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19 de Junho de 2006, 09:00
(Munique, BR Press) - Mais uma vez a seleção brasileira não mostrou a qualidade do futebol pentacampeão do mundo. O Brasil venceu a fraca seleção australiana por 2 a 0, mas a vitória não foi convincente.

O time brasileiro entrou em campo desorientado. No primeiro tempo, o meio-campo não conseguiu desenvolver jogadas de criação e, consequentemente, a bola não chegou ao ataque.

Pisando na bola

Ronaldinho Gaúcho mais uma vez não brilhou. Na etapa inicial, o melhor jogador do mundo fez uma jogada de perna de pau ao pisar na bola. Kaká, que teve uma ótima atuação na última partida contra a Croácia, também não apresentou um bom futebol, pois foi muito bem marcado pelos australianos.

Regular

No início do segundo tempo, Ronaldo tocou para Adriano, que chutou rasteiro no canto esquerdo do goleiro Schwarzer e abriu o marcador para o Brasil. Ronaldo teve uma participação regular.

Salvador

Na etapa final, o técnico Carlos Alberto Parreira substituiu tardiamente o Fenômeno por Robinho que, na minha opinião, deveria ser titular absoluto. O garoto de 22 anos mostrou personalidade e incendiou a partida. Em menos de dez minutos, o jogador chutou três bolas no gol.

Outro aspecto relevante foi o posicionamento falho dos volantes brasileiros, que provocou sustos na torcida. Por isto, Parreira trocou Emerson por Gilberto Silva.

Aos 11 minutos, Dida saiu mal do gol e quase cedeu o empate ao time adversário. Depois de Robinho chutar na trave, Fred, que tinha acabado de entrar, ficou livre na área e marcou o segundo gol do Brasil na partida.

Vale ressaltar que a seleção precisa melhorar, pois venceu uma equipe tecnicamente muito inferior. Com o resultado, a seleção brasileira está com seis pontos.

Um empate na quinta-feira (22/06) contra o Japão, que tem um ponto, em Dortmund, garante o primeiro lugar. O Brasil precisa melhorar para conquistar a competição, pois qualidade tem de sobra.

QUENTINHAS

É fascinação

  Rodrigo Paiva afirmou que recebeu 371 pedidos de entrevistas exclusivas apenas da imprensa internacional. Claro que a maioria não pôde ser atendida.

Mas reuniões com tempo limitado foram realizadas com os jornalistas que continuam sentindo sobre a seleção brasileira além do profissionalismo, um fascínio impressionante.

Bingo

  Deu resultado e relaxou o grupo brasileiro de forma elogiável o bingo organizado pelo administrador Américo Faria. Os prêmios, mesmo interessantes e úteis, representam pouco diante da descontração, brincadeiras e ambiente positivo que todos comprovaram.

O zagueiro Lucio, que tem muita sorte com os números, disse que está com sorte, mas a sorte só encontra quem tem competência.

Rumo a Dortmund

  Já está definido que a seleção ficará em Dortmund, caso seja a primeira colocada no grupo. O jogo da outra fase está marcado para o dia 28 e será naquela bela cidade do oeste alemão.

Muitos torcedores brasileiros estão sediados em Colônia que fica relativamente perto de Dortmund. E o deslocamento não será tão cansativo assim.

Trem bom   Entre os 15 mil jornalistas e técnicos credenciados, seis mil ganharam um passe da U-Bahn, a maior empresa férrea da Alemanha. E podem viajar na primeira classe sem pagar absolutamente nada.

Os trens são muito confortáveis e só recebem elogios de todos os companheiros. Vários deles estão percorrendo nos trilhos as distâncias entre as cidades alemãs.

Autobahn

  Falando em viagens, também são muito elogiadas as autopistas da Alemanha, as chamadas autobahns. Duas vantagens significativas são oferecidas aos motoristas: não há pedágios e também não há limite de velocidade.

Mas muitas estradas estão em obras e atrasam consideravelmente as viagens, devido à exigência de redução da velocidade. E foi por causa disso que Maradona foi multado.

Vista verde

  O Hilton Müchen Park, local da concentração brasileira em Munique, foi também à sede da Mídia Broadcasting Meeting, que participamos em dezembro, após o sorteio realizado em Leipzig.

O hotel está ao lado de um parque maravilhoso, tão belo como os mais atraentes parques brasileiros e que tem uma vista linda. E de novo, não houve exclusividade para a delegação.

Grupo da morte

  Ninguém discute mais que o tal grupo C, chamado de grupo da morte, teve uma classificação tranqüila e sem problemas. Argentina e Holanda com duas vitórias cada sobre Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro farão um confronto nesta quarta-feira (21/06), que significará a primeira colocação da chave.

E, tranqüilos, poderão exibir um belo futebol.

Oportunista

Não gostei da declaração do ex-goleiro paraguaio Chilavert, que fez críticas veementes contra a seleção do seu país. Atualmente comentarista da televisão local, almoçamos juntos no centro de imprensa e ele não poupou farpas para toda equipe.

Do treinador ao ponta esquerda, passando por Gamarra e o presidente da federação. Oportunista, chutou cachorro morto. FRASES

  "Até agora não perdi nesse estádio. Estou invicto no Allianz". Zé Roberto, que até então defendendo o Bayern de Munique, jogou várias vezes na arena bávara.

  "Não fico lendo muitos sites para saber o que estão comentando ao meu respeito". Ronaldinho Gaúcho que, no entanto, tem um blog.

  "Esse empate foi bom porque baixou a bola de todos nós. Estávamos muito inchados". Ricardo Lavolpe, técnico mexicano, depois do inesperado empate com Angola.

  "A torcida de Copa do Mundo é diferente de quem freqüenta o futebol normalmente". Roberto Carlos, realista com essa indiscutível situação.

  "Até onde vocês vão, brasileiros?" Pergunta de um torcedor alemão, que tem múltiplas interpretações.

  "Os americanos são muito violentos. Apelaram feio contra nosso time". Marcelo Lippi, técnico italiano, reclamando dos adversários do último jogo.

TOQUE FINAL

Camisa amarela globalizada

  O torcedor brasileiro não imagina a fascinação que a camisa amarela provoca em todos os povos. Quem anda pela Alemanha, em todos os locais, pode imaginar que para cá vieram apenas turistas brasileiros.

  Somente mais atento, observando como são os turistas, conclui-se que, na verdade, são visitantes de todos os continentes, principalmente asiáticos. Os europeus também não podem ser excluídos. Eles assumem o grande amor pelo nosso futebol.

  Uma ressalva deve ser feita nesses últimos dias em Munique, porque muitas camisas amarelas são dos australianos, que adotam a mesma cor do Brasil.

  Está claro que essa atitude significa o carinho dessa gente para a camisa pentacampeã mundial. E não é só camisa da seleção. Tudo o que mostrar o escudo da CBF terá venda garantida e preferência internacional.

Pirataria

  Os patrocinadores da CBF estão preocupados com a pirataria. Aqui também existe isso. Claro que em dimensões imensamente inferiores as do Brasil.

Mas o está evidente o prejuízo da Nike com as peças do uniforme-fantasma da seleção, que são vendidas a preços abaixo dos oficiais.

  Nossos cartolas e autoridades deveriam pensar um pouco mais sobre esse aspecto que também reflete a imagem do país. Os europeus recebem as piores noticias do nosso país. Assaltos, assassinatos, PCC, prostituição infantil, desmatamento da Amazônia, são assuntos brasileiros normalmente mostrados pelas principais emissoras do continente.

  Se temos um produto que passa a melhor imagem do Brasil, devemos valorizá-lo cada vez mais. (*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .