Márcio Bernardes
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Reposta brasileira
30 de Junho de 2006, 08:18

(Frankfurt, BR Press)- Não gosto de falar em vingança. Principalmente no esporte. É muito pesado para uma partida de futebol. Mas não adianta querer transformar o desejo do torcedor e da imprensa. Ninguém engoliu a derrota brasileira na final de 1998.

A doença de Ronaldo, sua escalação sem condições físicas e psicológicas, o Brasil como um todo abalado contribuíram para a vitória francesa. E não podemos deixar de reconhecer que Zidane & cia foram estupendos, fulminantes e sensacionais. Ganharam a final com méritos.

   Já se falou de tudo e de todos sobre aquele jogo nos últimos 8 anos. E agora a partida deste sábado (01/07) se transformou em confronto.

Favoritismo

   Vingança é o que esperam. E até os franceses reconhecem o nosso favoritismo. O Brasil não rendeu 60% do futebol que todos sabemos poder produzir. E a França é um time decadente, envelhecido, muito mais do que o nosso. Está cansado e com retrospecto negativo até agora.

   Como aconteceu nas partidas contra Croácia, Austrália, Japão e Gana, se tudo correr dentro da normalidade, a tal vingança vai acontecer sem sofrimentos.

   A história francesa mostra em certos momentos a brutalidade dos revolucionários que instalaram a guilhotina e foram impiedosos. E também está escrito o passado de lutas e conquistas lideradas por Napoleão Bonaparte.

   A seleção brasileira poderia extrair de Moliére, gênio da literatura francesa e universal, uma boa lição. Ele pregou que a verdade se opõe à falsidade e a inteligência ao pedantismo.

   Os franceses são estão sendo pedantes, mas a verdade é que o Brasil é muito melhor do que o adversário. E qualquer resultado contrário à nossa vitória, apesar de tratar-se de um evento esportivo, não deixará de significar algo falso.

QUENTINHAS

30 bilhões em ação

   Os números deste Mundial continuam fantásticos: 30 bilhões de pessoas acompanharão a competição pela TV até a final em 9 de julho. Esta é a soma total do público, jogo a jogo.

Na última Copa do Japão e da Coréia, 29 bilhões de telespectadores assistiram ao evento pela TV. Joseph Blatter comentou o assunto e sorriu sem parar.

Rita de ferro


 

   Johan Cruyff, que continua aqui na Alemanha, também não pára de criticar a Ministra de Imigração de seu país, Rita Verdonk, conhecia pela mão de ferro com trata os imigrantes.

Ela negou facilidades e procedimento acelerado para a nacionalização do atacante Salomon Kalou, da Costa do Marfim. Estão tentando colocar panos quentes nas declarações do maior talento produzido pelo país.

Manja che te fa benne

   O ministro italiano da agricultura, Paolo de Castro, recebeu jornalistas de todo mundo para um jantar em que procurou divulgar as iguarias italianas.

Vários produtores de vinhos, queijos, salames e outros produtos querem aumentar suas exportações e o apoio governamental é fundamental. Com isso conseguem boa exposição na mídia internacional.

Copa é cultura


 

   Quem veio do Brasil para Frankfurt está aproveitando para fazer dois passeios sensacionais: a descida do rio Reno e uma visita a Heidelberg.

Distante 120 km daqui, a pequena cidade estudantil tem duas universidades de 8 séculos. E a maior fábrica de máquinas de impressão do mundo. Além de um castelo, que oferece uma visão maravilhosa da região.

Maradona e Ronaldo

   Ronaldo ficou muito satisfeito com a declaração de Maradona. O astro argentino disse que ver vê-lo magro ou gordo, porém no seu próprio time.

O atacante brasileiro, que já bateu o recorde de gols em Copas do Mundo, pode superar sua própria marca de 2002. E mais confiante, ele disse que tem mais três chances de chegar lá.

No telão, regado

   As diversas prefeituras das grandes cidades alemãs não tiveram alternativas. Disponibilizaram telões nos estádios e até no parque olímpico de Munique.

O jogo desta sexta (30/06) entre Alemanha e Argentina atraiu mais a atenção do que as decisões de 86 no México e 90 na Itália. E a venda de cervejas cresce a cada dia.

Cala-te boca, Pelé

   A delegação brasileira recebeu com indisfarçável ironia e desdém a declaração de Pelé sobre a possível vitória da França.

 A maioria pedia para que seu nome não fosse citado , realmente, e algumas respostas contra o rei do futebol não podem ser publicadas. Já disse certa vez que às vezes seria melhor Pelé ficar de boca fechada.

 Mandinga


   Não sei até que ponto pode ser julgada essa superstição de Ronaldinho Gaúcho. A confissão do astro que gosta de sair por último do ônibus da delegação porque isso lhe traz sorte deve ser considerada uma faca de dois gumes.

É aquela velha história: que se macumba ganhasse jogo campeonato baiano terminava empatado.


FRASES

   “O Gilberto Silva está marcando bem e tem melhor toque de bola que o Emerson”. Rui Carlos Osterman, comentarista gaúcho, sem bairrismos.

   “Vamos esquecer 98. Mas também vamos continuar fazendo história”. Cafu, capitão brasileiro, entre ponderado e otimista.

   “Espero que você consiga nos vingar. Até hoje não engoli aquela derrota”. Taffarel para Cafu. O lateral sorriu e prometeu atender o amigo.

 

   “Desta vez a França não nos surpreenderá”.

Ronaldinho Gaúcho, que não estava no grupo de 98, mas continua devendo.

 

   “Não agüento mais a imprensa”. Adriano, que se diz vítima dos jornalistas que, segundo sua visão, querem tirá-lo do time.

 

   “Nós merecemos um belo descanso”. Carlitos Tevez, deixando claro que vai demorar para se apresentar ao Corinthians.


TOQUE FINAL

Desinchando o Mundial

  Já comentamos que o Mundial está demasiadamente inchado com 32 clubes. Por isto, o nível técnico não agradou. Os números oficiais comprovam que alguma coisa precisa ser feita.

   Claramente, no entanto, nestas quartas-de-final, com exceção da Ucrânia e Portugal, as outras seis equipes que participam desta chegaram a conquistar pelo menos uma vez a Copa do Mundo.

   Desde o final das eliminatórias, estamos dizendo que pelo menos oito equipes eram as favoritas para a conquista aqui na Alemanha.

   De todas elas as maiores decepções foram República Tcheca, Sérvia e Montenegro e Holanda. Isso porque estas três seleções tiveram uma participação espetacular nas eliminatórias.

Sem surpresas

   Independente de quem ganhar o título, fica claro que não teremos nenhuma novidade. Os africanos e asiáticos decepcionaram e não apareceu nada surpreendente na Alemanha.

   Até o México, que prometia muito, e se preparou demais acabou sendo impiedosamente eliminado. De todos, Portugal foi quem mais surpreendeu.

   
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .