Márcio Bernardes
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Que time joga contra o Japão?
20 de Junho de 2006, 11:44
(Dortmund, BR Press) - Criou-se uma expectativa de mudanças no time brasileiro para este jogo contra o Japão. O próprio Parreira, depois da vitória sobre a Austrália e com a automática classificação antecipada, disse que poderia poupar alguns jogadores. Especialmente quem tivesse cartão amarelo ou quisesse descansar.

   Como o Brasil ainda não apresentou a beleza do futebol que todos esperam, especulações surgiram de todos os lados. Na segunda (19/06) foi folga e nós esperávamos que depois dos treinos desta terça (20/06) uma pista fosse lançada.

   Parreira confundiu ainda mais os jornalistas e o que se sabe é que apenas antes do jogo desta quinta-feira (22/06) é que oficialmente o time será divulgado.

   Soube-se também que alguns jogadores, temendo concorrência e não querendo dar espaços para os reservas, disseram para o técnico que estão à disposição.

   Esperava-se a entrada de Juninho Pernambucano no lugar de Emerson, que, por sinal, tem cartão e de Robinho no ataque. Não faz tanta diferença quem da frente deveria sair.

Banco

   Conservador como sempre, Parreira sabe que poderia armar uma arapuca para si próprio. Vai que os reservas joguem bem contra o Japão? E depois, no outro jogo, quem seria escalado? Quem iria para o banco de reservas?

   Diante da situação atual e pelo que se sabe nos bastidores, dificilmente acontecerá alguma mudança. Nem tanto pela vontade do técnico, mas pelo ambiente e expectativa que foram criados. 

  QUENTINHAS

Gente humilde

   Interessante é a constatação de tanta gente humilde que veio a Alemanha nas promoções realizadas por diversas empresas. Estes torcedores jamais teriam condições financeiras de assistir a uma Copa do Mundo por conta própria.

E cada um aproveita a sua maneira. Além do saldo positivo no marketing de produtos, pratica-se um ato democrático e solidário.

Aquele abraço

   O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, tomou uma atitude pouco usual para derrotados. Mandou uma mensagem de agradecimento e solidariedade à comissão técnica e jogadores.

Os elefantes perderam para Argentina e Holanda e reconheceram que não poderiam mesmo ter elevadas pretensões aqui na Alemanha.

Árbitro frintando

   Carlos Eugênio Simon confessou a um amigo gaúcho que está aqui na Alemanha que, diante das críticas que recebeu por sua atuação naquele jogo entre Itália e Gana, temeu que não fosse mais escalado para dirigir nenhum outro jogo da competição.

Ficou aliviado quando viu na escala que dirigiria Espanha e Tunísia, aliás, com elogiável trabalho.

GPS ao volante

   Os usuários que estão alugando carros aqui na Alemanha ficam fascinados com a adiantada tecnologia dos aparelhos GPS instalados em diversos veículos.

Vários deles cobrem a Europa e levam com segurança a todos os lugares indicados. E ainda indicam restaurantes, hotéis, museus, pontos turísticos e outras informações importantes.

  Apagando o fogo

   Ricardo Lavolpe pisou na bola de novo. Se não bastasse sua atitude pouco saudável de fumar no banco mexicano, fato imediatamente vetado pela Fifa, agora agride repórteres atirando água neles antes de um treino da seleção mexicana.

Não precisa chegar a esse ponto e isso comprova a sua educação pouco elogiável.

Partido verde

   O Green Gol é outra campanha da Fifa que busca elogios. Estão tentando reduções importantes nos jogos da Copa. 20% no consumo de água nos estádios e no uso de energia, além de estimular o consumo de energia renovável.

Também o aumento em 30% na reciclagem do lixo coletado. Cada vez mais, Joseph Blatter busca o politicamente correto.

Nostradamus

   A profecia de Nostradamus divulgada pelo jornal espanhol 20 Minutos está dando certo. Segundo o médico que praticava astrologia e alquimia no século 16, quando acabar o sexto mês de 2006, o rei da Espanha atravessará os Pirineus com seu exército, tendo a Europa Central como objetivo.

A destruição e a derrota atingirão os cruéis. A seleção espanhola está chegando lá.

Fernando Torres

    Por falar na Fúria, é muito bom esse jovem Fernando Torres, jovem atacante da Espanha. Com 22 anos, revelado pelo Atlético de Madri, ele é o artilheiro do Mundial com 3 gols em 2 jogos.

Tem excelente domínio de bola, boa visão do gol adversário e precisa apenas aprimorar a finalização. Deverá ser uma das estrelas da Copa.

FRASES

   “Tiro até o calção para comemorar”. Ricardo, goleiro de Portugal, eufórico com a classificação para as oitavas de final.

   “Claro que ficamos incomodados com as críticas”. Roberto Carlos, mais sincero impossível.

   “Precisamos nos movimentar mais e abrir espaços para o pessoal que vem de trás” Ronaldo, fazendo sugestões táticas e mostrando solidariedade.

   “Vamos encontrar contra o Japão as mesmas dificuldades dos jogos contra a Croácia e Austrália”. Zé Roberto, num tom respeitoso sobre o adversário desta quinta.

   “Tenham paciência. Vamos melhorar ainda mais”. Juan, cheio de esperança e otimismo.

TOQUE FINAL

  Paraíso do chopp

  Quem já veio a Munique conhece um dos mais tradicionais pontos turísticos da cidade: HofBräuhauss, possivelmente a chopperia mais famosa da Europa. Na tradução literal quer dizer Hof(lugar, Bräus(fazer cerveja), Hauss(casa).

   Digo com certeza que a alegria e descontração do local superam o conhecidíssimo Pingüim, o mais badalado concorrente brasileiro, localizado na minha querida Ribeirão Preto.

   O chopp é servido em canecas de um litro ou mais. São gigantescas! A qualidade é insuperável e o serviço de petiscos e bebidas também merecem elogios.

   As mesas são imensas. Cabem mais de 10 ou 12 pessoas. E democráticas! Se quatro ou cinco freqüentadores usam uma mesa, os outros lugares ficam a disposição de quem quer sentar e procura uma vaga. Não precisa ser da turma.

   Um conjunto cujos integrantes se vestem com roupas típicas da Bavária e tocam músicas alegres, como o ambiente, é outro ponto positivo para deixar todo mundo descontraído.

Todos altinhos

   Com o alto astral do local e a influência vitamínica da bebida, não é impossível encontrar alguém triste e aborrecido. Muito pelo contrário! Todos falam alto, cantam, dançam e extravasam seus sentimentos.

   Domingo pela manhã, antes do jogo contra a Austrália, centenas de brasileiros trocaram farpas com os australianos. Eles cantavam versos famosos no país e pouco conhecidos, mas compreendidos pelos brasileiros.

   Em contrapartida, nossos patrícios gritavam aqueles hinos de guerra, geralmente ofensivos e que são muito conhecidos de todos os torcedores que freqüentam os estádios no Brasil.

   Num determinado momento, sem maestro ou voz de comando, os brasileiros começaram a cantar o Hino Nacional. A letra inteira, primeira e segunda partes, sem aparentes erros nas palavras.

Cidadania já

   Este patriotismo poderia ser repetido nos gestos de cidadania, na preocupação de um país melhor e menos injusto, nas verdadeiras atitudes para transformarmos o Brasil num país com p maiúsculo.

   A alegria e civilidade poderiam continuar além do Atlântico. E que a cor da camisa da seleção brasileira, radiante como o sol, ilumine nosso povo e os governantes para fazermos do Brasil um país no estilo, por exemplo, da Alemanha.   

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .