Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
(Munique, BR Press) - Vamos acompanhar nesta sexta-feira (30/06), às 12h, dois jogos decisivos de quartas de final da Copa da Alemanha e que apresentam ingredientes absolutamente distintos. Alemanha e Argentina se enfrentam em Berlim, sem favoritismo para nenhum dos dois e numa partida que vai lembrar duas finais de Mundiais.
No México, em 86, a Argentina era franca favorita. E ainda tinha Diego Maradona inspiradíssimo. Tão inspirado que marcou, com a mão, um gol contra os ingleses. A Alemanha era uma equipe reformulada, mas, mesmo assim, mostrou que sempre tem força e categoria para estar entre os melhores do mundo.
A conquista platina foi sensacional e indiscutível.
Na Copa de 90, a Alemanha venceu com um gol de pênalti discutível. Mas a Argentina chegou aos trancos e barrancos para a disputa final, realizada no estádio olímpico de Roma. E ainda fez uma campanha mais irregular do que o adversário.
Desta vez, há equilíbrio e nem o fator torcida deverá influenciar no resultado. Vai ser um jogo inesquecível.
A outra partida, Itália e Ucrânia, não nos oferece o mesmo otimismo. Os dois times chegaram até aqui só Deus sabe como.
Purgatório do futebol
Os jogos de oitavas de final, Itália contra Austrália e Ucrânia contra Suíça nos deixaram no purgatório do futebol. Foram horrorosos sob todos os ângulos de análise.
Itália e Ucrânia até podem desmentir as previsões que são extremamente negativas. E tomara que Hamburgo seja palco de uma noite memorável.
Não acredito em milagres. Mas os deuses do futebol sempre mostram que o imponderável pode, sim, ser escalado. E nós não devemos menosprezá-lo.
QUENTINHAS
Bastidores da seleção
Já aconteceram nos bastidores da seleção brasileira duas reuniões da comissão técnica com o meia Juninho. Em uma delas, Ronaldinho Gaúcho também participou.
A imensa maioria dos jogadores franceses são bem conhecidos dos dois craques brasileiros. E alguns detalhes especiais foram discutidos. Tomara que a discussão ajude na vitória.
TV alemã
Melhorou a cobertura da televisão alemã. Técnicos de outras grandes emissoras européias foram requisitados e estão dividindo com os alemães os trabalhos de geração dos últimos jogos do Mundial.
As críticas vinham de todos os lados e, com a somatória de esforços, já é possível perceber a evolução.
Adriano na esquiva
Desde a semana passada, Adriano mudou o comportamento com os jornalistas. Raramente responde as perguntas e não se mostra disposto a repetir os antigos contatos mais amistosos com os repórteres.
Tudo porque ele não tem assimilado as críticas e se mostra incomodado com as observações que defendem sua saída do time titular.
Espiando los Hermanos
Fui, de novo, à concentração argentina. Conversando com Carlitos Tevez, ele garantiu que os torcedores corintianos estão torcendo pela Argentina por causa dele.
E mais uma vez, disse que não sairá do Parque São Jorge. Sempre sorridente e simpático, Tevez quer terminar o Campeonato Brasileiro vestindo a camisa do Timão.
Ballack e Klismann
Não está confirmado, mas conversei com vários jornalistas alemães e todos eles não têm uma resposta conclusiva sobre o relacionamento entre Michael Ballack e Jürgen Klismann.
O astro estaria insatisfeito de estar sendo escalado para jogar mais recuado e até agora não assimilou as razões por ter ficado fora do time na estréia contra a Costa Rica.
Ericksson, ora pois
Continua intocável o prestígio de Sven-Goran Ericksson em Portugal. Seus cinco anos dirigindo o Benfica continuam merecendo elogios dos jornalistas e torcedores.
Certa vez, conversando com o sueco, fiquei sabendo que essa simpatia é recíproca. Ele disse ter somado uma experiência riquíssima vivendo em Lisboa.
Van Basten
Quem também está com prestigio inabalável é Marco van Basten. Ontem no Centro de Imprensa de Munique, Henk Kesler diretor da Federação Holandesa de Futebol, contou-me que já começaram as negociações para a reforma do contrato do treinador para ele dirigir a seleção até 2010.
Não podemos esquecer que a Holanda foi fantástica nas eliminatórias.
Copa é cultura
Se o Brasil passar pela França a semifinal será aqui em Munique. E quem vier do Brasil para a última fase do Mundial não pode deixar de conhecer o Deutsches Museum.
São 7 andares que mergulham na história alemã. Aviação, eletricidade, computação, astronomia, marinha e tantos outros setores são mostrados de forma didática e esclarecedora.
FRASES
“É que vocês não convivem conosco para confirmar o que vou dizer: nosso ambiente é maravilhoso”. Roberto Carlos, tentando convencer os jornalistas sobre os bastidores da delegação.
“Os jogadores são velhos, mas estão fortes”. Raymond Dommenech, técnico francês.
“Ninguém queria transformar esse jogo numa revanche. Os franceses é que estão nos provocando”. Ronaldo, que está dando a impressão de ter total consciência da sua especial responsabilidade nesse jogo.
“Apesar do favoritismo alemão, se passarmos, vamos à final”. José Pekerman, técnico argentino.
“Não sei por que me criticam tanto”. Zé Roberto, que tem respondido no campo positivamente os comentários dos jornalistas.
“Veja meus números e a minha história na seleção”. Cafu, comentando com os repórteres sobre as críticas que vem recebendo.
TOQUE FINAL
Brasileiros, com certeza
Os grandes sucessos da seleção portuguesa, por incrível que possa parecer, passam pelo Brasil. Nos últimos 40 anos, foram dois treinadores brasileiros que levaram Portugal às suas maiores conquistas.
Oto Glória era comandante da grande campanha de 1966, que culminou com o terceiro lugar na Copa da Inglaterra. O saudoso treinador também ficou famoso por cunhar a frase: “Técnico que perde jogo é uma besta. Quando ganha é bestial”.
Luiz Felipe Scolari levou a seleção ao vice-campeonato da Eurocopa há dois anos e a uma bela campanha aqui na Alemanha.
A contratação de Felipão foi polêmica. Méritos do presidente Gilberto Mandil, que, em princípio, enfrentou imprensa, treinadores e vários segmentos nacionais que não queriam um estranho dirigindo a seleção.
Com tanta desconfiança, Scolari chegou a Portugal depois de conquistar o pentacampeonato com o Brasil em 2002 e foi comendo pelas bordas. Aliás, este é o seu estilo.
Extremos
Técnico copeiro, especialista em mata-mata, estudioso e observador, Luiz Felipe tem o mesmo poder para arrumar defensores e opositores.
Com ele são os dois extremos; por onde passa conquista amigos fanáticos e leais. E também inimigos que não concordam com o seu jeito de ser.
Todos aqueles que discordaram da contratação de Felipão pela Federação Portuguesa já engoliram vários sapos na Euro-2004. E agora aplaudem o seu trabalho que elevou a auto-estima de toda população.
Portugal sempre foi considerado o patinho feio do futebol europeu. E precisava mesmo de uma agitada moral, técnica, tática e emocional.
Hoje, a seleção de Felipão está sendo vista com mais respeito e admiração. Consegue aliar a raça gaúcha com a técnica dos grandes craques.
Mesmo enfrentando uma seleção de prestigio e renome, é considerada favorita diante da Inglaterra.
BAMBAMBÃ
Simplesmente o maior
Ronaldo se tornou na terça-feira (27/06), ao marcar o primeiro gol do Brasil, contra Gana, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Uma marca histórica, que pertencia ao alemão Müller e que parecia que nunca seria quebrada.
O Fenômeno está definitivamente na história dos Mundiais, à frente de monstros sagrados do futebol. Criticado e execrado no início da Copa, mais uma vez deu a volta por cima e calou a todos.
Só podemos dar os parabéns a Ronaldo, sem exageros, o maior centroavante da história da seleção brasileira e do futebol mundial.
BUMBUMBUM
Brasil que se cuide...
Não gostei da classificação da França para as quartas-de-final da Copa do Mundo. Não queria que os azuis fossem nossos adversários nessa fase...
A França não empolgou na primeira fase da Copa do Mundo. Tropeçou nos dois primeiros jogos, ao empatar com Suíça e Coréia do Sul, mas se recuperou ao derrotar Togo e atingir às oitavas-de-final.
Ao vencer a Espanha, nesta terça-feira (27/06), os franceses provaram que possuem uma equipe competitiva, que dará trabalho ao Brasil no próximo sábado (01/07).
A França é uma equipe experiente, que tem em Zidane e Henry suas principais armas. A seleção brasileira terá seu primeiro clássico na Copa do Mundo, por isso será bom todos jogar tudo que sabe. Senão, as histórias tristes de 1986 e 1998 irão se repetir.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .