Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
(Berlim, BR Press) - Estamos ansiosos com a estréia brasileira nesta terça-feira (13/06) aqui em Berlim. Jornalistas e torcedores estão vivendo momentos de grande expectativa. Fico imaginando o que estaria passando pela cabeça dos nossos jogadores. É muito importante estrear bem, vencendo ? claro ? e, se possível, convencendo. Mas o importante é ganhar a primeira partida.
Alemanha, Inglaterra e Argentina já mostraram a que vieram. Temos dito há algum tempo que estes países, mais Brasil, França e Holanda, são os grandes favoritos para a conquista do Mundial. Não podemos, ainda, esquecer que República Tcheca e Sérvia e Montenegro, esta mesmo perdendo de 1x0 para a Holanda, podem surpreender.
Os anfitriões atropelaram a Costa Rica e a Inglaterra merecia uma goleada em cima do Paraguai, que por sinal, foi uma grande decepção. A Argentina não jogou bem, fraquejou no segundo tempo, mas venceu. A Costa do Marfim deixou boa impressão. Mas, como já dissemos, não se pode perder em estréia de Copa.
A velha e boa Polônia, que tanto sucesso fez aqui mesmo na Alemanha em 74 com Lato e Cia., desta vez decepcionou e a vitória do Equador foi mais do que merecida.
Sem medo e sem segredo
Está claro que a seleção que pretende ir adiante deve jogar em cima do adversário, sem medo e sem segredo. Covardia tática não se admite nessa Copa. E, diante de tantas seleções favoritas, é necessário ter muita competência.
Um exemplo da incompetência ficou claro no zero a zero entre Suécia e Trinidad e Tobago, que, com dez jogadores, segurou orgulhosamente o empate. Os suecos não souberam ganhar.
Na rodada deste domingo (11/06) gostei de Sérvia e Montenegro, mas gostei muito mais da Holanda, que venceu e convenceu. E o México mostra que também veio para fazer um belo papel no Mundial.
Quem quiser vencer vai ter de provar que tem “garrafa vazia para vender”.
QUENTINHAS
Spice Girl
Na vitória da Inglaterra sobre o Paraguai, a ex-Spice Girls Victoria Adams atraiu tanta atenção da torcida quanto os jogadores. Dividiu as imagens do telão com seu marido David Beckham.
Na tribuna do estádio de Frankfurt, Victoria distribuiu autógrafos e muita simpatia. E foi tão aplaudida quanto o marido, que, aliás, jogou um belo futebol e, para mim, foi o bambambã.
Figuraça
Bora Milutinovic, técnico que dirigiu quatro seleções diferentes em Copas do Mundo ? Estados Unidos, Costa Rica, Rússia e México ? é uma figura. Comentarista de uma cadeia de rádio americana, ele tem desfilado pelo Centro de Imprensa de Munique sempre sorridente.
Quando encontra velhos conhecidos, relembra histórias e contas outras, normalmente engraçadas.
"Hermanos"
A rivalidade entre brasileiros e argentinos ficou mais do que evidente nas tribunas de imprensa do Volfgangparkstadiun, em Hamburgo. Claro que os "hermanos" representavam a imensa maioria.
Mas, a cada gol, dos muitos perdidos pela Costa do Marfim, principalmente no primeiro tempo, os brasileiros lamentavam a falta de pontaria dos comandados de Henri Michel.
Toma Guaraná
Diego Maradona é definitivamente uma figura. Ao lado de sua ex-mulher e atual procuradora, Claudia Villafane, ele atraía as câmeras de televisão com gestos de alegria e muita satisfação pela estréia vitoriosa da sua seleção.
Antes do jogo, na sala vip do estádio, Maradona se fartou de vinho e do seu inseparável charuto cubano.
Camisa amarela
O Brasil deverá jogar com a camisa amarela as três primeiras partidas desta Copa, contra Croácia, Austrália e Japão. Os emissários da Fifa já estiveram na contração brasileira, com as devidas orientações para os roupeiros Assis e Barreto colocarem o escudo oficial da Copa 2006 na manga direita das camisas dos jogadores.
Neonazi não
No jogo deste domingo (11/06), entre México e Irã, no Frankenstadion, em Nuremberg ? coincidentemente, onde Hitler e seus asseclas costumavam se reunir ?, foi possível constatar protestos de torcedores, principalmente alemães, contra o Irã.
Como se sabe, declarações do presidente iraniano, minimizando o Holocausto e quase favoráveis ao nazismo, provocaram reações de repúdio de todo o mundo.
Aqui na Alemanha, alguns congressistas queriam inclusive que o governo local não permitisse a entrada do Irã no país, idéia recusada pelas autoridades.
Hooligans
A vitória da Inglaterra deu muito trabalho para a polícia alemã. Os torcedores ingleses fizeram incontrolável baderna pelas ruas de Frankfurt.
Sempre alegres, bêbados e estridentes, vários ingleses são violentos na tristeza da derrota e muito mais radicais na alegria da vitória.
O chefe do policiamento chegou a declarar que nunca viu algo semelhante em seus 30 anos de carreira.
Lula x Ronaldo
Não bastasse a polêmica conversa virtual entre o presidente Lula com Parreira, Zagallo e Cafu, agora o Ministro dos Esportes, Carlos Melles, aparece na concentração para fazer média com a delegação.
E, consequentemente, acabou aparecendo muito, o que não deixa de ser positivo para a imagem do governo. Não gosto desta mistura de política, governo e futebol.
FRASES
"Não quero culpar toda imprensa. Mas vocês andam pegando muito no meu pé". Ronaldo, reclamando dos repórteres e mostrando a sua insatisfação com as críticas de que estaria gordo.
"Nós, jogadores do meio-campo, também estamos muito preocupados com a marcação eficiente. Precisamos estar sempre sincronizados". Emerson, volante do Brasil.
"Hoje estou muito feliz. É um dos dias mais alegres da minha vida. Estreamos com vitória e era isso o que eu mais queria". Sven-Goran Ericksson, técnico inglês, com a fleuma sueca, mas extravasando a felicidade.
"Fica evidente que o Ronaldinho Gaúcho está se poupando". Repórteres que cobrem a seleção, notando a freada do craque nos últimos treinos.
"Perder para o Brasil não é nenhuma tragédia. Só não quero ser goleado". Zlatko Kranjcar, técnico da Croácia pedindo clemência e aceitando a superioridade brasileira.
"Vamos jogar duro, mas não seremos desleais". Olic, atacante croata, sobre o jogo contra o Brasil, antecipando como qual será o esquema.
TOQUE FINAL
Pelé polêmico
Pelé caiu em desgraça com os jogadores desta seleção brasileira. Alguns deles, principalmente Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, nem escondem mais as mágoas com o rei do futebol.
Pelé tem feito declarações chocantes e desnecessárias. Pode até ser que, inteligente como é, esteja querendo criar fatos e gerar polêmica, colocando o seu nome em evidência.
Comparar as equipes de 70 e 2006 é impossível. O técnico Carlos Alberto Parreira ao ser perguntado sobre o assunto foi muito esperto e realista: "São duas épocas distintas. É impossível fazer qualquer comentário a esse respeito. Não tenho a capacidade do Pelé para enxergar essas coisas".
A bronca dos jogadores começou em março, quando Pelé disse que os problemas pessoais de Ronaldo estavam atrapalhando sua produção dentro de campo. Por isso, o Real Madri estaria sendo prejudicado.
Ronaldo não quis polemizar, mas respondeu que foi um oportunismo barato essa análise.
A última entrevista para o Times colocou em choque, definitivamente, Pelé e os jogadores de Parreira. Cafu falou em nome deles: "Acho que o Pelé foi muito infeliz no que disse. Deveria usar as palavras dele para fazer o bem, trazer a união do povo conosco, os jogadores. Ele não precisa fazer esse confronto".
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .