Márcio Bernardes
Últimas colunas
Partida digna de uma final
10 de Julho de 2006
Final será uma festa
9 de Julho de 2006
Final pode ser empolgante
6 de Julho de 2006
Tempo vai contar a verdade
5 de Julho de 2006
Meus pêsames?
4 de Julho de 2006
Meus pêsames?
4 de Julho de 2006
The day after
3 de Julho de 2006
Convenhamos, venceu o melhor!
1 de Julho de 2006
Reposta brasileira
30 de Junho de 2006
Jogaço e zebra total
30 de Junho de 2006
Brasil continua favorito
28 de Junho de 2006
Outras colunas
Sérgio Rizzo
Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Opinião e Análise

Estréia é sempre complicada
13 de Junho de 2006, 01:59
(Berlim, BR Press) - Claro que o Brasil entra em campo como favorito na partida desta terça-feira (13/06). Meus leitores já devem estar cansados da velha frase, muito apropriada para este momento: o jogo só acaba quando termina. Por isso, devemos tomar cuidados. Também não podemos esquecer que toda estréia é complicada. Os artistas de uma peça de teatro sentem a primeira apresentação. Qualquer cantor fica ansioso quando lança um disco. Até um locutor mostra apreensão na primeira transmissão de um novo prefixo.

Os jogadores brasileiros são craques e reconhecidos como os melhores do mundo. Mas, antes de tudo, são seres humanos. Por isso, os fluídos emanados aí do Brasil devem também conter paciência.

A repercussão do caso Cafu, com o pedido de prisão do jogador pela justiça italiana por causa dos possíveis documentos falsos na solicitação do seu passaporte italiano, tem conseqüência inimaginável sobre o elenco.

Virilidade e violência

Outro aspecto é que o adversário da estréia, além de jogar um futebol respeitável, tem como característica a virilidade e violência. O croata, por formação e vocação, é um batalhador, lutador e incansável guerreiro. Mesmo reconhecendo, às vezes, alguma inferioridade, não se entrega em momento algum.

Conheço um croata que traduz essa característica cultural do seu povo. Quando joga basquete, mesmo na brincadeira, enfrenta os adversários com cotoveladas, empurrões e outras atitudes nem sempre aprováveis.

Pode ser também que o Brasil marque logo e a coisa fique mais fácil. Mas todos devem ter consciência de que não vamos enfrentar nenhum time “carne de pescoço”. Além de tudo o que já foi exposto anteriormente.

De outro lado ganhar na estréia é importantíssimo. Além da força moral não aconteceria nenhuma carga negativa que seria emitida de todos os lados. Por isso, o técnico Parreira está certíssimo em não querer jogo bonito neste momento. O importante é vencer!

QUENTINHAS

Bicho

Não tenham dúvida: Parreira, apesar do seu jeito cordato e tranqüilo, já mostrou que quando precisa vira um bicho. No bom sentido, é claro. Mas estão dizendo que ele não mexeria no ataque brasileiro para a entrada de Robinho.

Basta lembrar a Copa de 94. Raí era capitão do time e titular absoluto. Depois da fraca estréia contra a Suécia, foi substituído e Mazinho terminou a competição como titular.

Aliás, a primeira opção no banco de reservas aqui na Alemanha era Edmilson. Já falei sobre isso outro dia. Com o corte do jogador do Barcelona, Robinho e Juninho Pernambucano estão prevenidos que deverão participar de quase todos os jogos.

“Nananeném” 2

Se anotar um gol contra a Croácia, Adriano deverá mostrar uma comemoração diferente. E com certeza lembrará Bebeto, que na Copa de 94, após marcar contra Holanda fez o gesto “nananeném”, que depois ficou famoso e repetitivo.

Será uma homenagem a Adriano Junior, que nascerá em plena Copa da Alemanha.

Dá-lhe Robben

Quem gosta de futebol fica entusiasmado com apresentações de craques, que já estão brilhando na Alemanha. O habilidoso atacante Arjen Robben, que marcou o gol da vitória da Holanda sobre a Sérvia e Montenegro, é um deles.

Jogador do Chelsea, da Inglaterra, com humildade, ele acha que pretende melhorar sua técnica com a seqüência de jogos.

Quanta diferença

Quem acompanhou o início da carreira de Kaká nota a profunda diferença daquele garoto convocado em 2002 por Felipão e o titular absoluto da equipe de agora.

Personalidade e carisma, além de encantar as torcedoras, o ex-são-paulino pode explodir definitivamente aqui na Alemanha. E tomara que ele comece a partir desta terça (13/06) a acender esse pavio.

Quanta diferença 2

É impressionante a diferença do comportamento dos torcedores ingleses e holandeses. Ambos são fanáticos por futebol e bebem muito, antes, durante e após as partidas. São animados e divertidos.

Só que os discípulos da Rainha também são violentos e provocam cenas absurdas por onde passam. As diversas polícias européias estão sempre de olho neles.

Psicotrópico

Pelé contou uma história pouco conhecida sobre a seleção de 58. O professor Carvalhaes, psicólogo contratado pela CBF, alertou o técnico Vicente Feola e sugeriu não escalá-lo no Mundial porque era muito novinho, um menino ainda.

E que Garrincha também era muito novo para ser titular daquele time. Poderia não suportar a responsabilidade.

FRASES

“Eu tinha comentado que essa seria a Copa da saúde. Por isso, pouca gente entendeu porque estávamos priorizando a preparação física. Os primeiros jogos da competição provaram que tínhamos razão”. Carlos Alberto Parreira, confirmando o que já imaginava.

“Por que vocês insistem tanto nesse assunto?”. Moraci Santana, preparador físico, reclamando das perguntas dos repórteres sobre o peso de Ronaldo.

“Pegam no pé dele porque dá noticia! Neste momento, a seleção precisa de tranqüilidade”. Emerson, defendendo Ronaldo e fazendo um alerta para os críticos.

“Não estamos preocupados e eu, particularmente, não estou nem aí para as críticas. Vamos responder tudo isso em campo”. Juan, falando em nome da defesa sobre as dúvidas e preocupações de todos com o setor.

“O Lula é uma grande personalidade. Eu o admiro muito. Votei nele e votarei de novo”. Nélio Nazário, pai de Ronaldo, acabando de uma vez por todas com o mal entendido entre o atacante e o presidente.

“Estávamos muito nervosos na estréia”. Discurso uníssono de todos os treinadores que já jogaram nesta Copa.

TOQUE FINAL

Zico, né?

Estranhei a recente abordagem de um jornalista japonês no barco que trafegava pela maravilhosa baia que leva de Weggis a Lucerna. Enquanto eu admirava aquela estrondosa paisagem, Koji Otsuka, do Kyodo News, de Tóquio, queria saber a minha opinião sobre Zico.

Disse-lhe que foi um dos maiores jogadores que vi jogar. Mas ele não queria essa resposta, até porque concordou que Zico foi mesmo bambambã como jogador. O que o colega Otsuka pretendia saber era a minha opinião sobre o técnico Zico. E eu não pude dizer nada, até porque nunca acompanhei de perto Zico exercendo essas funções.

Mal com a mídia

Depois em Munique e agora em Berlim, outros jornalistas japoneses também falaram negativamente de Zico e ainda de forma pouco elogiosa sobre o trabalho dele. Mesmo conseguindo classificar sua seleção para este Mundial, Zico está relativamente bem com a torcida, mas não se entende com a imprensa.

Os companheiros japoneses afirmam que o Galinho, como jogador, era um e agora, como treinador ou diretor técnico, é outro.

A impressão que ficou é que se Zico fosse campeão mundial aqui na Alemanha, ainda assim continuaria em choque com muitos jornalistas japoneses. Tanto que, em pleno mundial, estão publicando que Aimé Jacquet, campeão do mundo em 98 dirigindo a seleção francesa, poderá dirigir o Japão após a Alemanha.

A situação de Zico ficou ainda mais delicada depois da derrota desta segunda-feira (12/06). Além de ter jogado muito mal, a vitória de virada da Austrália por 3 a1, acabará elevando a temperatura contra o brasileiro.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .

BAMBAMBÃ

Brasileiro do México se destaca na Copa

O brasileiro naturalizado mexicano Zinha entrou no segundo tempo do jogo entre México e Irã e mudou a história do confronto. Nascido em Itajá, no Rio Grande do Norte, fez um gol e deu o passe para outro, logo após entrar em campo, quando a partida estava empatada por 1 a 1.

Zinha tem 29 anos, 1,63m e atua no Toluca, do México. Mudou a história do jogo e pode ter mudado a história da seleção na Copa do Mundo. Os mexicanos não têm lá um grande time. Mas com confiança e Zinha em campo, poderão incomodar.

BUMBUMBUM

Uruguaios divididos na torcida

O Uruguai é a única seleção campeã mundial que não está na Copa do Mundo. E o clima na capital Montevidéu é de melancolia neste início de Mundial. Um jornalista uruguaio me revelou que os torcedores mais fanáticos não se conformam até hoje com a eliminação na repescagem para a Austrália.

Muitos uruguaios nem querem saber de Copa do Mundo e seguem suas rotinas de trabalho. Quanto a torcida, alguns preferem a Argentina, outros o Brasil. Mas o que eles queriam mesmo era ver a Celeste em campo, na Alemanha.

Deve ser duro um país que respira e ama o futebol não ter sua seleção na Copa. Aos uruguaios resta se preparar melhor para a África do Sul, em 2010.