Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Cicinho tocou de cabeça para Ronaldo marcar aos 45 minutos do primeiro tempo. Juninho Pernambucano e Gilberto Silva marcaram, respectivamente, aos 8 e 14 minutos da etapa final. Com muita disposição, as cinco estrelas ajudaram o Brasil a vencer a equipe japonesa e a demonstrar que a seleção tem muito mais que 11 titulares.
Movimentação
Jogando como primeiro volante, Gilberto Silva melhorou o toque de bola no meio campo e, conseqüentemente, do atacante Ronaldo. Sempre um diferencial, Robinho, com sua agilidade, deu mais movimentação ao time.
Gilberto também teve um ótimo desempenho. O jogador marcou um belo gol na partida. Cicinho além de ajudar nas jogadas ofensivas, foi bem na marcação, exceto no deslize do gol japonês. Juninho Pernambucano marcou um golaço de fora da área, chutando sem chances para o goleiro, que, aliás, fez uma excelente partida.
Domínio
Kawaguchi foi sem dúvida um dos melhores jogadores da equipe japonesa, já que seu time não obteve muitas chances de gol. Apesar do Japão ter saído na frente no marcador, a equipe brasileira dominou a partida.
É evidente que a seleção melhorou seu desempenho em relação aos últimos jogos. Além de ter maior posse de bola, o time evoluiu nos aspectos táticos e técnicos.
Finalmente o atacante Ronaldo começa a apresentar seu ótimo futebol. O jogador marcou dois gols e, ao lado do alemão Gerd Müller, se tornou o maior artilheiro de todos os tempos em Copas do Mundo. A partida serviu para dar moral e confiança ao atleta.
O primeiro gol do Brasil foi uma bela triangulação entre Ronaldinho Gaúcho, Cicinho e o Fenômeno. Após um bom passe de Juan, Ronaldo chuta forte no canto esquerdo e marca seu segundo gol no jogo.
O Brasil encara Gana, na terça-feira (27/06), no mesmo palco da partida desta quinta-feira, o Westfalenstadion, em Dortmund. A ótima participação dos reservas deve gerar uma dor de cabeça no técnico Carlos Alberto Parreira. Isto porque, os titulares são bons, mas os reservas... QUENTINHAS Última marcha
Os torcedores alemães, considerados frios perto dos latinos, realmente engataram a última marcha do entusiasmo e prometem encher o Alianz Stadium de Munique neste sábado (24/06), na partida contra a Suécia.
A desconfiança com o técnico Klinsmann é coisa do passado e agora o discurso é um só: ganhar a Copa. Vai ser muito difícil bater os donos da casa com tanta euforia.
Guilhotina
A imprensa da Costa do Marfim, diferente do que parecia, quer a cabeça do técnico Henri Michel. Agora, as críticas são feitas de forma veemente contra o francês, que não teria dado o necessário padrão tático à equipe africana.
A seleção dos elefantes, estreante em Mundiais, deve ter outro treinador após o evento aqui na Alemanha.
Palavra de sultão
Quem também mudará de técnico é a seleção da Arábia Saudita. Conversei com o príncipe sultão Bin Fahad Bin Addulaziz, que confirmou a dispensa do brasileiro Marcos Paquetá. E desmentiu as informações da semana passada de que ele renovaria o contrato do treinador.
Muito simpático, o presidente da Federação árabe disse que adora o Brasil.
Molho inglês
É uma pena a nova contusão de Michael Owen. Jogador de indiscutíveis qualidades técnicas, ficará fora dos gramados entre cinco ou seis meses.
A torção no joelho do atacante no empate com a Suécia fez com que o sueco Sven-Goran Erickson lamentasse este desfalque de grande qualidade técnica.
Requebra
Jornal alemão Bild faz ampla reportagem sobre as torcidas que estão incentivando as suas seleções. Críticas são feitas aos exageros e violência dos ingleses. Os holandeses têm a imagem de bêbados e os italianos são considerados sorridentes e comilões. Para os brasileiros, publicam fotos e textos simpáticos, com mulatas seminuas em destaque.
Encosta aí
Recebi uma Niederschrif über por causa de 6 quilômetros. Eu voltava de Innsbruck, maravilhosa cidade austríaca, e, num trecho da estrada, por causa de obras, a velocidade máxima era 120 km. Perdi o controle do velocímetro do meu carro e a polícia me flagrou.
Tive de pagar, no ato, 120 euros de multa. Isto além da canseira que tomei, porque a multa para ser redigida parece uma bula de remédio.
FRASES
"Preciso baixar a bola dos meninos. Eles estão sentindo a badalação". José Pekerman, técnico argentino, curto e grosso.
"O negócio é ganhar. Espetáculo é conseqüência. E se der". Emerson, como se fosse o porta-voz do grupo.
"Estamos aqui para ganhar a Copa. Vencer os adversários por 5 ou 6 é muito difícil". Kaká, com jeito de revoltado com as críticas.
"Uma coisa é jogar no clube. Outra coisa é defender a seleção". Ronaldinho Gaúcho, sem explicar direito a sua frase.
TOQUE FINAL
Sofrimento compartilhado
Mais de 20 mil brasileiros que vieram para cá compartilham as mesmas preocupações com quem está torcendo no Brasil: o sobrepeso de Ronaldo, o esquema tático de Parreira, que não transmite nenhuma confiança, e a falta do espetáculo esperado. Será que, desta forma, a seleção chega à final? Todos fazem esta pergunta e não obtêm uma resposta segura.
Um problema-extra também atormenta quem alegre e inocentemente está aqui na Alemanha. Como voltar, caso a passagem seja da Varig?
Com o término de vários vôos da companhia, ninguém sabe o que poderá acontecer. 61% dos destinos internacionais, inclusive Munique, estão cancelados. Já há informações que até as empresas que compõem a Star Alliance não endossarão, de imediato, os bilhetes emitidos pela Varig.
Extra, extra!
A Planeta Brasil, operadora que tem exclusividade dos ingressos oficiais da Copa do Mundo e principal operadora dos pacotes turísticos, não quer falar oficialmente. Por causa da ligação extra-oficial da empresa com a CBF, todas as agências de viagens brasileiras tiveram de comprar dela estes pacotes.
Os executivos das empresas que trouxeram para a Alemanha muitos torcedores premiados em campanhas promocionais já admitem, extra-oficialmente, que vão ter uma despesa também extra. Eles perceberam que dificilmente a Varig honrará os bilhetes comprados no Brasil.
Um diretor de uma multinacional com sede no ABC paulista e cuja matriz fica na Alemanha recorreu aos colegas de Munique, Frankfurt e Berlim. A Lufthansa poderá ser uma alternativa. Aliás, a empresa alemã afirma que, com tempo e gradativamente, portanto, sem compromissos imediatos, poderá absorver a rota da Varig.
Algumas emissoras de rádio, televisão e empresas jornalísticas torcem para que a situação seja resolvida. A Rádio Jovem Pan, por exemplo, cujos integrantes viajaram pela Varig, está buscando alternativas. José Manoel de Barros, locutor da emissora, tem retorno confirmado pela Varig para a próxima segunda-feira. Mas não sabe como e por qual companhia viajará.
A Rede Globo de Televisão, desde o início do ano, percebendo a instabilidade da Varig, colocou a maioria dos seus funcionários em vôos de diversas companhias européias. E não está preocupada com a volta deles.
Reina também total tranqüilidade com a equipe da Rádio Transamérica, a maior entre todas as rádios brasileiras na Copa do Mundo. Luiz Guilherme Albuquerque, diretor-geral da emissora, afirmou em Dortmund, onde acompanhou o jogo Brasil e Japão, que os 13 integrantes da emissora vieram pela TAM, via Paris. "Percebemos que poderíamos correr riscos. Por isso, aceleramos no final do ano passado negociações com a TAM para que tivéssemos toda tranqüilidade no nosso planejamento da cobertura", disse o executivo.
Já a Rádio Globo não sabe como será resolvido o seu problema. A equipe veio para a Alemanha pela Varig. Álvaro Oliveira, diretor de esportes, está mantendo contatos com a sede da empresa no Rio de Janeiro e com outras companhias aéreas. Ele disse que não tem nenhuma solução a curto prazo.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .