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Final pode ser empolgante
6 de Julho de 2006, 11:30

Márcio Bernardes*/Especial para BR Press

(Munique, BR Press) - Não será a final dos nossos sonhos. Tirando o fanatismo de lado, a maioria das apostas de especialistas e torcedores indicava que fariam a final em Berlim as seleções do Brasil e Alemanha. A magia do futebol colocou na final duas seleções de tradição no futebol. E que por causa disso eram indicadas como possíveis semifinalistas. Mas por várias razões não estavam conseguindo apresentar um belo futebol.

   A Itália tem três conquistas internacionais. A França apenas uma. Mas os dois times têm craques indiscutíveis. E cresceram no momento certo. Na primeira fase, os italianos venceram Gana e República Tcheca e empataram com os Estados Unidos. A França empatou com Suíça e Coréia do Sul e venceu Togo.

   Nas oitavas de final, a França eliminou a Espanha que veio de um início bem superior. E o resultado foi surpreendente. Já a Itália fez o pior jogo do Mundial com a Austrália. E a classificação poderia ser tanto dos italianos quanto dos australianos.

   Nas quartas de final foi que os dois finalistas realmente foram convincentes, ultrapassando seus adversários com todos os méritos. A Itália eliminou a Ucrânia e a França o Brasil.

   Agora nas semifinais, a Alemanha foi atropelada pelos italianos e os franceses mereceram passar por Portugal.

   Fato positivo é que teremos dois grandes jogos neste final de semana. Amanhã em Stuttgart buscarão a medalha de bronze Alemanha e Portugal. E no domingo em Berlim, a grande final com França e Itália.

   O lado mais positivo de tudo é que duas grandes torcidas, apaixonadas pelo futebol, que estavam um tanto desestimuladas por vários motivos, ganharam uma motivação-extra com a chegada de suas seleções na final.

   Até por isso, o futebol é mágico e especial.

QUENTINHAS


 
Erickson solto

   Sven-Goran Erickson está à vontade para decidir o seu futuro. Muitos clubes importantes da Europa querem contratá-lo. E seleções da África e da Ásia também estão manifestando o interesse de contar com seus serviços. Esta segunda hipótese é mais remota. A não ser que as condições oferecidas ao milionário sueco sejam irrecusáveis.


Maradona à solta


   Quem passeava ontem pelo parque olímpico igual a um simples mortal era Diego Maradona.

Cercado de amigos e familiares, além daquele segurança que criou problema no estádio Olímpico de Berlim quando jogaram Alemanha e Argentina, o ex-craque me disse que dificilmente aceitará dirigir a seleção de seu país, por causa da ingerência dos cartolas.

 Cristiano Ronaldo

   A Gillette está elegendo com o apoio da Fifa o melhor jogador do Mundial da Alemanha. Votei em Cristiano Ronaldo que está em primeiro lugar. Lionel Messi e Lukas Podolski vêm na seqüência.

Nenhum jogador brasileiro está na lista dos mais ou menos indicados pelos jornalistas internacionais. É um bom retrato da realidade.

Estressando 1

   Vazou que na tribuna de imprensa do estádio de Dortmund, apesar das mesuras da diplomacia, por causa da rivalidade e tensão do jogo, que rolou também um estresse entre as delegações da Alemanha e da Itália.


 Felizmente, tudo foi acalmado e resolvido pelo campeão internacional da coluna do meio: Joseph Blatter.


Estressando 2


   Briga de bastidores para a definição do árbitro da final. Os mais cotados eram o eslovaco Lubos Michel e o argentino Horácio Elizondo. Eles correram corpo-a-corpo durante toda semana.

E a indicação de Elizondo pode ter tido influência de Julio Grondona, presidente da AFA e o mais influente vice-presidente da Fifa. Mas acabou sendo justa.


Rumo à África

   Nesta sexta-feira (07/07) acontecerá uma grande confraternização promovida pela África do Sul, próxima anfitriã da Copa de 2010.


Presenças confirmadas do presidente do país, Thabo Mbeki, do presidente da Onu, Kofi Annan e da Fifa, Joseph Blatter. Ainda há dúvidas sobre a capacidade de a África organizar um evento como a Copa do Mundo. 

FRASE


   “Felizmente não surgiu até agora nenhum caso comprovado de doping”. Joseph Blatter, sorridente e irônico.

 

   “A Copa perdeu a graça para nós”. Conversa óbvia de jornalistas brasileiros, no centro de imprensa de Munique.

 

   “E nós que pensávamos disputar a final com vocês, brasileiros?”. Jornalistas alemães, que estavam na roda.

 

   “Franz Beckenbauer será candidato à presidência da UEFA”. Notícia do Stuttigarter News e que não foi confirmada.

 

   “Crescemos muito depois do jogo contra a Austrália”. Marcelo Lippi, técnico italiano num reconhecimento a melhora do futebol de sua equipe.

 

   “Ainda não decidi o meu futuro”. Jürgen Klinsmann, ainda técnico da seleção alemã.


TOQUE FINAL


 

A história se repete

   Tenho recebido e-mails dos mais diversos lugares do Brasil, contando uma imaginária entrega de jogo do Brasil para a França em 98. Isso é velho! O mesmo tipo de história eu estou ouvindo e lendo há oito anos.

   Deram uma amenizada com a conquista do pentacampeonato, mas depois do fracasso aqui na Alemanha o assunto voltou com mais força ainda.

   Falam de tudo. Da patrocinadora de material esportivo da seleção, do pagamento do bicho integral de vitória, apesar de pretenderem a derrota, falam de saci-pererê, de papai Noel e do lobisomem.

   Nunca acreditei em nada disso! E lamento que um assunto tão sério seja abordado de forma tão irresponsável.

Adversários melhores

   A síntese de tudo é que o Brasil perdeu no Stade de France, porque a França foi melhor. Como agora em Frankfurt. Naquela época a doença de Ronaldo poderia ter influenciado o estado de espírito dos jogadores. Mas nem isso está confirmado. E todas as fofocas comentadas em off por alguns integrantes daquele grupo são acompanhadas do categórico pedido de não citar nunca o seu nome. É o tal do off sem prova.

   Não se dará nenhum tipo de contribuição a evolução do nosso futebol com esse comportamento. Reconheço que a criatividade de alguns e a forma como as fofocas se espalham, além da frustração do torcedor, contribuíram para que a coisa chegasse a esse ponto.

   Tenham a mais absoluta certeza e acreditem em quem viveu de perto e dentro dos bastidores a seleção de 98: perdemos porque merecemos. O resto que falarem tirará os méritos da França e se tornará uma forma de amenizar o nosso fracasso.

        

BAMBAMBÃ


A festa sem Bora

Faltam apenas dois jogos para o término da Copa do Mundo da Alemanha. Um campeonato fabuloso, com uma organização impecável. Mas um convidado ilustre não esteve na beira do campo neste Mundial: ele se chama Bora Milutinovic, que dirigiu nas últimas cinco Copas, cinco seleções diferentes*.

Sempre simpático e descabelado, o sérvio de 61 anos foi uma ausência sentida na competição. Bora é um cidadão do mundo, poliglota e sabe muito de futebol. Seu último emprego foi dirigindo a seleção de Honduras, mas a equipe não se classificou para o Mundial. Bora não teve resultados expressivos nos Mundiais que disputou.

No entanto, sua competência é comprovada. A próxima Copa do Mundo, será em 2010, da África do Sul. Quem sabe, Bora não arruma uma boquinha? 

*Bora Milutinovic dirigiu o México (1986), a Costa Rica (1990), EUA (1994), Nigéria (1998) e a China (2002).


BUMBUMBUM


Sucessores de Roberto Carlos

Há cerca de dez anos tínhamos no futebol brasileiro um grave problema: não existiam bons laterais-direito no mercado. Na época, o setor esquerdo tinha atletas de sobra para a reserva do já titular absoluto Roberto Carlos.

Júnior, Athirson, Felipe e Zé Roberto despontavam como grandes jogadores para a posição. Mas agora a situação é inversa. O Brasil tem jogadores de sobra para suceder Cafu. Daniel Alves, Cicinho e Ilsinho são jovens que podem fazer história.

Só que pela esquerda a coisa está feia. Gilberto, com 30 anos, não deverá chegar bem até a Copa de 2010. Maxwell (ex-Ajax), que disputou o Pré-Olímpico em 2004, pela seleção, não foi bem naquela competição.


É bom o novo técnico da seleção focar de olho, pois achar um sucessor para Roberto Carlos não será fácil.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .