Márcio Bernardes
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Obrigação de vencer
21 de Junho de 2006, 10:05
(Dortmund, BR Press) - Mais uma vez a seleção, entra em campo como favorita. Desde dezembro, quando aconteceu o sorteio em Leipzig, estamos dizendo que os três primeiros adversários não deveriam ser temidos. Vencemos os dois primeiros jogos, estamos classificados e já sabemos que com um simples empate sairemos com o primeiro lugar do grupo.

   Todas as desculpas ou justificativas foram assimiladas e merecem respeito. A estréia causou tensão, ansiedade e expectativa. Passamos por esse momento com vitória, porém sem mostrar um belo futebol. Na segunda partida, o entrosamento não ficou evidente, mas houve uma evolução. E também somamos três pontos.

Melhorar

   Agora não é possível apresentar qualquer desculpa porque tudo conspira a favor do Brasil. Há tranqüilidade, já que a classificação foi conseguida. Alguns craques se apresentaram aquém de suas possibilidades. Portanto, só podem melhorar.

   Outra coisa significativa é que o Japão está desesperado. Precisa ganhar, torcer por um tropeço da Austrália e ainda contar com uma jornada negativa do Brasil.

Juninho Pernambucano e Robinho

   Parreira poderia fazer algumas experiências. Pelo menos com Juninho Pernambucano e Robinho. Sairiam Emerson e Ronaldo. Ou até Adriano. Mas o que dissemos na última terça (20/06) realmente poderia se transformar num pesadelo para Parreira. Como ele faria para manter a coerência? Tiraria os titulares ou colocaria os reservas de volta para o banco, mesmo na hipótese deles jogarem positivamente contra o Japão?

   Outra coisa é que, com os amistosos, treinamentos e dois jogos de Copa do Mundo, já está na hora do Brasil desencantar. Minha esperança é Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e outros grandes jogadores encaixarem um bom jogo e deslancharem de uma vez por todas.

   Parreira faz mistério com os titulares e só vai anunciar time momentos antes do jogo. Precisava de tudo isso?

QUENTINHAS

Saia justa

   Luis Aragonés ficou numa saia justa. Raul, o queridinho de grande parte da torcida espanhola, ficou no banco contra a Ucrânia e Tunísia.

No segundo jogo entrou no intervalo, marcou o gol de empate e deu outro ritmo ao time. Ele já havia se rebelado contra o treinador e não aceita o banco de reservas.

  Vive la France?

   A França, que veio para a Alemanha como uma das favoritas para ganhar a Copa, faz uma campanha medíocre. Dois empates: zero a zero com Suíça e 1 a 1 com a Coréia do Sul.

É muito pouco para uma equipe que tem excepcionais jogadores, a começar de Zinedine Zidane. E que tem na camisa uma estrela de campeã mundial. Vai ter de ganhar do Togo.

Decepção internacional

   O Brasil ainda não convenceu a imprensa internacional, que publica matérias reafirmando a sua decepção. Vários jornalistas brasileiros são convidados para entrevistas e mesas redondas, principalmente nos canais espanhóis, portugueses e italianos.

Parece que há um consenso alentador: quando craques como Ronaldinho Gaúcho começarem a jogar não vai ter pra ninguém.

Bem na foto

    Carlitos Tevez, que agora é titular da Argentina, tem feito pronunciamentos interessantes e bem articulados.

Além de estar sendo elogiado pelo futebol mostrado aqui na Alemanha, o corintiano reafirma que é mais importante ele colaborar com sua equipe, esperando chegar ao título do que ser titular. Isso ficaria em segundo plano.

Close no Klose

   A Alemanha ganhou mais dois ídolos, além de Ballack e Kahn, com prestígio inabalados. Um deles é o artilheiro Klose, quatro gols até agora. O polonês naturalizado alemão está embalado e quer ser o artilheiro da competição.

Outro destaque é o lateral esquerdo Philipp Lahn, autor do primeiro gol da Copa e elogiado, inclusive por Pelé e Maradona.

  Dura de chutar

   Os goleiros estão cada vez mais desgostosos com a bola desta Copa, também chamada de Teamgeist (espírito de equipe). Segundo a maioria deles, elas estão mais duras e muito mais velozes.

Fabian Barthez, campeão pela França em 98, disse que é por essa razão que estão surgindo vários gols de fora da área.

  Invicto

   Emerson reivindica mais respeito e consideração com a defesa e o meio campo do Brasil. Ele afirma que nos últimos três amistosos ? contra Rússia, Lucerna e Nova Zelândia e nos dois jogos da Copa da Alemanha ?, contra Croácia e Austrália, o time não tomou nenhum gol.

Espero que ele repita isso após a partida contra o Japão. 

Mal acostumado

      O discurso dos jogadores brasileiros parece que se tornou unânime: as críticas contra a seleção se tornaram exageradas.

Segundo Gilberto Silva, mesmo vencendo, as pessoas exigem espetáculo. E muitas vezes isso não é possível. Torcedor brasileiro ficou mal acostumado e não tem jeito mesmo. Tem de ganhar e jogar bem!

FRASES

      “Estou preparado para suportar as críticas e as cobranças da torcida brasileira”. Robinho, dando a impressão de que tem muita personalidade.

   “Admito o potencial da nossa equipe. Mas insisto com meus jogadores para terem sempre cautela”.Carlos Alberto Parreira, mais sincero impossível.

   “O melhor show que a seleção pode dar é entrar em campo e ganhar os jogos”. Lucio, zagueiro e às vezes abilolado quando sobe para o ataque.

    “Se pudesse escolher gostaria de enfrentar a França. Assim vingaríamos 98 e eu enfrentaria meus colegas do Lyon”. Juninho Pernambucano, sonhando...

    “Acho que por causa do desespero o Japão vai sair para o jogo”. Adriano, prevendo que o adversário não ficará na retranca.

    “Vocês têm de jogar como verdadeiros campeões”. Jornalista espanhol, fã do Brasil, mas insatisfeito com nosso futebol nessa Copa.

TOQUE FINAL

   Zico não

   Acho preocupante esse comentário de que Zico poderia ser o técnico brasileiro após a Copa do Mundo. Só pode ser lobby de um grupo de pessoas que, num determinado momento, por causa dos interesses pessoais ou de certas panelas que pensávamos ter terminado, prestaram um imenso desserviço ao nosso futebol.

   Já sabia dos problemas de Zico no Japão e comentei isso aqui; Zico não está bem com a imprensa japonesa. E a torcida nota grande diferença no ídolo quando jogador e agora no técnico rabugento.

Parreira fica?

   Ricardo Teixeira se mantém fechado em Copas. Não divulga quem será o substituto de Parreira após a Alemanha. Aliás, ele já disse certa vez que, se Parreira quisesse, continuaria como treinador até a Copa da África do Sul. O técnico, afirma que pretende tornar-se um gerente ou coordenador-técnico após o evento aqui da Alemanha.

   Também disseram que Parreira poderia voltar a dirigir uma grande equipe brasileira e, antes de Geninho ser contratado, esta equipe era o Corinthians.

   Falar de Zico na seleção brasileira seria temeroso por algumas razões significativas: pouca experiência com clubes brasileiros, fracasso como técnico da seleção japonesa e afirmações desabonadoras sobre nossos cartolas.

   Tudo o que Zico disse sobre Ricardo Teixeira não foi esquecido. E por que ele teria mudado de idéia tão rapidamente? A seleção brasileira tornou-se com indiscutível verdade uma instituição internacional. Não é mais uma exclusividade apenas dos brasileiros.

   Não é possível voltar aos tempos de experiências desastrosas como as que tivemos com Edu Coimbra, Evaristo de Macedo, Sebastião Lazzaroni, Paulo Roberto Falcão, entre outros.

BAMBAMBÃ

Cidade do México, 21 de junho de 1970

A seleção brasileira de 1970 foi uma equipe inesquecível. Do meio campo para a frente tinha jogadores espetaculares. Dia 21 de junho de 1970, a equipe dirigida por Zagallo derrotou a Itália na final do Mundial do México por 4 a 1, no estádio Azteca, em Guadalajara, e ficou definitivamente com a Taça Jules Rimet.

Um time que tinha Carlos Alberto, Clodoaldo, Gerson, Tostão, Jair e Rivellino. E de quebra, o maior jogador de futebol de todos os tempos: Pelé. O dia de hoje para os brasileiros sempre será reverenciado como um dia de festa, por causa daquela que foi considerada a maior seleção de futebol da história. Hoje simplesmente é o dia do Tri.

    BUMBUMBUM

Guadalajara, 21 de junho de 1986

Uma das maiores partidas da história das Copa do Mundo ocorreu há 20 anos. Brasil e França jogaram no estádio Jalisco, em Guadalajara, pelas quartas-de-final do Mundial do México.

A seleção de Telê Santana foi derrotada nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal, em uma daquelas injustiças históricas que ocorrem em Copas. A geração de Sócrates, Falcão, Zico e Júnior, uma das mais brilhantes do nosso futebol sairia de seu último Mundial sem o título.

Jogadores inesquecíveis de uma época inesquecível. Época em que partidas como este Brasil e França se tornaram inesquecíveis.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .