Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Interesse?! É verdade! Porque um companheiro é muito amigo de um determinado jogador e, por isso, defende sua escalação. Tem o outro que não gosta do Parreira e do Zagallo e transforma sua opinião em rixa pessoal. Como disse antes, sei que nosso técnico tem uma característica conservadora. Mas, diante da boa atuação dos cinco reservas que começaram a partida contra o Japão, ele deve ter dúvidas por várias razões.
Coerência
Quer um exemplo? O que Parreira iria explicar para Roberto Carlos e Cafu caso fosse escalar Gilberto e Cicinho? Tecnicamente, ele poderia estar sendo correto na visão de muita gente. Mas não seria coerente manter até agora os dois titulares no time e de uma hora para outra fazer mudanças.
Parreira também considerará a liderança dos dois laterais sobre o grupo. E ainda pensará que ambos não comprometeram negativamente nos jogos contra Croácia e Austrália.
Com Emerson e Zé Roberto a situação é parecida. Mesmo com a belíssima atuação de Gilberto Silva e Juninho Pernambucano, numa análise fria, o treinador não manteria a coerência em sacar os até agora titulares.
Quem tem a situação mais cômoda é Robinho. Considerado o décimo segundo jogador, quase titular desde os amistosos na Suíça, o atacante revelado pelo Santos pode ser a única novidade nesta terça.
Já disse que não trocaria cinco jogadores de uma vez só. Mas seria mais audacioso que o nosso técnico, caso ele coloque apenas Robinho para começar a partida. Minha segunda opção, mais do que Juninho Pernambucano, é Gilberto Silva. O refinado toque de bola estaria garantido no meio campo. E a fluidez do jogo seria muito maior.
Duvido que Parreira apresente mais do que uma novidade.
QUENTINHAS
Rússia de fora
Os russos não se conformam em estar de fora do Mundial da Alemanha. A desclassificação realmente está sendo sentida por todos. A seleção sempre foi presença destacada em outras Copas.
Agora estão dizendo por aqui que o holandês Dick Advocat, atualmente na seleção da Coréia do Sul, poderia ser o novo treinador da equipe.
Paradas de sucesso
Uma música brasileira cantada em inglês faz sucesso nas paradas alemãs. Trata-se um de remixe de Sérgio Mendes, Mais que Nada, de autoria de Jorge Benjor.
Repetidas vezes, como no Brasil, as emissoras de rádio tocam a música. Só que aqui os locutores fazem alusão à bossa nova, ritmo que eles adoram, e à seleção de Parreira, que eles também gostam muito.
Autotour
Conheci em Munique a mais importante fábrica da BMW na Alemanha. Fui recepcionado pelo jornalista e relações públicas Andréas Hemmerle.
Foram mais de duas horas de um tour por todas as fases de produção de diversos modelos. Fiquei impressionado com tantos robôs, pouquíssimos funcionários e a limpeza do local.
Na moral
Já é possível constatar que os jornais europeus estão tratando a seleção brasileira de outra forma. Depois da goleada sobre o Japão, o que faltava para convencer os colegas daqui, como a todos nós, jornalistas e torcedores brasileiros, era uma exibição convincente.
A bola precisa ficar sob controle. Nada de inflá-la. Isso é perigoso.
Na balança
Ronaldo continua com os mesmos 90,5kg. Emagreceu quatro desde que chegou à seleção, no dia 22 de maio. Porém, ninguém fala mais da sua gordura e dos seus problemas.
Agora o assunto é a participação dele contra o Japão, a escolha como bambambã, o recorde de gols em Copas, igualando-se a Gerd Mueller. A viagem é do inferno para o céu em segundos.
Alemanha e Suécia
No jogo entre Alemanha e Suécia (2x0) pelas oitavas de final, uma rivalidade que vem desde 1958 também entrou em campo.
Os alemães fazem alusão à guerra fria de 1958, quando na Copa do Mundo, sua equipe, com nove jogadores em campo, perdeu para a Suécia por 3 a um ? fora o baile.
Truculência
Apesar da orientação superior, alguns policiais alemães mantém a rotina de seu trabalho e chegam a ser violentos com turistas e torcedores estrangeiros.
Aqueles que eles consideram transgredir as normas legais são tratados como infratores. E os que exageram na alegria e muitas vezes na bebida são tratados como criminosos comuns.
FRASES
“Não jogamos para evitar o Brasil. Mas foi melhor assim”. Marcelo Lippi, sendo sincero e irônico ao mesmo tempo.
“Acho que acendemos aquela chama. O time depois da vitória sobre o Japão vai embalar”. Carlos Alberto Parreira, superotimista.
“De todas as seleções que poderíamos enfrentar, Gana está de bom tamanho”. Cafu, deixando uma dúbia interpretação na sua afirmação.
“Tenho repetido que os brasileiros, quando encaixam o jogo, ficam imbatíveis”. Franz Beckenbauer, fã confesso do estilo de jogo da seleção nacional.
“Temos de respeitar Gana. Não é porque vamos enfrentar um time sem tradição que vamos ganhar antes do jogo”. Roberto Carlos, realista e respeitoso.
“Quem diria hein? O Felipão cantando o hino português!” Jornalista brasileiro, desafeto do treinador, numa declaração de várias interpretações.
TOQUE FINAL
For export
O Brasil é o maior exportador de jogadores de futebol. Milhares de atletas estão trabalhando nos cinco continentes e muitos deles viajam ainda adolescentes, quase crianças, completamente desconhecidos em nosso país.
Nossos treinadores, no entanto, têm um campo limitado de atuação no exterior. Na Ásia e na África, eles conseguiram projeção. No maior centro mundial, a Europa, poucos alcançaram sucesso.
Apesar destas ressalvas tivemos cinco brasileiros dirigindo seleções aqui na Alemanha. A maioria fracassou, mas não se esperava muita coisa de suas limitadas seleções.
Micos
Marcos Paquetá, comandando a Arábia Saudita, foi embora mais cedo. Empatou com a Tunísia em 2 a 2, foi goleada pela Ucrânia por 4 a zero e perdeu para a Espanha por 1 a zero.
Alexandre Guimarães conseguiu classificar mais uma vez a Costa Rica, mas durante a competição principal fez feio. Derrotas para Alemanha por 4 a 2, para o Equador por 3 a zero e para a Polônia por 2 a zero.
Todos esperavam muito mais do Japão de Zico. Mas a campanha aqui na Alemanha não foi boa: derrota para a Austrália, de virada, por 3 a um e empate com a Croácia em 0 a 0. E, para fechar com chave enferrujada, foi goleado pelo Brasil por 4 a 1.
Bacanas
Os vitoriosos até agora são Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari. Quanto a Parreira, ele não fez mais do que a obrigação em classificar nossa seleção. Afinal, temos ou não os melhores jogadores do mundo?
Felipão merece um destaque especial, porque depois de 40 anos, classificou a seleção portuguesa para as oitavas de final.
Os conterrâneos de Camões interpretam versos lindos e cheios de amor para o técnico pentacampeão mundial.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .