Márcio Bernardes
Últimas colunas
Partida digna de uma final
10 de Julho de 2006
Final será uma festa
9 de Julho de 2006
Final pode ser empolgante
6 de Julho de 2006
Tempo vai contar a verdade
5 de Julho de 2006
Meus pêsames?
4 de Julho de 2006
Meus pêsames?
4 de Julho de 2006
The day after
3 de Julho de 2006
Convenhamos, venceu o melhor!
1 de Julho de 2006
Reposta brasileira
30 de Junho de 2006
Jogaço e zebra total
30 de Junho de 2006
Brasil continua favorito
28 de Junho de 2006
Outras colunas
Sérgio Rizzo
Segunda Opinião, por Alexandre Baçallo
Opinião e Análise

Maior Copa de todos os tempos?
8 de Junho de 2006, 01:07
(Munique, BR Press) - A Copa do Mundo começa nesta sexta-feira (10/09) aqui em Munique com números expressivos. Os alemães pretendem chegar ao dia 9 de julho com a consagração e o reconhecimento de que este será o maior evento de todos os tempos. 4,175 bilhões de euros foram investidos na construção, remodelação e reforma dos 12 estádios que abrigarão os jogos. A logística de um acontecimento deste tamanho não é brincadeira. Foram 3,2 milhões de ingressos vendidos e a expectativa é que 30 bilhões de pessoas representem a audiência acumulada nos 30 dias de competição. E a Fifa arrecadará R$ 530 milhões, com serviços vips (camarotes) durante todos os jogos. A entidade também vai injetar R$ 27,5 bilhões na economia local com a realização do Mundial. A partir de agora, e até julho, serão vendidas 15 milhões de bolas oficiais. No Brasil o seu custo unitário é R$ 399,00. Nada mais no mundo consegue atrair com esta dimensão homens, mulheres, crianças, gente de todo tipo, idade, conceitos, culturas e continentes. Mas com a bola rolando, todos esses números gigantescos acabam ficando em segundo plano. O que vale é o espetáculo. A qualidade das partidas será a tônica de hoje em diante. Show de bola O futebol é tratado pelo mundo como um show. É igual ao concerto de uma orquestra sinfônica ou de um grupo de rock. Essa realidade foi absorvida por parte da mídia e pela população. Apesar da disputa esportiva e do status conseguido pelo vencedor, Copa do Mundo é show, é festa. Assim eles tratam o evento aqui na Europa. No Brasil, até por questões culturais, muitas vezes encaramos o futebol de um jeito diferente de outros países. Estive anteontem no fantástico estádio Allianz, construído pela iniciativa privada e que ficou pronto no ano passado. Acompanhei o ensaio do espetáculo que será apresentado antes do jogo Alemanha e Costa Rica. Claro que eles vão falar da força do país-anfitrião, das cidades e regiões que abrigarão os jogos, da cultura germânica e suas tradições. Mas haverá um momento especial e que deverá emocionar. Serão homenageadas as seleções campeãs do mundo. Primeiro entrarão os países que ganharam apenas uma vez (França e Inglaterra), depois virão os representantes de quem ganhou duas vezes (Argentina e Uruguai), na seqüência quem conquistou três Copas (Itália e Alemanha) e finalmente o Brasil, que foi cinco vezes campeão. Quem tiver um tempo para assistir ao jogo inaugural do Mundial, às 13h, faça uma força para ligar a televisão um pouco mais cedo, às 10h. Será empolgante, tenha certeza. QUENTINHAS Baixa na França A França perdeu um dos seus maiores craques. Djibril Cissé quebrou a perna no amistoso contra a China vencido pelos Blues, por três a um. É o décimo sexto convocado entre as 32 seleções que não jogarão a Copa da Alemanha. Raymond Domenech, técnico francês, tem toda razão em dizer que não foi apenas a França que perdeu. O futebol-espetáculo também. Racismo nunca mais Todos os estádios que abrigarão os jogos desta Copa estenderão uma faixa-gigante com a frase Say No to Racism (Diga não ao racismo). A Fifa quer comprovar o compromisso do mundo do futebol na luta contra o racismo no esporte, que tem se alastrado aqui na Europa. É uma bela iniciativa e que deverá atingir as consciências dos mais ou menos radicais. Das Arábias Não sei se o brasileiro Marcos Paquetá está realmente tranqüilo com a declaração do presidente da federação árabe de futebol. Segundo o príncipe Abdul Aziz Faissal, independente do resultado que conseguir na Alemanha, Paquetá ficará mais dois anos no cargo. E garantiu que o contrato do treinador será renovado. Quem deve ter debochado dessa declaração foi Carlos Alberto Parreira. Como se sabe, na França, em 98, o atual técnico brasileiro foi demitido em plena competição, após os dois primeiros jogos com duas conseqüentes derrotas. A Arábia terminou aquela Copa com um assistente do assistente dirigindo a equipe no terceiro e último jogo. Belas ´marias chuteiras´ Kaká não quis fazer comentários sobre a eleição de sua mulher, Caroline Celico, como uma das mais bonitas esposas ou namoradas de jogadores de todo mundo. Aliás, ele não fez cara de bons amigos quando os repórteres comentaram o assunto. Deu a impressão que não quer misturar as coisas. E que sua vida pessoal deve ser mantida a parte das fofocas do futebol. Aliás, ainda sobre esse assunto, quem ficou todo orgulhoso foi o goleiro Casillas, da Espanha. A namorada dele, Eva Gonzalez, que também é Miss Espanha 2003, foi escolhida como a mais bonita de todas. As reações das pessoas são as mais distintas possíveis. Ronaldo, por exemplo, nem deu bola quando comentaram com ele sobre a escolha de Raica de Oliveira como uma das cinco mais bonitas. FRASES "Não estou gordo! Vocês estão exagerando". Ronaldo, incomodado com as notícias de que ele está acima do peso. "O clima deste grupo está muito tranqüilo". Opinião unânime e desconfiada dos jornalistas que cobrem a seleção brasileira. "Como será o time titular que estreará na Alemanha?". Carlos Alberto Parreira, irônico, ao responder a pergunta do repórter Tino Marcos, da Rede Globo, sobre qual a pergunta que não teria sido feita para ele até agora. "Quando der vou mesmo para o ataque". Lúcio, respondendo aos repórteres sobre suas inesperadas investidas no campo adversário. "Italiano eu engano, espanhol domino perfeitamente e o inglês estou estudando". Roberto Carlos, falando de suas qualidade de quase-poliglota. TOQUE FINAL Adeus, Fiori O futebol perdeu Fiori Gigliotti. Ele nem viria para a Alemanha, pois a rádio Capital, onde estava trabalhando, não tinha comprado os direitos de transmissão. Um dos maiores locutores que o Brasil conheceu, com um estilo próprio e inconfundível, Fiori, 77 anos, acaba de partir na véspera de um evento que ele cobriu desde 1958. Seus bordões ficaram tão marcados que na linguagem coloquial, várias vezes, em público ou nas rodinhas de amigos, eram comuns comentarem um gol ou um lance seguidos das frases empolgantes transmitidas por ele. Nunca trabalhei diretamente com Fiori. Esse é um vazio na minha carreira. Mas convivemos intensamente, principalmente nas muitas viagens pelo interior, pelo Brasil e todo mundo. Sempre recebi dele um tratamento carinhoso, fraternal, amigo e leal. Lembro-me dos muitos conselhos que ele me passava. Apesar de trabalharmos em empresas concorrentes, nunca nutrimos esse sentimento um pelo outro. Fui professor do Marcelo na Fiam. Único filho de Fiori, são-paulino fanático, sempre acompanhava o pai nos estádios e até hoje não sei por que não se tornou um dos nossos. Apesar da alegria de um evento como o que está começando hoje, outros dois grandes profissionais também partiram para a morada eterna nesta época. João Saldanha, que chegou a viajar muito doente para a Itália e era transportado em cadeira de rodas pelo centro de imprensa, morreu no meio da competição. E outro fantástico comunicador, Pedro Luis, morreu no dia da final da Copa da França, em 98. Deus acabou de receber no céu um filho ilustre. E aqui da Alemanha envio a dona Adelaide e ao Marcelo a minha fraternidade, o meu carinho, a minha eterna saudade e os meus respeitos. (*) Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio, comentarista da TV Cultura e colunista da BR Press. Está na Alemanha cobrindo sua 9a. Copa do Mundo. Fale com ele pelo e-mail pauta@brpress.net .