Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
O clima ainda frio aqui na Europa reflete a reação deste momento dos torcedores alemães. Pode parecer paradoxal. O povo adora futebol, o fanatismo é uma realidade, a seleção de Klinsmann é uma das favoritas e não há mais ingressos para a maioria dos jogos. Mas é só isso! A referência sobre a Copa do Mundo pelas ruas de Munique fica restrita aos anúncios dos patrocinadores oficiais da FIFA ou da seleção local. Não se vê bandeirinhas, cartazes e indicações de que o Mundial vai começar dentro de alguns dias.
Depois da goleada germânica sobre Luxemburgo por 7 a zero, os programas de rádio e televisão abriram um pouco mais o espaço para falar do seu time e por conseqüência do grande evento que vão promover.
A cultura daqui é muito diferente da nossa. Vamos realizar os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro em 2007. Desde o ano passado se fala do assunto, programas especiais já estão sendo produzidos pelas emissoras e a badalação é evidente.
Pouca infra
No Centro de Imprensa aqui de Munique, apesar de ter sido inaugurado no começo do mês, não há nada de infra-estrutura funcionando. Nem os bares, restaurantes e lanchonetes foram abertos.
Os alemães são apaixonados pelo futebol. Mas não chegam nem perto da gente.
QUENTINHAS
Se não tivesse sido cortado por contusão da seleção brasileira em 2002, na véspera do jogo inaugural contra a Turquia, o volante Emerson teria erguido a taça de campeão. Ele era o capitão do time e continua exercendo grande influência sobre muitos jogadores. É um líder nato.
O amistoso desta terça-feira (30/05), em Lucerna, contra uma seleção local, terá relativa importância. Além de pagar parte da conta da hospedagem em Weggis, Parreira vai continuar aprimorando o entrosamento do time titular que não joga junto há oito meses. A saída de jogo com velocidade e os cuidados com as bolas altas na nossa área preocupam o treinador.
O coletivo deste domingo (28/05) contra o time sub-20 do Fluminense, que está excursionando pela Europa, dará a Carlos Alberto Parreira uma emoção especial. Torcedor Pó-de-Arroz confesso, o treinador brasileiro sempre diz que quando vê aquela camisa em campo sente algo diferente. O adversário da seleção jogará fechado, como se espera a Croácia. É um pedido de Parreira.
Os dois gols de Ronaldo no coletivo desta sexta-feira (26/05), em Weggis, serviram para mudar o ânimo do atacante. O sorriso ficou estampado no seu rosto após o treinamento, e a sensação que se tem é que ele ganhou muito mais confiança. Afinal, Ronaldo está parado há mais de dois meses. E ele está mais do que calejado com contusões em momento importantes.
FRASES
"Vamos atacar com cautela. Alternaremos as subidas para não sermos surpreendidos nos contra-ataques". Roberto Carlos, falando por ele e pelo outro lateral, Cafu.
"O Brasil cometeu uma grande injustiça com Barbosa". Dida, titular do Brasil em 2006, reverenciando o goleiro da Copa de 50.
"O Felipe conseguiu mudar para melhor a nossa mentalidade. No futebol agora somos menos racionais e mais passionais". Pauleta, atacante da seleção portuguesa.
TOQUE FINAL
Continua intensa a badalação em torno da seleção brasileira que literalmente parou a pequena cidade de Weggis. Parreira tem mantido a serenidade e espera que isso não afete os jogadores.
A atitude de Scheila Soares, que invadiu o campo para beijar Ronaldinho, deixou os membros da comissão técnica preocupados. Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, a brasileira que é dona de uma boutique na Suíça, demonstra que o torcedor quer festa e folia.
Acertadamente, Parreira tem dito a todos e principalmente aos jogadores, que Copa do Mundo é um tiro curto, de apenas 30 dias. E quem sai do foco por um triz pode também sair da competição.