz ele, que, no entanto, não crê na repetição do título de oito anos atrás.
"É possível vencer a Copa, mas é difícil de se imaginar. Até o momento, a principal candidata é a Alemanha", elege o jornalista.
Do lá de cá, entre sentimentos semelhantes e distintos, um deles é disparado o mais forte: o de vingança.