Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Comecemos pelo gol: Dida nunca passou total confiança. Suas últimas apresentações pelo Milan deixaram o torcedor brasileiro ressabiado. Contra a Austrália ele cometeu uma falha gritante aos 11 minutos do segundo tempo. Saiu do gol para catar borboleta. E nossa sorte foi que o atacante adversário não tem pontaria. Temos de ser justos e reconhecer que, aos 34’, ele fez uma bela defesa. Todos estão lembrados do chute cruzado e perigoso de Bresciano.
Os laterais não comprometeram, mas também não brilharam. Na defesa, Juan continua com sua conhecida sobriedade e Lucio joga como se fosse um macaco e alguém lhe tenha dado um revólver.
No meio-marcador, Emerson foi o de sempre: destrói e não sabe passar. Sua substituição por Gilberto Silva deu mais qualidade ao toque de bola.
Melhor do jogo?
Zé Roberto teve uma falha gritante aos 18’do segundo tempo, mas corrigiu-se a tempo. Não concordei com a Fifa que o escolheu o melhor do jogo. Esse título estaria melhor nas mãos de Robinho.
Os meias-atacantes foram regulares e brilharam pouco. Kaká não repetiu a bela atuação contra a Croácia e Ronaldinho Gaúcho continua devendo.
Ronaldo
O problema está mesmo no ataque. Ronaldo, de novo, não conseguiu mostrar o futebol que todos conhecem. É verdade que ele deu o passe para Adriano marcar o primeiro gol. É verdade também que aos 27’ do primeiro tempo fez uma bela jogada interceptada pelo zagueiro que desviou a bola para escanteio.
No entanto, a furada de Ronaldo foi a comprovação de que, se estivesse no melhor de sua forma física e atlética, não daria tamanho vexame.
Pior que tudo isso é que Adriano não pode se deslocar para as pontas, fica preso no meio e não faz o melhor do seu jogo que é a explosão.
Parreira está com a faca e o queijo na mão. Pode começar a degustação contra o Japão, jogo descompromissado e que poderia servir de experiências para a próxima fase.
QUENTINHAS
Sérvia e Montenegro
Ilija Petkovic vai embora da Alemanha desempregado. Ele já garantiu que não continuará na seleção da Sérvia e Montenegro.
Depois da péssima campanha nesta Copa, o treinador está sendo alvo de críticas de todos os lados. Jornalistas, cartolas e torcedores entendem que muita coisa foi feita equivocadamente.
A começar pela convocação do próprio filho de Petkovic.
Togo
Otto Pfister também vai deixar a seleção do Togo. Mundial consagra ou enterra, claro que no sentido figurado.
O alemão mostra-se decepcionado porque esperava muito mais dos seus jogadores. Acusou a Federação Togolesa de Futebol de não ter-lhe oferecido uma estrutura mais condizente para uma equipe que participa da fase final da Copa.
´Patrício´ Deco
Deco está sendo de uma humildade contagiante. Ele não deixa de falar de suas origens no ABC paulista, de sua passagem-relâmpago pelo Corinthians e enche a bola de Felipão.
O luso-brasileiro que estreou no Mundial marcando gol contra o Irã é gente mito fina e merece o sucesso que está alcançando. É um dos ídolos da seleção portuguesa.
Empresta a caneta?
Esclarecendo: Maradona vacilou e por isso foi multado pela polícia alemã. O que todo mundo deve saber é que as estradas do país não têm limite de velocidade.
Mas dirigindo perto de Gelsenkirchen, num trecho em obras e cuja velocidade máxima era 80 km/hora, o astro argentino dirigia a 120 km/hora.
Ganhou a multa e ainda teve que dar autógrafo para os policiais.
Cambista ´oficial´ da Fifa
Coincidência do destino: conheci aquele desonesto funcionário da Fifa que estava vendendo ingressos no câmbio negro e pelo triplo do preço.
Foi em Leipizig, em dezembro, quando aconteceu o sorteio da Copa. Ele já saiu da Alemanha e todos ficaram indignados com sua atitude. Joseph Blatter, por exemplo, se disse envergonhado.
Fumacê
Outro mau exemplo e que merece as maiores críticas: o goleiro Fabian Barthez, flagrado fumando em público, mostra que certos ídolos não têm noção da importância que representam para a comunidade.
Um atleta fumante não é legal. Ele se junta a Ricardo Lavolpe, técnico mexicano, que no jogo contra o Irã fumou no banco de reservas.
Só na exclusiva
Quem está mal com os repórteres que cobrem a seleção brasileira é Robinho. O astro do Real Madri, sempre que pode, não concede entrevistas para nenhum jornalista, com exceção de algum integrante das equipes da Globo ou Sportv.
Ele sabe o que vão perguntar e parece que está fugindo da resposta. Mas para a Toda-Poderosa ele não diz não.
FRASES
“Temos de ter humildade. Ainda não ganhamos nada e temos muito chão pela frente”. O garoto Messi, estrela argentina eleito o melhor jogador até agora do mudial pela Fifa, falando com maturidade sobre uma realidade.
“Se a Federação Portuguesa não renovar com Scolari vai dar 20 passos atrás”. Luiz Figo, antes desafeto e hoje grande amigo do técnico da sua seleção.
“O árbitro alemão preocupava pelo seu estilo. Felizmente ele não comprometeu”. Carlos Alberto Parreira, sem ninguém perguntar pelo juiz de Brasil e Austrália.
“Não sei por que criticam tanto a seleção brasileira. Estamos em primeiro lugar e ainda não tomamos nenhum gol”. Marco Pólo del Nero, chefe da delegação do Brasil.
“Não tem cabimento esse lobby carioca para colocar Zico como treinador da seleção brasileira”. José Calil, comentarista da Rede Transamérica de Rádio.
"Vamos melhorar ainda mais contra o Japão. Meu amigo Zico que se cuide”. Zagallo, como sempre, o presidente internacional do otimismo.
TOQUE FINAL
Argentina x Brasi
É inevitável a comparação que está sendo feita entre as seleções do Brasil e da Argentina. Duas das grandes candidatas ao título do Mundial tiveram produções diferentes.
Os dois times estão com duas vitórias, seis pontos e classificados antecipadamente. Mas a goleada sobre a Sérvia e Montenegro encheu de confiança os jogadores, comissão técnica e torcedores argentinos.
Inferioridade
Em contrapartida, criou-se uma expectativa tal sobre a equipe de Parreira que, mesmo com duas vitórias, está em condição de inferioridade aos adversários do continente.
Está muito viva na lembrança de todos a final da Copa das Confederações, ano passado, aqui mesmo na Alemanha. Os times eram praticamente os mesmos, os treinadores os mesmos e agora a Argentina está um degrau acima do Brasil.
O observador mais atento também pode dizer que é cedo para uma análise mais profunda. É possível até concordar com esta tese. Mas uma coisa ninguém discute: a Argentina está um degrau acima do Brasil.
BAMBAMBAM
Fred, do banco para a glória
O atacante Fred é o jogador brasileiro que em menos tempo ficou em campo em uma Copa do Mundo e fez um gol. Ele atuou exatos seis minutos contra a Austrália.
Jogador rápido e de ótima finalização, mostrou que é uma sensata opção para Carlos Alberto Parreira, ainda mais com Ronaldo em baixa. Parecia uma criança ao comemorar. Parecia não acreditar no que estava acontecendo.
Fred é o futuro da seleção atuando em um presente em que nosso futebol está meio nebuloso.
BUMBUMBUM
Zico reclama dos horários dos jogos
A seleção do Japão está em uma situação complicada no Grupo F da Copa do Mundo. Precisa vencer o Brasil e ainda torcer para a Austrália não derrotar a Croácia.
O técnico Zico já elegeu o culpado pela má campanha japonesa no Mundial: o horário dos jogos. Até agora, a seleção da Terra do Sol Nascente atuou às 15h (horário da Alemanha) e, segundo o Galinho, o calor prejudicou o desempenho de seus comandados.
Ora bolas, a tabela da Copa está pronta há tempos. Então, porque Zico não habituou seu time a atuar neste horário? E as gritantes falhas nas finalizações? Os jogadores japoneses perderam gols contra Austrália e Croácia por causa das altas temperaturas?
Arranjar desculpas para se esquivar dos problemas é muito feio. Não esperava isso do Galinho de Quintino, um dos cotados para assumir o Brasil após a Copa do Mundo.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .