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Liberdade para Ronaldinho
7 de Junho de 2006, 11:24
Márcio Bernardes*/Especial para BR Press

(Munique, BR Press) - Gostei da enfática declaração de Parreira. Ronaldinho Gaúcho pode jogar na seleção da mesma forma que no Barcelona. Seu futebol não deve perder a alegria, beleza e eficiência.

Essa discussão acontece há certo tempo e alguns críticos notam diferenças nos “dois Ronaldinhos”. Essa avaliação pode ter equívocos e também conter coincidências. A diferença do futebol de Ronaldinho no Barcelona e na seleção, vez por outra, deixa Parreira numa saia justa. Chegaram a dizer que o esquema do treinador asfixia o craque.

Já ouvi que no Barcelona Frank Rikjaard dá total liberdade a Ronaldinho e Parreira deveria fazer o mesmo na seleção. A diferença é que na seleção o meia cai pela esquerda com mais constância. E não se desloca tanto pela direita ? até para não trombar com Kaká, que joga por aquele setor.

Apesar de ser uma grande equipe composta de ótimos valores, é impossível comparar os craques do Barcelona com os da seleção brasileira. Ninguém duvida que Ronaldinho seja muito marcado nesta Copa. Ele tem capacidade para se livrar desses adversários. E se por acaso, em algum momento isso não acontecer, surgirão outros craques do nosso time com similar categoria e capacidade.

Um bom exemplo disto foi o amistoso contra a Nova Zelândia. Dois volantes marcavam Ronaldinho em cima. E ainda ficava um terceiro na sobra. Quem brilhou naquela tarde foi Kaká, eleito o bambambã do jogo. Isso aconteceu também porque ele não mereceu tanta atenção neozelandesa.

O discurso de Parreira precisa agora ser confirmado em campo. Definitivamente essas coincidências cessarão e os críticos se calarão.

QUENTINHAS

Bolo para Cafu

Até agora não apareceu o pai da criança. Ou seria a mãe? Essa história do bolo para Cafu comemorar com os companheiros os seus 36 anos durante o café da manhã acabou sobrando para a nutricionista Silvia Martins.

O bom senso mandava uma festinha após o jantar e não logo cedo. A moça ganhou uma vaia imerecida. Quem levou o bolo foi o cozinheiro do hotel.

Pai-de-santo alemão

O jornal alemão Bild, de conteúdo editorial escandaloso, daquele tipo que se espremer sai sangue, recorreu ao folclore para afirmar que depois de estudos científicos e astrológicos, chegaram à conclusão de que a seleção alemã vai golear a Costa Rica por 5 a 0, nesta quinta (08/06). Aqui também tem as “mães Dinahs e Robérios de Oguns” da vida.

Kahn em todas

Ainda sobre a seleção alemã, é evidente a diferença do prestígio de Jens Lehmann, que ganhou a condição de titular de Oliver Kahn no gol germânico. Não se vê pela Alemanha nenhuma publicidade com o preferido de Klinsmann.

Enquanto isso, Kahn protagoniza pelo menos umas cinco campanhas de diferentes produtos. Seu carisma continua inatingível.

Zagallo Arena

Foi muito justa a homenagem do Clube de Konigstein, da 5ª. Divisão alemã, que cedeu suas instalações para os treinamentos da seleção brasileira.

Denominar de “Zagallo Arena” uma parte do complexo esportivo é reverenciar em vida alguém que tem uma vitoriosa história no futebol mundial. O Velho-Lobo ficou emocionado com a iniciativa.

Ora, pois

É impressionante a transformação do comportamento da imprensa portuguesa com Luiz Felipe Scolari. Quando ele foi contratado, há quase quatro anos, houve uma manifestação negativa com conotações puramente preconceituosas.

Pelo seu jeito de ser e personalidade forte, Felipão tem também alguns inimigos no país, mas isso deve ser levado para o lado pessoal. A galera está com ele.

Pegou no tranco

Agora pegou fogo na Alemanha o tema Copa do Mundo. A reação do povo estava tão fria quanto o tempo nas principais regiões do país. Com o jogo desta quinta (08/06) contra a Costa Rica e a conseqüente abertura do Mundial, o país que faz do futebol o seu esporte preferido, ficará totalmente envolvido nos jogos, nos espetáculos e na festa destes próximos 30 dias.

Furacão verde-amarelo

O que já havia acontecido em Weggis, na Suíça, se repete em Konigstein, Alemanha. A chegada da seleção brasileira transformou as duas pequenas cidades.

Elas não serão mais as mesmas depois da passagem dos craques de Parreira. Cada vez mais, é importante salientar que a camisa amarela provoca reações frenéticas de todo tipo de gente ao redor do mundo.

FRASES

“A zaga não pode ser cobrada por alguns lances de velocidade do adversário, principalmente nos contra-ataques. Mas estamos nos entrosando bem com os volantes e laterais, para evitarmos imprevistos”. Lucio e Juan, zagueiros da seleção, batendo e alisando.

“A seleção brasileira é a que atrai mais atenção por parte da mídia internacional. Até mais que a seleção alemã, anfitriã do Mundial”. Jean Pierre Mels, do setor de imprensa da Fifa.

“Essa seleção brasileira deve valer um total de U$ 1 bilhão e duzentos mil”. Notícia da ESPN internacional, que fez por conta própria o cálculo dos passes dos jogadores de Parreira.

“É difícil encontrar um grupo tão unido, focado, alegre e consciente de sua missão”. Emerson, que exerce indiscutível liderança sobre os companheiros, desmentido alguns críticos.

TOQUE FINAL

Todo (o) mundo ligado

Uma preocupação especial aqui na Alemanha: a segurança de jogadores, autoridades e visitantes. Isso já vem acontecendo com regularidade nas últimas Copas.

Por ser um evento que atrai a atenção de todo mundo ? bilhões de pessoas vão acompanhar o Mundial nos cinco continentes ?, é claro que acaba se tornando também uma preocupação, especialmente com atentados terroristas.

Há alguns anos o serviço de segurança da Alemanha vem fazendo estudos de prevenção em aeroportos, estações de trem e metrô, pontos turísticos e locais de grandes aglomerações.

Os órgãos de segurança dos principais países europeus e dos Estados Unidos estão também participando dessas missões.

Algumas seleções estão merecendo uma atenção diferenciada: Irã e Estados Unidos, por posições políticas de seus governos. Além de Alemanha, Espanha, Itália e Brasil, pela atração natural que sempre despertam.

Tudo azul

As autoridades que já chegaram e outras que estão chegando são problemas especiais de segurança, mas o esquema também está definido e a previsão é que não tenhamos problemas. Tomara!

Terrorismo internacional é um fato verdadeiro no mundo moderno. Temos de lutar contra ele e sempre protestar contra esse tipo de ação. Não se concebe em pleno século 21 discutirmos divergências ? políticas, religiosas e ideológicas ?, com bombas e armas.

Os organismos internacionais funcionam a pleno vapor. Esse é o caminho da busca de entendimento.

(*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .