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Meus pêsames?
4 de Julho de 2006, 11:14

(Munique, BR Press)- Estou cansado de receber os pêsames. Por onde ando, com quem encontro, parece que estou de luto. Todos continuam lamentando a desclassificação da
seleção brasileira. Os estrangeiros, todos, com exceção dos franceses, sonhavam com o Brasil na final. Acho que eles torciam
pela seleção de uma forma diferente da gente.

  Já disse outras vezes que aqui na Europa a camisa amarela é vista como sinônimo de espetáculo. Igual um grande show ou a uma bela peça de teatro. O brasileiro denota na amarelinha uma instituição nacional. Não sei se o povão tem mais respeito pela camisa ou pelo pavilhão nacional.

  Digo aos amigos que me abordam que não estou desiludido. Nem chateado. Eu tinha lá no fundo da alma a esperança de que, com o passar dos jogos, a equipe fosse evoluindo e chegasse a mostrar o que dela verdadeiramente esperávamos desde o inicio.

Acidente de percurso


 
Patinamos contra Croácia e Austrália. Vencemos Japão e Gana porque melhoramos a qualidade do jogo e os adversários não tinham colocado o pé na forma. Justamente contra a França eu imaginei que teríamos
a nossa redenção. Nossos craques mostrariam porque são assim tratados. Sonhei que provaríamos que o fracasso da final de 98 não teria passado de um acidente de
percurso.

  Entramos em campo com os mesmos ídolos, jogamos com a imaculada camisa amarela. Mas não colocamos em prática
o indiscutível e belo futebol brasileiro.

  Não estou aceitando os pêsames porque sei que o verdadeiro futebol brasileiro não morreu. Sei também que novos craques vão surgir com naturalidade.

  Espero apenas que essa nova geração de craques
demonstre que além da categoria, da bela conta bancária, tenham um pouco mais de amor pela camisa amarela.


QUENTINHAS

Alemanha e Itália

A partida entre a Alemanha e Itália foi muito
disputada. No tempo regulamentar, o jogo foi superequilibrado. Enquanto os donos da casa tiveram 45% da posse de bola, a Azzurra obteve 55%.

No entanto, ficou nítido que a equipe alemã sentiu a responsabilidade do confronto e não conseguiu a classificação tão almejada.

O sonho do tetracampeonato continua para os italianos.

Após uma vitória com muita garra sobre os donos da casa, a equipe vai para a final do Mundial com plena confiança. Na prorrogação, a Azzurra mostrou muita superioridade.

A Alemanha, que muitos afirmavam
que era favorita antes da partida, ainda não conseguiu vencer a Itália em Copas do Mundo.

Made in Paraguai

 Cruzei mais uma vez com o paraguaio Chilavert.
Simpático e brincalhão, ele lamentou a saída do Brasil
da Copa. Estava com um boné de Portugal, presente de
Pauleta. Disse que vai torcer por Felipão e seus
jogadores.

Ele não gosta das seleções da Alemanha,
França e Itália. E depois que fizemos a fotografia para recordação, meteu o pau em Gamarra.

Felipão

  Enquanto Felipão não confirmar oficialmente não
acredite nessas noticias que falam sobre a sua renovação com a seleção portuguesa.

A última coisa que ele falou quando ainda começava a Copa era que tinha recebido uma proposta em branco para renovar até o
próximo Mundial.

E que estava propenso a acertar por
apenas dois anos. Foi só isso!

Fabien Barthez

  A marca de Fabien Barthez para o futebol francês é excepcional. Na decisão contra Portugal ele atinge seu 16º jogo pela seleção, superando o bom zagueiro e meia
Máxime Bossis, que havia jogado 15 vezes nas Copas de 78/82/86.

Esta é a terceira Copa de Barthez, que jogou
ainda em 98 e 2002.

Nakata

  A contribuição que Hidetoshi Nakata deu ao futebol japonês é elogiável. Com 29 anos, ele anunciou sua aposentadoria depois de defender o Bolton da Inglaterra.

Nakata também jogou nos italianos Roma,
Parma, Perugia, Bolonha e Fiorentina. E defendeu a seleção do seu país em 77 jogos. Marcou 11 gols.

FRASES

"A Copa acabou também para nós".
Locutor da TV alemã ZDF.

"A Itália é sempre assim, sabe mostrar a sua garra".
Marcello Lippi, técnico da seleção italiana.

  "Ronaldinho Gaúcho foi a maior decepção brasileira neste Mundial". Matéria de A Bola, jornal português.

  "O lobby para a contratação do novo técnico
brasileiro já começou e é muito pesado".
Fonte da CBF, que pede omissão do seu nome e que falou uma grande verdade.

  "Triste fim de Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo e Cia.". Notícia/comentário catastróficos de um repórter
brasileiro.

TOQUE FINAL

Agora é Portugal

  França e Portugal decidem uma das semifinais deste Mundial. Impossível dizer que não vamos torcer pela seleção portuguesa. Não é só por Felipão ou por nossos laços de afinidades desde a colonização.

  A identificação do brasileiro com Portugal é muito maior do que com a França. Não podemos deixar de reconhecer que acabamos eliminados por um adversário que foi brilhante e que mereceu chegar até aqui.

  A bandeira brasileira se juntará a portuguesa no Allianz Arena pelos motivos acima expostas e por tantas outras razões que a própria razão desconhece.

  Portugal não foi brilhante ainda. Mas devemos reconhecer que está indo melhor do que o Brasil. Juntou-se o objetivo pragmático de Felipão com a técnica de Deco, Figo, Cristiano Ronaldo, entre
outros.


  Será um jogo com alternativas táticas, que devem
misturar a criatividade desses craques portugueses com
Zidane, Thierry Henry e Makelele.


  Não há favoritismo, porém não fica afastada a
possibilidade de prorrogação e pênaltis.

 E nossa
torcida pessoal independe da racionalidade do
comentário que espera um jogo nervoso e com isso
carregado de emoções.

BAMBAMBÃ


Cafu deu a cara para bater

Cafu, Cris e Mineiro foram os únicos atletas que desembarcaram em São Paulo, que conversaram com a imprensa. Mesmo sendo criticado em toda a Copa do Mundo, o capitão do Brasil na Alemanha mostrou hombridade ao falar com os jornalistas.

Ele realmente não jogou nada contra a França, mas agiu como um verdadeiro capitão ao dar satisfações ao povo brasileiro. Jogadores esquecem muitas vezes que a imprensa é apenas uma interlocutora entre o atleta e o torcedor.

Por isso, parabenizo a atitude do capitão do Brasil, que não pode ter sua história na seleção apagada, mesmo com o pífio desempenho na Alemanha.

BUMBUMBUM

Os vilões das Copas

Roberto Carlos diz que ficou parado no gol francês, porque foi combinada uma linha de impedimento. Parreira afirmou que o jogador falhou no lance.

Por mais que queira negar, o lateral ficará marcado por ter ficado estático na jogada que culminou no gol francês. Torcida e imprensa elegem culpados em todos os Mundiais que o Brasil perde.

Acho isso um erro, pois quando perdem, perdem todos e quando ganham, ganham todos. Mas vamos relembrar de personagens considerados vilões em derrotas brasileiras.

Em 1950, no Maracanã, o vilão foi o goleiro Barbosa, que teria falhado contra o Uruguai. Em 1966, a culpa caiu nos ombros da CBD, que pecou pela falta de organização na Inglaterra.

Em 1974, na Alemanha, o eleito foi Zagallo, que não conhecia a Holanda de Cruijff. Na Argentina, em 1978, o goleiro peruano Quiroga, que entregou o jogo para os donos da casa foi (merecidamente) o vilão.

Em 1982, no Mundial da Espanha, Cerezo acabou com nosso sonho em um passe errado contra a Itália. Já no México, em 86, foi a vez de Zico ser crucificado, ao perder um pênalti contra a França.

Em 90, na Itália, o volante Alemão não cometeu falta em Maradona e o argentino deu o passe para Caniggia eliminar o Brasil, nas oitavas-de-final. Em 1998, na França, Ronaldo passou mal antes da final contra os anfitriões e foi o culpado da vez.

Encontrar culpados é muito fácil. Mais fácil talvez do que encontrar heróis. No caso do gol contra a França, só não podemos esquecer que outros erros foram cometidos durante o jogo, e por isso não podemos fazer de Roberto Carlos o bode expiatório.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .