Márcio Bernardes
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De volta ao passado
26 de Junho de 2006, 12:10
(Dortmund, BR Press) - Já não conto com Robinho para o jogo desta terça-feira (27/06) contra Gana. Não é fácil a recuperação de uma contusão na parte anterior da coxa. Justamente o músculo que é mais exigido na hora do chute. Qualquer “craque de pelada” sabe que é impossível chutar uma bola com esta região dolorida. É mais ou menos a mesma sensação quando a gente leva uma “paulistinha ou tostão”, como dizem os cariocas.

  Parreira disse que somente neste domingo (25/06) vai escalar oficialmente o time brasileiro. Pode ser que ele comece com a mesma formação, dita titular. Adriano jogaria ao lado de Ronaldo no ataque e a primeira alternativa passaria a ser Juninho Pernambucano.   E já disse que colocaria Gilberto Silva no lugar de Emerson. O seu toque de bola é refinado e de muita categoria. Melhoraria o passe porque Emerson é um bom marcador, mas peca no outro fundamento.

Sem papo

  Ninguém aceita outro resultado senão a vitória sobre Gana. O Brasil é favorito e não há o que discutir. Claro que somente vai confirmar este favoritismo depois do jogo.

  Todos os cuidados devem ser tomados, até porque a irresponsabilidade tática dos jogadores de Gana pode ser uma faca de dois gumes.

  Também entendo que esta discussão sobre o forte treinamento de sábado (24/06), quando Robinho se machucou, deveria continuar após a participação brasileira na competição.

Em casa

  Qualquer debate polêmico com certeza deverá criar um clima hostil que respingará no grupo de jogadores e na comissão técnica. A partir do momento que a seleção finalizar seus jogos aqui na Alemanha, poderemos discutir os erros e acertos das estratégias.

  Uma coisa é certa: a partir de agora, está aceso o sinal amarelo. Não haverá mais nenhum treinamento pesado, até porque isto não é necessário. A hora é de manutenção e recuperação do esforço. Porque, como diz o professor Moraci Santana, descanso também é treino.

QUENTINHAS

Gana, mas não de ingressos

  A seleção de Gana não trouxe muitos torcedores para a Alemanha. Por isto, os ingressos no câmbio negro não tiveram os preços abusivamente aumentados.

Contra o Japão, devido à grande procura, alguns brasileiros que vieram nessas campanhas promocionais de empresas, acabaram vendendo seus bilhetes para os japoneses por até 2 mil euros.

Irã, tô fora

  Branko Ivankovic não esperou ser demitido pela Federação Iraniana. Depois da péssima campanha nesta Copa do Mundo, ele anunciou que quer buscar novos ares.

O Irã perdeu para Portugal por 2 a zero e para o México por 3 a 1. Empatou com Angola e somou apenas um ponto. Os cartolas afirmaram que em breve anunciarão o novo técnico.

Nedved incerto

  Algumas dúvidas afligem o grande meia Pavel Nedved. Depois da fraca campanha da sua República Tcheca nesta Copa, ele diz, aos 34 anos, que não sabe se vai pendurar as chuteiras.

Vai depender do futuro do seu clube, o Juventus, que está ameaçado de ser rebaixado devido aos escândalos que assolam o futebol italiano.

Ufa!

  A classificação da França foi um alívio para a Fifa. No último Mundial, houve um grande constrangimento com a desclassificação de algumas seleções consideradas de primeira linha no futebol.

Entre elas a própria França e a Argentina. Felizmente para a entidade, nenhuma das grandes equipes ficou de fora da segunda fase.

Cidade alegre

  Os torcedores brasileiros, na sua maioria, estão hospedados na cidade de Colônia. Considerada a cidade mais alegre do país, é festa cedo, à tarde e à noite.

Mas o resto da Alemanha considera Colônia o paraíso gay ? claro que na base da brincadeira. Mas tudo isto é fruto de uma mentalidade liberal da região, que às vezes choca o resto do país.

Owen no seguro?

  Tem toda razão o Newcastle United que quer indenização da Fifa e da Federação Inglesa pela grave contusão de Michael Owen. Afinal, o atacante servia à equipe nacional e, naquela partida contra a Suécia, pisou em falso e torceu o joelho ? rompendo os ligamentos cruzados.

Pode ficar até seis meses fora do futebol. ´Cafezinho´ para a imprensa

  Em todas as sub-sedes do Mundial existe uma grande preocupação do Comitê Organizador local em oferecer opções de turismo e passeios aos jornalistas credenciados.

De outra parte, os serviços em geral estão sendo cobrados com preços considerados abusivos. Já se sabia que seria um evento de altos custos para a cobertura da imprensa.

Cartão vermelho

  Na conversa que tive com Joseph Blatter, ele se mostrava indignado com o árbitro inglês Graham Poll.

Sua desastrosa arbitragem no jogo Croácia e Austrália pelo Grupo F, quando deu três cartões amarelos para o zagueiro croata Josip Simunic, revoltou o mundo do futebol, segundo o presidente da Fifa.

Ele vai voltar para casa mais cedo.

FRASES   “Não quero falar sobre o time”. Juninho Pernambucano, visivelmente aborrecido, fugindo de qualquer declaração que o comprometa.

  “A tragédia da Olimpíada de Atlanta não de repetirá”. Zagallo, fazendo alusão à desclassificação do favorito Brasil, que perdeu para a Nigéria.

  “Vocês querem encontrar pelo em ovo. O Cafu é titular e fim de papo”. Cicinho, não querendo confusão com o amigo e quase arrumando encrenca com os repórteres.

  “O Castelo Lerbach é como um conto de fadas. A gente só vê isto nos desenhos animados”. Zé Roberto, extasiado pela beleza do hotel-castelo, onde está concentrada a seleção brasileira.

  “A seleção argentina com inspiração torna-se uma equipe quase imbatível”. Ricardo Lavolpe, técnico mexicano, natural da Argentina, reconhecendo as qualidades do time que o eliminou da Copa.

  “Se perdêssemos para Suécia seria uma catástrofe para o futebol alemão”. Jürgen Klinsmann, dizendo o que aconteceria com seu país e com ele, caso a Suécia tivesse vencido.

TOQUE FINAL

Mata-mata

  A Copa do Mundo chegou a sua fase decisiva. Agora, perdeu vai embora. Que o digam Suécia, México e Equador, os três desclassificados até o fechamento da coluna. E todos esperam que a qualidade técnica evolua. Porque até agora, o nível não está dos melhores.

  É verdade que a competição não está decepcionando, mas estamos esperando um pouco mais. Um dos motivos da queda do nível técnico é o número exagerado de equipes que participam de Mundiais. Já dissemos recentemente que compreendemos os compromissos políticos da Fifa, mas alguma coisa precisa ser modificada.

Lobby

  Quem começou este inchaço nas Copas foi o brasileiro João Havelange. Seus métodos para chegar à presidência da Fifa, e depois se manter no comando da entidade por tantos anos, são conhecidos.

  As grandes federações, entre elas Brasil, Alemanha, Holanda, Espanha, Itália, Argentina, Inglaterra, França, entre outras, poderiam liderar um movimento pela diminuição do número de seleções nesta que é conhecida como a fase final da Copa do Mundo.

  O número ideal de 24 equipes poderia ser colocado a partir de 2010 ou 2014, quando se espera que a sede do Mundial seja no Brasil. Claro que pequenas seleções de países asiáticos, africanos e centro americanos farão pressão já prevista para que nada seja alterado.

  Pela qualidade do espetáculo e por uma Copa mais emocionante, vamos à luta.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .