Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
(Dortmund, BR Press) - A seleção brasileira venceu Gana, mas o torcedor passou o
maior sufoco, principalmente no primeiro tempo. Depois do mistério sobre a escalação, Carlos Alberto Parreira colocou a mesma equipe
que não empolgou nos dois primeiros jogos.
Felizmente, Ronaldo marcou aquele golaço logo aos 4 minutos, que acabou
dando mais tranqüilidade ao time. No lance, Kaká tocou em velocidade na
entrada da área para o Fenômeno, que, na frente do goleiro Kingston, pedalou,
driblou e só empurrou para o gol vazio.
Falhas e sorte do Brasil. Sorte porque os jogadores de Gana não estavam
com o pé na forma. Perderam muitas chances com péssimas finalizações. A maravilhosa defesa de Dida aos 41 minutos foi o ponto culminante das falhas notadas na defesa e no meio de campo. E repare que a cabeçada de Mensah foi muito boa. Por isto, Dida teve de defender com o pé direito.
Ronaldinho
Falhas porque não soubemos explorar a indisciplina tática de Gana. E mais uma vez Ronaldinho Gaúcho fez muita firula e não brilhou.
A seleção brasileira teve várias chances de contra-ataques na etapa inicial,
mas somente aos 45 minutos, na inteligente jogada de Lúcio que lançou Kaká e
depois Cafu, é que Adriano marcou o segundo gol, porém, impedido.
Sorte nossa que o bandeira e árbitro eslovacos foram generosos. Esse gol
sacramentou a tranquilidade para o Brasil jogar o segundo tempo.
Justamente quando se esperava um bom aproveitamento nos contra-ataques, a
seleção brasileira foi incipiente e falhou várias vezes. Única exceção
aconteceu no gol de Zé Roberto, na belíssima jogada de Ricardinho aos 38
minutos.
A seleção africana criou as maiores e melhores oportunidades. Todas
desperdiçadas pela má pontaria dos seus atacantes ou pela boa performance de
Dida. A principal delas foi aos 23 minutos. O atacante Gyan chutou no canto
e o goleiro brasileiro defendeu em dois tempos.
Roberto Carlos
O ponto mais negativo do Brasil foi Roberto Carlos. O lateral marcou mal
e não apoiou como nos velhos tempos.
Outra coisa preocupante foi a marcação de Emerson. Vale ressaltar que Zé Roberto teve um ótimo desempenho e foi um dos destaques da partida.
Tomara que as falhas sejam corrigidas para as quartas de final.
Gana deixa o Mundial de cabeça erguida, afinal foi a seleção que melhor
representou a África na competição. Em um grupo complicado, que tinha a
Itália como cabeça-de-chave, os africanos eliminaram a República Tcheca,
segunda colocada no ranking de seleções da Fifa e avançaram às
oitavas-de-final do torneio.
Os Estrelas Negras sabem que já fizeram muito em sua primeira Copa do Mundo e devem estar satisfeitos.
Deu a lógica e a vitória foi justa!
QUENTINHAS
Ivanov Guseu
Não foi só o presidente da Fifa que espinafrou o árbitro de Portugal e Holanda. O técnico Marco Van Basten saiu da Alemanha criticando Valentin Ivanov Guseu.
Felipão, que conhecemos como um chorão contumaz, só não falou nada porque ganhou o jogo e se classificou. Imaginem então se tivesse perdido.
Casal 20
David Beckhan é a maior estrela do futebol inglês. Sua mulher, Victoria Adams, com sua fama, beleza e simpatia também atrai a atenção das câmeras em todos os jogos da seleção inglesa.
E agora mais dois integrantes da família Beckham estão sendo elogiados pela animação contagiante: são os filhos do casal, que também não perderam nenhum jogo.
Voe Varig?
Marisa Morgese escreveu-me um e-mail reclamando dos meus comentários sobre a Varig na Transamérica e aqui neste espaço. Ela diz que, ao ler o texto comercial da Tam, aproveitei para dar uma cutucada na quase falida companhia aérea.
Ela se diz humilhada e afirma que os funcionários estão desesperados quanto ao futuro.
Lamento tê-la atingido sob o ponto de vista humano. Compreendo que a situação dela e dos colegas é difícil. Mas nenhum deles veio a público para denunciar os desmandos e abusos das diversas diretorias da Varig nos tempos de bonança.
Os passageiros que estão aqui na Europa não sabem como vão voltar para o Brasil.
Crough, Crough, Crough!
Peter Crouch, atacante da seleção inglesa está chateado com a mídia do seu país. Vários artigos afirmam que ele não sabe jogar com os pés.
O grandalhão diz que tem vários outros atributos e não apenas é bom de cabeça. Realmente, seu estilo desengonçado dá margem para várias interpretações. Mas para o estilo do futebol inglês está ótimo.
Cambismo deslavado
Uma constatação aqui em Dortmund confirmada em todas as sedes deste Mundial: a praga dos cambistas e dos ingressos falsos.
Até que a Fifa tem tentado evitar este mal, porém, lamentavelmente, ela também tem sua culpa na cota de bilhetes para as federações cujos países têm pequena população. Precisa repensar também isto.
Totti e Ronaldo
A imprensa italiana encarava o atacante Francesco Totti da mesma forma que os jornalistas brasileiros trataram Ronaldo, até o jogo contra o Japão.
O atacante teve dificuldades para recuperar a forma física, até porque ficou três meses afastado dos gramados se recuperando de uma contusão. Acabou no banco no jogo contra a Austrália, entrou e mudou a opinião dos colegas italianos.
FRASES
“Apesar do placar tranqüilo o jogo não foi tão fácil assim”. Carlos Alberto Parreira, valorizando o adversário desta terça-feira (27/06).
“Estou muito feliz por ter marcado o meu primeiro gol em Copa e por ter sido escolhido o melhor campo”. Zé Roberto, cheio de glória.
“Os alemães são os favoritos”. José Pekerman, tirando o peso e a responsabilidade dos seus jogadores.
“Será uma final antecipada”. Jürg Klinsmann, técnico alemão, valorizando o jogo de sua equipe contra a Argentina.
TOQUE FINAL
A zica de Zico
Antes da fracassada campanha japonesa nesta Copa do Mundo, Zico já havia anunciado que deixaria o comando do quadro nacional. Independente de qualquer resultado, ele pensa em trabalhar aqui na Europa.
Comentários surgiram dizendo que, em agosto, ele poderia substituir Carlos Alberto Parreira na CBF, assunto que já abordamos aqui na coluna.
Saburo Kawabuchi, presidente da Federação Japonesa de Futebol, pretende acertar com o novo treinador até o mês que vem.
Alguns nomes estão sendo cogitados. Entre eles, Didier Deschamps, ex-jogador de 36 anos, que dirigiu até setembro o Mônaco, clube onde chegou em 2001. Ele também atuou pelo Olimpique, Chelsea, Juventus e Valência.
Falam também dos técnicos alemães Rudi Völler, que comandou a seleção do seu país em 2002 e Matthias Sammer, atual diretor-esportivo da seleção alemã.
No entanto o ex-técnico da Iugoslávia, Ivic Osim, de 65 anos, é o mais cotado para substituir Zico. O presidente da J-League disse que o negócio está quase fechado; mais de 80% de possibilidades, portanto, são as chances de Osim comandar o Japão.
Investimento nipônico
Decididamente, o Japão é o país asiático que mais investiu no futebol. Contratou os melhores técnicos e jogadores brasileiros. Levou outros astros internacionais em fim de carreira e promoveu entre os jovens um esporte que se tornou muito popular nos últimos 20 anos.
A seleção nacional, no entanto, não tem conseguido sucesso nas grandes competições. Teve uma excepcional oportunidade em 2002, quando co-realizou com a Coréia o Mundial daquele ano.
O Japão foi desclassificado nas oitavas de final, diferente do vizinho e parceiro que chegou em quarto lugar.
Indiscutivelmente, o Japão tem bons jogadores e não há uma explicação coerente para indicar os motivos da seleção nacional não chegar mais longe nas grandes competições.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .