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O grande receio de técnicos e jogadores
30 de Maio de 2006, 08:52

É inacreditável. Mas a preocupação com contusões inesperadas de jogadores supera a esperança da conquista final. Em alguns casos chega a ser dramático o quanto treinadores pedem para seus jogadores tomarem cuidado com problemas físicos.

Mas todo atleta está sujeito a um imprevisto. E quantos são casos de grandes competições anteriores que aleijaram provisoriamente grandes craques? Muitos.

A história brasileira, por exemplo, nos lembra de Clodoaldo em 74, aqui mesmo na Alemanha. E o caso de Careca em 82 foi exemplar. Telê Santana perdeu o maior centro-avante do mundo naquele momento, e foi obrigado a escalar Serginho Chulapa, que era ótimo atacante, mas sem a técnica de Careca.

Em 94 os zagueiros preferidos de Parreira, Ricardo Gomes e Mozer, foram cortados por contusão. Há vários outros casos, como o de Emerson, em 2002. Mas vamos ficar apenas nos citados para não ocupar muito espaço.

Agora a Alemanha perdeu seu bom zagueiro Robert Huth, que defende o Chelsea da Inglaterra. Huth joga com a aparência de brucutu, mas é muito respeitado aqui na Alemanha, sendo considerado um dos melhores zagueiros da Europa.

No amistoso contra Luxemburgo realizado no último sábado (27/05), numa jogada despretensiosa, Huth torceu o tornozelo e está fora da Copa. Houve uma consternação em toda delegação.

Preparo físico

O interessante nisso tudo é que as equipes têm de treinar. O entrosamento é mais do que almejado. Os jogadores têm de estar com o melhor preparo físico e atlético. Mas isso só se consegue com treinamentos. E é na prática esportiva que o atleta pode se machucar.

É aquele velho ditado: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Ninguém está seguro de que, até o início da Copa do Mundo, outras novidades negativas dentro desse contexto não possam surgir.

QUENTINHAS

Mordomia para torcida

Vários brasileiros estão chegando a passeio na Europa. E querem assistir pelo menos a um jogo da seleção no estádio. O maior problema é que também por aqui não há mais ingressos. E os valores cobrados pelos cambistas estão longe do alcance de um torcedor normal.

Enquanto isso, apenas após o dia 7 de junho é que a grande massa da torcida brasileira chegará aqui na Alemanha. A imensa maioria de quem virá será sob o patrocínio de empresas que fizeram promoções internas e externas. Tudo de graça e com muitas mordomias. É o tipo do torcedor completamente diferente daquele que vai aos estádios normalmente no Brasil.

Kaká

Pouca gente tem observado a possibilidade de sucesso de Kaká nesta Copa. Só falam de Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Mas o meia do Milan tem treinado com afinco e parece muito focado na competição. Não será nenhuma surpresa se Kaká explodir como um dos mais agradáveis sucessos brasileiros.

Imprensa

Marco Pólo del Nero se esforça no contato simpático com os jornalistas, principalmente os paulistas. Chefe da delegação brasileira, por deferência de Ricardo Teixeira, o presidente da Federação Paulista de Futebol, na verdade, tem uma função mais simbólica do que executiva. Não podemos esquecer que em 94, outro paulista chefiou a delegação e deu sorte na conquista do tetra. Seu nome: Mustafá Contursi.

FRASES

"O trabalho diferenciado com os jogadores é técnico e científico. Mas também deve ter experiência e inspiração". Moracy Santana, preparador físico da seleção brasileira.

"Kevin Kuranyi não poderia ser cortado da Copa do Mundo. Esse foi mais um equívoco do nosso técnico". Klauss Zergel, jornalista alemão, que não morre de amores por Klinsmann.

"Depois do exagero de alguns torcedores chegamos a pensar em sair de Weggis". Américo Faria, administrador da CBF, reclamando do comportamento de alguns brasileiros e suíços nos treinos do Brasil.

"Vocês já ganharam cinco vezes e nós apenas uma. Deixa a gente vencer a segunda". Jean Alavosier, jornalista francês, brincando com colegas brasileiros.

TOQUE FINAL

Luiz Felipe Scolari é um treinador competente. Suas conquistas nos clubes por onde passou e na seleção brasileira comprovam sua vitoriosa trajetória.

Depois do vice-campeonato na Eurocopa, seu maior desafio será levar a seleção portuguesa a uma classificação positiva neste Mundial.

Inteligentemente, ele procura tirar o peso da responsabilidade de seus jogadores. E, ao mesmo tempo, envolve todo o país numa corrente pra-frente jamais vista na história esportiva de Portugal.

Na conversa com amigos, Felipão tem dito que se chegar entre os oito melhores está muito bom. Mas lá no fundo, ele sabe que dependendo das circunstâncias, sua equipe pode até ir mais longe.

Contestado no início do seu trabalho há quase quatro anos, Scolari conseguiu impor respeito e admiração. É claro que também arrumou vários inimigos entre jornalistas, dirigentes, jogadores e torcedores. Mas o balanço de simpatia e antipatia lhe é francamente favorável.

Levando a vida e a profissão a sua maneira, o treinador brasileiro já confirmou aqui na Europa que é competente. A intenção da Federação Inglesa em contratá-lo após a Copa da Alemanha é uma comprovação do seu talento.

Diferente dos jogadores brasileiros, nossos técnicos não conseguiram a mesma projeção no exterior, principalmente aqui na Europa. É uma incoerência. Afinal, teremos incluindo Parreira, cinco treinadores nas 32 seleções que disputarão o torneio aqui na Alemanha.

Mesmo assim, jornalistas e cartolas europeus não tratam nossos treinadores da mesma forma e com o mesmo respeito que os jogadores.