Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
(Berlim, BR Press)- A final no estádio Olímpico de Berlim teve
de tudo: espetáculo musical, teatral e bom futebol.
Itália e França fizeram um jogo digno de dois
finalistas de uma Copa do Mundo.
A expressão e o sentimento dos jogadores italianos
durante a execução do lindo hino nacional, cuja letra
de Goffredo Mameli evoca o nacionalismo e diz "A
Itália despertou... e todos lutarão até a morte", foi
transferida para o campo.
Marcação forte e toque de bola com velocidade foram
as armas da luta italiana. Os franceses, por seu lado, foram mais cautelosos,
sem deixar de mostrar talento e técnica.
Principalmente quando a bola passava pelos pés de
Zidane, Vieira, Henry e Malouda. Eram dois ou três
toques na bola, que rapidamente chegava à área da Itália.
No primeiro tempo houve uma leve superioridade
italiana. Os Les Bleus começaram o segundo tempo com
mais iniciativa. Enquanto a Azzurra entrou recuada, os
franceses criaram as melhores chances de gol.
Foi um jogo com tática, técnica, inspiração e
transpiração. E que perdeu um pouco a vibração após os
30 minutos do segundo tempo com as equipes claramente
se preocupando em marcar e não tomar gol.
Na prorrogação, o meia Zinedine Zidane foi expulso
após dar uma cabeçada no zagueiro Materazzi.
Experiente, vivido, educado, o francês poderia ter
segurado a onda. Zizou manchou uma carreira gloriosa e
com incontáveis histórias positivas. Como diz o poeta:
o pôr-do-sol não tinha os raios e brilhos na nascente.
Após 12 anos, a Itália novamente levou a decisão do Mundial para os pênaltis. Só que dessa vez, a história
foi diferente. A Azzurra conquistou o título e se
isolou como o segundo país mais vitorioso em Copas do
Mundo, superando a Alemanha e encostando no Brasil.
A Itália é tetracampeã mundial!
QUENTINHAS
Berlim não dorme
A festa dos alemães com o terceiro lugar foi
comemorada nas ruas em todo país após o jogo contra
Portugal e com uma mega-festa no domingo (09/07), em Berlim.
Poderíamos extrair esses bons exemplos e transformar nossa mentalidade. No Brasil, o segundo lugar tem a
mesma importância que a lanterna do campeonato.
De luvas
Uma medida que precisa ser modificada é a atitude
dos goleiros que cumprimentam adversários e
autoridades com as luvas. Já se sabe que esta não é
uma postura correta e eles poderiam ser melhores
orientados.
Acho que não deveria acontecer uma
interferência oficial, apenas um gesto que tornaria os
goleiros mais educados.
Galvão
Na sala de imprensa do estádio Olímpico de Berlim a
conversa de um jornalista brasileiro com Galvão Bueno
provocou uma reação curiosa do locutor.
Ao ser perguntado se Galvão não renovaria seu contrato com a
Globo a resposta foi taxativa. "Este assunto é velho; já acertei por nove anos. Nunca vi alguém renovar um
contrato com esse tempo", afirmou o global.
Imoral?
Cristiano Ronaldo deixa a Alemanha com uma marca
preocupante: foi alvo de pesadas críticas das
arquibancadas após o jogo de Portugal com a
Inglaterra.
O povo acha que ele pressionou o árbitro
na expulsão de Rooney, o que seria considerado imoral.
Incrível como ele foi vaiado em Munique e Stuttgart.
Verdade?
Dunga, capitão das seleções de 94 e 98, desmentiu
Edmundo. Segundo o atacante do Palmeiras, na final do
Stade de France, em 98, quando ele soube que seria
sacado do time titular para a entrada de Ronaldo, que
garantia não ter problemas de saúde, teria chutado e
quebrado vários objetos no vestiário.
Dunga afirmou que não houve nada de anormal.
FRASES
"É a maior satisfação que um treinador pode
experimentar. Eu tive a sorte de me tornar um campeão mundial".
Marcello Lippi, feliz com a conquista do
tetracampeonato.
"Da mesma forma que ajudaremos a África em 2010,
queremos o Mundial de 2014 no Brasil".
Joseph Blatter, presidente da Fifa abrindo ainda mais o jogo.
"Comprei um apartamento na planta em Maceió. Ele está quase pronto".
Luiz Felipe Scolari, mostrando que está atento às suas
coisas pessoais, apesar de tanto trabalho nesta Copa.
"O campeonato de futebol de rua também será um grande sucesso em alguns anos".
Ricardo Teixeira, vice-presidente da Fifa e otimista
com mais um mercado que se abre.
"Até que a arbitragem não comprometeu tanto neste
Mundial".
José Roberto Wrigth, comentarista especializado da
Rede Globo de Televisão.
"Para mim a Copa do Mundo é como um grande show".
Robbie Williams, cantor pop britânico, presença
ilustre na tribuna de honra do estádio Olímpico de
Berlim.
TOQUE FINAL
Resignado
Estou terminando a Copa do Mundo com uma sensação
completamente diferente de quando ela começou.
Esperava como os alemães, a melhor competição de todos
os tempos.
Não houve nenhuma grande revelação. Nem individual,
coletiva, tática ou técnica. E as surpresas não foram
tão relevantes.
Felizmente a arbitragem não foi tão negativa como
em 2002. E os erros não podem ser encarados como
dolosos. Foram falhas humanas.
As maiores decepções foram as equipes africanas e
asiáticas. Além do Brasil e seus craques. Ou seriam
pseudo-craques? A Alemanha tinha tudo para chegar a
final e consagrar de vez a boa organização de uma
competição cheia de complexidades. O terceiro lugar
está em boas mãos.
Para quem veio à Alemanha uma coisa ficou patente:
o país e seu povo merecem aplausos e cumprimentos. Depois de duas guerras e uma divisão política e
geográfica, a economia continua fortíssima e os índices
sociais são elogiáveis.
Aqui tudo funciona bem! E até certas
idiossincrasias germânicas devem ser consideradas como
características peculiares e não precisam ser
relevadas.
O povo não quer esquecer a sua história, mas luta
para que os erros do passado não se repitam. E pela
determinação que se vê conseguirão evoluir ainda mais
todos os índices de vida.
Se os jogos não foram empolgantes como
imaginávamos, acompanhar mais um Mundial e ficar 45
dias convivendo com essa gente e tanta cultura nos
reconforta. Vai ficar marcado na memória.
(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .