Márcio Bernardes
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16 de Junho de 2006, 12:12
(Munique, BR Press) - Reconheço que foi criada uma grande expectativa para esta Copa da Alemanha. Diante de tantos comentários entusiasmados até eu entrei nessa corrente de que a competição seria realizada e fechada com chaves de ouro. É verdade que mal começou a segunda rodada. Temos muitos jogos pela frente e, normalmente, quando entrarmos na fase do mata-mata é que realmente a qualidade deve aumentar.

  As críticas vindas de todos os lados, dos torcedores e jornalistas especializados, têm procedência. Vamos excetuar as poucas goleadas de Alemanha e Espanha, ainda assim, reconhecendo que as fortes equipes continuam devendo.

  Já disse outras vezes que coloco seis seleções no primeiro plano entre as favoritas: Brasil, Alemanha, Argentina, Inglaterra, Holanda e França. Dessas, somente os comandados de Raymond Domenech decepcionaram. Zinedine Zidane mostrou talento individual, que foi insuficiente para ajudar sua equipe a vencer os suíços. Por isso, o empate de zero a zero decepcionou.

  Num segundo degrau, indico as seleções da República Tcheca, Itália e Espanha, que, por sinal, estreou de forma soberba goleando a Ucrânia por 4 a zero. Não podemos esquecer de Portugal. Felipão, com aquele jeito de bobinho, se finge de morto. Deixa pra lá.

  Todos reclamam da falta de espetáculos e que, até agora, o Mundial está morno. Também esta crítica é compreensível porque um torneio com 32 seleções, inchado desta forma, não pode oferecer a melhor qualidade que se exige.

  Por isso é que afirmamos que na próxima fase os jogos serão mais empolgantes e emocionantes.

QUENTINHAS

Transmissões dos jogos

Não sei como está a transmissão da Globo com suas câmeras exclusivas. Mas aqui na Alemanha, há muita reclamação da geração da TV local. O que está comprovado é que a tecnologia é de primeiro mundo. Mas um jogo de futebol, com dezenas de câmeras, precisa também ter talento e sensibilidade do diretor de TV.

Os protestos são tantos que mudanças vêm por aí.

Alemanha e Brasil

  Um instituto de pesquisa alemão constatou que o maior interesse da população alemã está concentrado nos jogos da seleção local. Nada de anormal.

Em segundo lugar, bem a frente de todas as outras equipes, está a seleção brasileira. Foi instalado um telão no estádio olímpico de Munique e mais de 30 mil pessoas compareceram na terça-feira (13/06) para acompanhar Brasil e Croácia.

E vai rolar a festa 2

  Ivete Sangalo é mais uma atração brasileira aqui na Alemanha. Sábado e domingo (17 e 18/06), ela vai cantar no Circus Krone de Munique.

Os ingressos de sábado estão esgotados. E os de domingo fatalmente também serão todos vendidos. A baiana tem muita fama aqui na Europa e seu estilo de música, alegre e agitada, é muito apreciado.

Tunísia

  Roger Lemerre, técnico da Tunísia, renovou seu contrato até 2008. Ele foi técnico da França na última Copa realizada no Japão e na Coréia. Foi também auxiliar de Aimé Jacquet na equipe que venceu o Mundial de 98. 

Seu prestigio não foi abalado com o empate diante da Arábia Saudita, por 2 a 2, e o presidente da Federação tunisiana, Hamouda Bem Ammar, só tem elogios para ele.

30 graus

  Os alemães estão empolgados com o calor que já passa dos 30 graus. Anette Scheickl de Freitas Braga, casada com o brasileiro André de Freitas Braga, disse que, nos últimos anos, o verão por aqui foi curtíssimo. No máximo, duas semanas de sol.

Depois foi só chuva e vento. Por todos os lugares só se usa roupas leves e sandálias.

Com que roupa?

  Aliás, fui conhecer o Englischer Garten, ou Parque Inglês. É o maior de Munique e lembra muito o Ibirapuera em São Paulo. Qualquer dia da semana ele está sempre lotado. O pessoal pratica esportes, pedala e toma sol.

A curiosidade é que muitos se bronzeiam sem roupa. Nenhuma roupa! Todo mundo pelado. Na maior naturalidade.

Juiz ladrão?

  As críticas sobre a arbitragem até que estão abaixo da previsão. Poucos árbitros comprometeram. Um deles foi o brasileiro Carlos Eugenio Simon, que não teria marcado dois pênaltis para Gana.

Os próprios italianos admitem que pelo menos um pênalti foi claro. Mau sinal para a arbitragem brasileira, que dirigiu as finais das Copas de 82 e 86.

Coreanos a toda

  Na vitória da Coréia sobre o Togo por 2 a 1, em Frankfurt, ficou provado que os coreanos estão mesmo apaixonados pelo futebol. Mais de 30 mil expectadores vieram da Coréia do Sul e, pela animação demonstrada, fica patente que eles tornaram o futebol a principal paixão esportiva do país.

Fica claro que o quarto lugar na última Copa não foi por acaso.

Prost!

  Conheci o Castelo de Andechs, localizado a 30 quilômetros de Munique. Ele foi construído no século XV. A partir de 1455, lá dentro foi criada uma cerveja que acabou ficando famosa na Europa.

No inverno os monges a transformavam em sopa quente e na quaresma, por causa do jejum, a consumiam para não morrer de fome. Mas ficavam muito alegres.

FRASES

  “O primeiro passo foi dado”. Cafu, capitão brasileiro, feliz com a primeira vitória na Copa.

  “Não sei se o Parreira se parece mais com o Ronald Golias ou com uma coruja”. Comentário irônico após um close da câmera alemã, durante o jogo contra a Croácia.

“O número 13 continua me acompanhando e dando muita sorte na minha vida”. Zagallo, aludindo a sua superstição uma das razões da vitória brasileira sobre a Croácia.

“Vai ter carnaval com muita animação e alegria no domingo pelas ruas de Munique”. Torcedores brasileiros chegando à capital da Bavária, com otimismo e confiança em uma vitória sobre a Austrália.

“Estou à disposição do professor. E não tenho mais nada o que falar”. Robinho, sorridente e irônico, deixando clara a sua posição, mas não querendo criar problemas com o grupo.

  “Esses brasileiros! Jogaram muito mal. Estou decepcionado com vocês”. Torcedor alemão, bravo com a qualidade do nosso futebol contra a Croácia.

TOQUE FINAL

Entre o céu e o inferno

  A posição do treinador é igual em todo lugar. A diferença do céu para o inferno é muito pequena. Com vitórias ou derrotas, a temperatura sobe ou desce.

  Jürgen Klinsmann há algum tempo vem sendo criticado por vários setores esportivos da Alemanha. Até o inatacável Franz Beckenbauer, também presidente do comitê organizador deste Mundial, declarou suas posições contrárias a Klinsmann. Em alguns fatores, as duas ilustres figuras do futebol alemão não concordam.

Jogo virado

A saída do ídolo Oliver Kahn do gol titular da equipe seria mais ou menos como se Ronaldinho Gaúcho fosse preterido por Parreira. As duas vitórias contra Costa Rica e Polônia mudaram os humores alemães e Klinsmann já está chegando perto da unanimidade.

Se a equipe continuar evoluindo, pode se consagrar. E se ganhar a competição todos esquecerão o passado recente nebuloso.

  Parreira e Pekerman recebem dos jornalistas de seus países a mesma crítica. Enquanto na argentina os atacantes titulares são Crespo e Saviola. Todos querem que sejam escalados Messi, que por sinal está contundido, e Tevez.

  No Brasil há duas discussões sobre o time: Robinho poderia ser titular e há queixas pela falta de um outro meia ou mais um volante-meia.

  Quem estava na corda bamba era o técnico Marcelo Lippi. Como a Itália estreou vencendo, os comentários negativos estão rareando. Enquanto isso, Luis Aragonés, vivia sob uma grande interrogação. Seu trabalho a frente da Fúria merecia dúvidas, que se dissiparam totalmente depois da goleada sobre a Ucrânia.

  O saudoso técnico Oto Glória sacramentou uma frase sobre sua atividade que é especial: técnico quando perde o jogo é uma besta. E quando ganha é bestial. 

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .