Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
(Munique, BR Press) - Pouca gente deu importância ao fato, mas o assunto pode arranhar o aparente bom ambiente da seleção brasileira. Parreira não gostou da atitude de vários jogadores que trouxeram familiares para a Alemanha.
O treinador do Brasil já havia declarado que é contra esse tipo de situação. Ninguém ouviu nenhuma reclamação oficial dele, mas todos conhecem com detalhes os seus pontos de vista.
Ronaldo alugou uma casa em Munique; Ronaldinho Gaúcho está recebendo a família num outro imóvel, em Frankfurt; Robinho colocou seus pais em um luxuoso hotel de Frankfurt; depois eles irão para Leverkusen, na casa de Kahê, jogador que tem o mesmo agente do atacante da seleção, Wagner Ribeiro; Lucio e Zé Roberto, que jogam aqui na Alemanha, instalaram seus familiares em uma cidade próxima a Konigstein; O pai de Fred chegou de Lyon; Adriano, que mora em Milão, também trouxe toda família.
A CBF forneceu ingressos para os jogadores. Eles distribuíram para os parentes e amigos. Na visão de Parreira issto pode tirar o foco e a concentração do grupo. Outras pessoas entendem que, ao contrário, até ajuda a aproximação com os entes queridos. Eles supririam a saudade e preencheriam espaços emocionais dos jogadores.
Isso não acontece pela primeira vez e também não é nenhuma novidade. Faz muito tempo que os jogadores levam os parentes para as Copas do Mundo.
Sem aliança
Na França, em 98, contaram extra-oficialmente várias histórias de alguns atletas convocados por Zagallo. Um deles, durante uma folga, num churrasco de confraternização com seus familiares, já alterado pelo consumo de cerveja e ao receber uma notícia do comportamento lamentável de sua noiva, teria tirado e jogado fora a sua aliança.
Escândalo
Naquela Copa, havia também a história da mulher de um jogador que não gostou da suíte de um luxuoso hotel parisiense, com diária de US$ 880. A lotação dos hotéis dificultou a reserva que só foi conseguida com muito esforço pelo pessoal da empresa de material esportivo que patrocinava o craque.
Ela fez um pequeno escândalo porque os móveis coloniais que decoravam o ambiente não estavam do seu agrado.
Como diria o saudoso presidente do Corinthians, Vicente Matheus: "Esse assunto é uma faca de dois legumes".
QUENTINHAS
Esquentando os ânimos
Quem comenta sobre a frieza germânica precisa ter visto a reação da população depois da vitória sobre a Costa Rica. O sentimento de patriotismo se alastra por todos os lugares.
Muitos carros estão adesivados com as três cores que representam o país. De sexta-feira (09/06) até o final da tarde deste sábado por aqui aumentou em 10% o consumo de cerveja em relação aos outros finais de semana.
Zé Roberto
A popularidade de Zé Roberto é impressionante aqui na Alemanha. Jogador revelado pela Portuguesa Desportos e consagrado pelo Bayern de Munique, ele protagoniza vários cartazes anunciando uma igreja evangélica e mensagens bíblicas.
Essas mensagens são vistas também na Suíça que, dependendo da região, tem muita influência das coisas da Alemanha.
Laranja mecânica
Uma mensagem ao torcedor menos atento: olho na seleção da Holanda. O time é muito bom e eu o incluo entre os favoritos para ganhar a Copa do Mundo.
Os craques da Holanda são Van Nistelrooij, Van der Vaart, Heitinga, Sneijder e Ooijer. O país, que já apresentou times fantásticos como o Carrousel holandês, chegou a duas finais e acabou em ambas vice-campeão.
Libras esterlinas
O Chelsea faz justiça a sua fama de um dos clubes mais ricos do mundo. A equipe inglesa é a recordista em convocações para este Mundial. São 16 os atletas vinculados com a agremiação ( todos os titulares e mais quatro reservas).
Entre os times brasileiros o Corinthians foi quem mais cedeu jogadores, três, Ricardinho, Mascherano e Tevez.
Pela internet
A Fifa está esperando 112 milhões de acessos diários no seu site www.fifa.com. A cada momento, surgem números estratosféricos envolvendo este Mundial.
A entidade lucrou no ano passado R$ 377,5 milhões, cifra que poderá ser até triplicada com as receitas deste ano.
É bom dizer que parte dos lucros da Fifa sempre é distribuída para as associações filiadas. Bolão
Após o treino comandado por Parreira, rolou uma aposta informal entre alguns cobradores de faltas. Entre os titulares os principais são Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos. Num segundo plano ficam Kaká e Zé Roberto.
Mas o mais badalado é o reserva Juninho Pernambucano. Rogério Ceni, que todos sabem, é um exímio batedor de faltas tem sempre feito elogios ao craque do Lyon.
Timidez?
Quem conhece Dida sabe do seu temperamento fechado e introspectivo. Normalmente calado, o goleiro não esconde que é tímido, por isso não era de muitos sorrisos. Não era!
Ultimamente, mostrando uma felicidade incomum, Dida parece outra pessoa. Atravessa um momento pessoal que contagia. Ele dá a impressão que está em lua de mel e que a Copa já terminou ? com o hexacampeonato.
Muy amigos
Várias personalidades oferecem favoritismo à seleção brasileira: Maradona, José Pekrman, Michel Platini, Franz Beckembauer, Joseph Blatter estão numa lista de ilustres esportistas que falam maravilhas do time de Parreira. Tudo muito simpático.
Mas quanto à opinião dos dois argentinos é bom ficar com a pulga atrás da orelha.
FRASES
"A Alemanha de hoje é completamente diferente daquela que ganhou a Copa de 74. Acho que as mudanças foram positivas. Em todos os sentidos". Franz Beckenbauer, presidente do comitê organizador deste Mundial, que era capitão do time em 74.
"Essa praça vai pegar fogo na semana que vem, quando chegarem os brasileiros". José Calil, jornalista brasileiro, vendo a movimentação na Marienplatz, local turístico mais procurado de Munique.
"A depilação é última moda entre jogadores da seleção brasileira". Fofoca que rola em Konigstein, sem explicar maiores detalhes sobre essa iniciativa dos craques.
"Não sei se jogarei contra a Polônia. Ainda sinto muitas dores na panturrilha". Michael Ballack, deixando pessimista a torcida alemã após a vitória contra a Costa Rica.
"Os jornalistas fazem as mesmas perguntas e nós, jogadores, damos as mesmas respostas". Roberto Carlos, sorridente e brincalhão, respondendo no mesmo ritmo uma pergunta com segundas intenções de um repórter brasileiro.
"Não estou preocupado em ser o melhor jogador d Copa. Quero terminar 100%. Ou seja, duas Copas e duas conquistas". Ronaldinho Gaúcho, mostrando sua verdadeira ambição.
TOQUE FINAL
Velho Lobo
A homenagem que o Clube Konigstein prestou a Zagallo, denominando com seu nome uma arena do complexo esportivo, nos leva a conclusão da importância e respeito que esse brasileiro desperta no mundo inteiro.
Apesar de alagoano, mas completamente radicado e adaptado aos modos do Rio de Janeiro, Zagallo, numa certa fase de sua atuante vida profissional, despertou um pouco a ira dos paulistas. Não sei se pelo seu forte sotaque carioca, que não é muito bem recebido por certos setores de São Paulo, ou por atitudes contra jogadores paulistas que, à sua época, despertaram insatisfações de paulistas, principalmente da mídia.
Ainda bem que, no seu devido tempo e com todo carinho, estamos podendo reverenciar e homenagear em vida Mario Jorge Zagallo.
A história do Velho Lobo deve ficar inserida em todos os livros da vida gloriosa de qualquer cidadão internacional. Bi-campeão mundial como jogador, campeão como treinador e como coordenador técnico. Esses são alguns dos muitos títulos conquistados por ele.
Problemas pessoais
Num determinado momento, fiz muitas críticas a Zagallo. E ele não gostou. Chegamos a ter problemas de relacionamento pessoal. Lembro-me a Copa de 86, no México, quando ele foi contratado pela Rede Globo para comentar os jogos com meu parceiro de Rádio Globo, Osmar Santos.
Certa noite, vários dos meus companheiros programaram um jantar e Zagallo também foi com a turma. Conversamos bastante e esclarecemos todas as dúvidas e problemas. Eu fiquei muito feliz!
Lembro-me da Copa de 98. Zagallo estava por cima e tinha conseguido levar um time mediano a final da competição. Na véspera do jogo contra a França, ele concedeu-me uma longa entrevista para a TV Gazeta e Rádio Trianon, que está guardada até hoje nos meus arquivos.
Além das abordagens profissionais, falamos do jogo, da seleção e de tudo. Percebi sua empolgação. E falamos também de nós, das nossas divergências iniciais, do nosso entendimento e chegamos, os dois, as lágrimas.
Águas passadas
Acho que tinha bronca de Zagallo pelo meu imbecil preconceito da disputa entre paulistas e cariocas, que acontecia no futebol até há alguns anos atrás. Aliás, o seu carioquês me incomodava muito.
Estou feliz pelo Velho Lobo. E mais ainda porque também, aqui na Alemanha, reconheceram o seu valor, talento. E o mais importante: o seu legado.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .