Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Das seleções favoritas para ganhar a Copa, algumas, como a brasileira, foram tímidas na primeira rodada e depois deslancharam no segundo jogo. Sabemos que falta agora Parreira e seus jogadores cumprirem este papel.
As dúvidas que páiram sobre o time ganharam ressonância porque na vitória sobre a Croácia não se viu o belo futebol que todos esperavam. E as críticas aumentaram porque o mundo também ansiava beleza no futebol do Brasil. Como não foi apresentado contra a Croácia aquele espetáculo que era aguardado, a melhor solução para nossa seleção é vencer e convencer neste domingo.
Se o Brasil fizer isto vão acabar os comentários sobre o quadrado que antes era mágico e agora também é criticado. Ronaldo pode, de novo, jogar abaixo da expectativa que será poupado pelos críticos. Mas tem de ganhar!
Zica não
A tranqüilidade da classificação chegará e todos ficarão com mais confiança. E finalmente o Brasil poderá deslanchar de uma vez por todas. Não vamos nem aventar possibilidades negativas para não atrair maus fluídos, nem sermos taxados de ovelhas negras.
Parreira precisa repetir aos seus jogadores que as jogadas aéreas são a única alternativa australiana para nos surpreender. No mais, o futebol deles se parece muito com o dos ingleses. Marcam duro, são pesados e não tem jogo de cintura.
Paciência, cautela e toque de bola, em princípio, são as primeiras medidas que devem ser aplicadas. Se o gol surgir logo, a missão da equipe será mais facilitada. Se demorar para sair, taticamente os jogadores devem explorar suas qualidades técnicas e tentar jogadas individuais ou toques de bola com velocidade.
Perder a prudência e experimentar jogadas aéreas na área deles não é recomendado.
Fundamental
Esse jogo será fundamental para as pretensões brasileiras. Nem tanto pela vitória, que nos dará a automática classificação para a outra fase. Mas pela tranqüilidade e confiança que cercará o elenco, o grupo e toda nação.
QUENTINHAS
Holligans em cana
Além dos terroristas, eterna ameaça nos grandes eventos, a polícia alemã, que conta com a ajuda de colegas de outros países europeus, elegeu os torcedores ingleses como a maior preocupação.
A bebedeira, desordens e outras atitudes pouco recomendáveis, como as de Frankfurt e Nuremberg, após a vitória sobre o Paraguai e Trinidad e Tobago, estão levando muitos holligans para a cadeia.
Pelé 2
Ronaldinho Gaúcho tem um futebol à altura de Pelé. Este é o consenso dos jornalistas de várias nacionalidades reunidos no restaurante do Centro de Imprensa de Munique.
O problema é que ele não brilhou contra a Croácia e precisa corresponder à boa expectativa que se tem dele. A maior chance será neste domingo contra a Austrália.
Fala, Blatter
Joseph Blatter conversou informalmente conosco, um grupo de jornalistas e falou de tudo. Reconhece que a Copa começou sem empolgação, mas já está engrenando.
Sempre simpático e sorridente, declarou que o futebol tem três pragas: racismo, clubes ricos e corrupção. Disse ainda que está preocupado com o escândalo que está sendo apurado no futebol italiano.
Faíscas na Alemanha
Troca de farpas entre Jean Lehmann e Oliver Kahn. O titular do gol alemão afirmou que nos últimos tempos diminuiu o lobby que fizeram contra ele. "Pela primeira vez tive uma chance justa e agora todos reconhecem a minha capacidade", alfinetou o até então inatacável Oliver Kahn e garantiu que será campeão mundial dentro do seu país.
Castelo dos sonhos
Muita gente deve vir para a Alemanha na segunda fase da Copa do Mundo. E não pode deixar de conhecer o Schloss Neuschwanstein, um dos seis castelos construídos pelo Rei Ludwig que governou a Bavária até o final do século XIX.
Fica a 100 quilômetros de Munique e, além de belíssimo, tem uma das vistas mais deslumbrantes já vistas pelo ser humano.
Prêmios pela vitória
Comentário que surgiu junto à delegação brasileira e que logo foi abortado pelo momento não ser adequado a este tipo de discussão: os prêmios mexicanos, caso a equipe vença o Mundial, serão superiores aos do Brasil.
A Federação Mexicana pagará U$ 250 mil para cada jogador, quantia superior aos U$ 200 mil da CBF.
Leopoldstrasse
Estive uma vez mais na Leopoldstrasse, a Avenida Paulista de Munique. As grandes comemorações são feitas nesse local, bastante central e popular. Fica perto da Marienplatz, a praça da antiga Prefeitura e que atrai milhares de turistas diariamente.
Os brasileiros estão prometendo um grande carnaval naquela região para comemoração da vitória sobre a Austrália. E se perder o jogo?
Bebê na Copa
Adriano Junior está inspirando o pai a melhorar o seu futebol e transmitir a mesma alegria que ele está sentindo para os torcedores brasileiros. Junior nasceu nesta quinta-feira (15/06), no Rio de Janeiro, e provocou uma festa na concentração do Brasil.
A mãe, Danielle, já conversou algumas vezes com Adriano e disse que espera dele pelo menos um gol no jogo deste domingo. E aí, teremos coreografia na comemoração.
FRASES
“Garanto que Ronaldo será um jogador diferente contra a Austrália”. Cafu, dando força e apoio o companheiro, que por sinal, está precisando mesmo.
“O Ronaldo está muito motivado. Tenho certeza de que ele terá rendimento superior ao que se viu em Berlim”. Carlos Alberto Parreira, confiante, pero no mucho.
“Conseguimos a vaga e não nos menosprezem; queremos o primeiro lugar do grupo”. Agustín Delgado, jogador do Equador, falando aos jornalistas alemães.
“Temos de ficar de olho em todos os jogadores. Eles têm um time muito habilidoso”. Lucas Neill, zagueiro australiano, dizendo o óbvio.
“Contra a Croácia faremos o jogo das nossas vidas”. Craig Moore, zagueiro australiano, esquecendo o adversário deste domingo e concentrado no próximo.
“Estamos conscientes e alertados para o estilo de jogo dos australianos”. Juan, sempre sereno e tranqüilo, consciente da maior força adversária neste domingo.
TOQUE FINAL
Goleadas desejadas
Claro que todos esperam grandes jogos neste Mundial. Os torcedores e críticos pretendem sempre acompanhar goleadas que, por sinal, estão raras aqui na Alemanha. Não foi tão empolgante assim o amplo placar de Alemanha e Costa Rica na primeira rodada. Ao contrário da elástica vitória argentina sobre a Sérvia e Montenegro.
A Espanha, naquele jogo contra a Ucrânia, deu a impressão de que poderia ser campeã do mundo. Tanto que o técnico Luiz Aragonês, ufanista, declarou que sua equipe era uma mistura de garra, técnica e bom preparo físico.
Decepcionante
Quase nada foi comentado sobre o empate entre França e Suíça, resultado decepcionante para uma equipe que também é favorita para vencer a competição.
Para os críticos e torcedores, muito mais decepcionante foi a má apresentação brasileira diante da Croácia. Claro que neste domingo, Parreira e seus pupilos terão a chance de reverter essa impressão.
Esperávamos um pouco mais do Paraguai e da Sérvia e Montenegro. Pela campanha nas eliminatórias, a Sérvia poderia chegar mais longe. Stankovic, da Inter de Milão, Milosevic, do Osasuña,da Espanha e seus companheiros foram muito mal.
A Polônia, que teve um timaço na década de 70 e que sempre contou com bons jogadores, sofreu duas derrotas acachapantes para Equador e Alemanha.
Pente mais fino
As equipes africanas confirmaram até agora o que se esperava delas: absolutamente nada. Por isto e por outras, repetimos o que já dissemos em outras oportunidades: a Copa do Mundo poderia ser repensada e classificar menos times para a fase final.
O ideal seria no máximo 24 equipes que provocariam, com certeza, uma competição mais empolgante, enxuta e qualificada.
Reconhecemos que os compromissos políticos, econômicos e mercadológicos da Fifa exigem esse número elevado de competidores. Mas as grandes seleções poderiam exercer uma pressão sobre a entidade para baixar o total de equipes, o que sem dúvida, beneficiaria a todos.
BAMBAMBÃ
Holanda retrô
A Copa do Mundo da Alemanha até agora não apresentou inovações táticas. O 4-4-2 é o esquema mais utilizado, seguido pelo 3-5-2. No entanto, uma seleção vem jogando de maneira diferente, só que à moda antiga. A Holanda utiliza um 4-3-3 autêntico, com destaque para o ponteiro esquerdo Robben.
O time de Marco Van Basten joga de maneira objetiva, com Van Persie e Robben compondo o meio campo rapidamente, quando estão sem a bola.
Um pouco de coragem e criatividade não faria mal aos treinadores que dirigem as seleções na Copa do Mundo. Mesmo que eles tenham de voltar um pouco ao passado, para tentar modificar o desenho tático as equipes em campo.
BUMBUMBUM
Africanos mal das pernas
Foi-se o tempo em que as seleções da África enchiam os olhos dos torcedores. Desde a equipe de Camarões, que encantou o mundo em 1990, na Itália, e a Nigéria, que deu muito trabalho, em 1994, nos EUA, nenhuma equipe do continente se destacou em Mundiais.
Tudo bem, que a Nigéria ganhou a Olimpíada de 1996 e Camarões ficou com o ouro, em 2000. Mas Copa do Mundo é Copa do Mundo, e o futebol alegre exibido pelos africanos no começo dos anos 90 ficou para trás.
Agora o que vemos são seleções jogando à européia, sem criatividade, com muita força e marcação. Foi-se o tempo em que a inocência do jogo africano se misturava ao bom futebol dentro de campo.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .