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Brasil continua favorito
28 de Junho de 2006, 11:57

(Munique, BR Press) - De volta à capital da Bavária, ficamos esperando o jogo de sábado (01/07) contra a França em Frankfurt. De novo, a seleção brasileira é favorita! Pela quinta vez nesta Copa! O que pode equilibrar um pouco é o glamour de uma fase como as quartas de final. E também por ser um jogo eliminatório.

   Num Mundial ninguém chega até aqui se não tiver o mínimo de competência. A França fez uma campanha muito fraca na primeira fase: dois empates com Suíça e Coréia e vitória sobre Togo. O grande mérito dos Blues foi eliminar a Espanha, que havia tido uma trajetória bem mais convincente: vitórias sobre Ucrânia, Tunísia e Arábia Saudita.

   Já começaram os comentários inevitáveis de vingança sobre os franceses que nos esmagaram em 98. Claro que teve o problema do Ronaldo, mas devemos reconhecer que eles venceram com todos com méritos.

   Agora a história é diferente! Vivemos um melhor momento. Temos mais talentos individuais e ainda existe a possibilidade de alguns jogadores, que ainda não convenceram, jogarem um pouco mais. Ronaldinho Gaúcho é um deles.

   Por incrível que possa parecer, a contusão de Emerson não deve preocupar ninguém. Prefiro Gilberto Silva no lugar dele. Já disse que o ex-meia do Atlético-MG melhora o passe e toca maravilhosamente na bola. Há quem prefira Juninho Pernambucano e aí Ronaldinho Gaúcho jogaria mais adiantado ao lado do Fenômeno. E ainda há a possibilidade de Robinho, que já treinou na última terça (27/06), ser definitivamente liberado e ficar a disposição de Parreira.

Kaká

   Não devemos deixar de torcer pela recuperação de Kaká, que contundiu-se no jogo contra Gana.

   A França vem com um time envelhecido, porém talentoso. Como sempre, não podemos jogar só com o favoritismo e sim colocar em campo o futebol necessário para a vitória.

   Zagallo já disse que aquela derrota de 12 de julho até hoje está atravessada na sua garganta. Ronaldo poderia compensar o fracasso de 98. Se o maior artilheiro de todas as Copas estiver inspirado e consciente de sua importância, já podemos esperar mais uma vitória e a chegada à semi-final.


QUENTINHAS

Emoções em Munique

Vivi momentos excitantes no estádio olímpico, palco da final da Copa de 74. Fiz um Zeltdach-Tour, ou um passeio pelo telhado transparente que teve design revolucionário e até hoje apresenta uma visão muito bonita.

Será difícil descrever a emoção que se sente naquela altura e com uma visão fantástica de toda Munique.

    Cada vez que volto ao parque olímpico e isto já aconteceu mais de 10 vezes, fico vários minutos olhando o setor da vila que abrigava os atletas. E penso na tragédia que afetou a delegação israelense.

Não consigo aceitar tamanha brutalidade contra o ser humano. E quero deixar claro que houve excessos dos dois lados.

   Estou falando da insanidade dos assassinos que mataram pobres inocentes e a resposta israelense que já conhecíamos pela história e que acompanhamos no filme Munique, de Steven Spielberg. A vingança patrocinada pelo governo de Israel não pode ser aceita e deve ser criticada da mesma forma que os ataques na Vila Olímpica.

Ora pois

   Eu já havia avisado que a delegação portuguesa perderia seu tempo com a tentativa de apelação de revisão de um dos cartões recebidos por Deco, no jogo contra a Holanda.

Na última terça (27/06), estive com Markus Siegler, porta-voz da Fifa que contou ter recebido um telefonema dos portugueses e disse que nem levou o pedido em consideração.


Togo que se cuide

   Não vai ficar barato para a Federação Togolesa de Futebol. A Fifa vai examinar a condução da discussão dos prêmios para os jogadores que disputaram a Copa do Mundo.

Houve ameaça de boicote a competição, o técnico pediu demissão e voltou atrás, foi uma bagunça lamentável. E passou uma imagem negativa que respingou no evento.


Recauchutagem


   Cruzei com Franz Bechenbauer no centro de imprensa de Munique. Ele afirmou que o comitê organizador está agindo rápido para solucionar todos os problemas que surgem ao longo da competição.

Por isso, serão reformados os gramados dos estádios de Stuttgart(onde será disputado o terceiro lugar) e Allianz Arena de Munique (onde haverá uma das semi-finais em 5 de julho).

 

Lippi na mira

   A imprensa italiana continua sendo impiedosa com o técnico Marcelo Lippi. Suas alterações no ataque contra a Austrália não deram certo.

A classificação para as quartas-de-final só aconteceu porque o pênalti no final do jogo foi um presente do espanhol Luiz Medina Cantalejo.


A Itália até agora não convenceu o mais fanático tiffosi.

Até tu, Merkel

   O futebol muda rapidamente as opiniões de autoridades, reis, príncipes e simples mortais. Até a contida primeira-ministra alemã Angela Merkel, que há algum tempo criticava o técnico Jürgen Klinsmann, agora diz que está feliz da vida com a seleção nacional e que a Alemanha chegará a semifinal derrotando a Argentina.


FRASES


 

   “Foi uma segunda-feira de cinzas. O Mundial nos ofereceu dois jogos pavorosos”. Carl Heintze, jornalista alemão do Bild, sobre os jogos Itália x Austrália e Ucrânia e Suíça.

   “Neste momento não dá para escolher adversário”. Carlos Alberto Parreira, se livrando de maiores comentários sobre a França.

   “O Deco vai fazer muita falta”. Luiz Felipe Scolari, lamentando a ausência do brasileiro naturalizado português no jogo contra a Inglaterra.

   “A Itália está mal e mesmo assim, se perder para a Ucrânia, será o que vocês dizem no Brasil: uma grande zebra”. Gianfranco Sestini, velho amigo e grande jornalista do Corriere de la Sera.

   “A Ucrânia perdeu um importante jogador para a partida contra a Itália. Andrei Voronin vai fazer muita falta”. Sergei Bolska, jornalista ucraniano.

   “Imaginou quando o Ronaldinho começar o jogar o seu verdadeiro futebol?”. Cafú, conotando que o companheiro ainda está em falta com o time.

TOQUE FINAL

   Ronaldo disse uma frase lapidar: “Os gols emagrecem”. Esta fina ironia é uma boa resposta a todos nós. E nada melhor que ele emagreça marcando gols para a seleção brasileira.

   O atacante chegou à seleção pesando 94,7kg, segundo informação oficial. Mas a sua aparência mostrava que estaria com muito mais do que isso.

   Na semana passada o professor Moraci Santana, profissional sério e competente, disse que Ronaldo estaria pesando 90,5kg. Ainda é muito para um jogador com sua altura e massa muscular.

   Os dois primeiros jogos contra Croácia e Austrália mostraram uma lamentável imagem daquele que foi duas vezes escolhido o melhor do mundo.

Elegância

   Depois de desencantar contra o Japão e marcar aquele golaço contra Gana, Ronaldo mudou o humor, ganhou mais confiança e mostrou que também é elegante ao tratar com as adversidades.

   Cruzei com ele algumas vezes em Weggis e Königstein. Conversamos rapidamente e foi possível notar claramente o seu incômodo com as críticas. Além disso, ele considerava injustos alguns comentários sobre sua gordura.

   Depois de marcar três gols neste Mundial, transformar-se no maior artilheiro de todas as Copas, Ronaldo voltou a sorrir e não tripudiou aqueles que o criticaram.

   Foi um belo fair play do atacante, que ainda poderá marcar mais gols nesta Copa e superar o seu próprio recorde de 2002.

   Ronaldo merece os parabéns por ter voltado a marcar gols e mostrar muita elegância. As críticas realmente foram reais e impiedosas. Inclusive as minhas.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .