Opinião e Análise

Argentina escapou de Felipão, mas não da Alemanha
21 de Junho de 2006, 07:38
DORTMUND - Nenhuma das 15 outras seleções que já passaram ou vão passar para a segunda fase quer pegar logo a Alemanha. Não é preciso explicar os motivos. Inglaterra e Suécia brigaram ontem para evitar o confronto precoce com os donos da casa. Sobrou para os suecos, que adotaram por aqui discurso de conformismo diante da possibilidade de eliminação.

Talvez seja apenas jogo de cena, é claro. As chances da Suécia aumentam na medida em que o favoritismo pesar sobre o time arroz-com-feijão da Alemanha.

Mas será difícil, muito difícil, dentro e fora de campo, que os alemães caiam ainda nas oitavas-de-final. Se é que você me entende.

Na hipótese de alcançarem as quartas-de-final, quem eles terão pela frente? Argentina ou México, no Estádio Olímpico de Berlim, em 30 de junho.

Ou seja: com a liderança do grupo, os argentinos escaparam de um duelo indigesto contra Portugal de Felipão. Mas, se passarem (como se espera) pelo México, vão pegar os donos da casa em plena capital.

Na Copa de 1974, os então alemães ocidentais viveram situação parecida. Se ficassem em primeiro lugar no grupo, disputariam a segunda fase com Holanda e Brasil. Aí, perderam um jogo estranhíssimo para a então Alemanha Oriental.

Ficaram em segundo lugar, foram para o grupo da Polônia, freguesa antiga, e chegaram à final contra a Holanda -- que venceram mesmo com time inferior, 2 a 1, no Estádio Olímpico de Munique.

Com Alemanha e Argentina na mesma rota, uma vaga na semifinal pertencerá ao alinhamento de Inglaterra, Portugal, Equador e Holanda. Se jogassem todo o futebol que poderiam (e se estivessem completos), apostaria nos ingleses. Mas desconfio que a enorme estrela de Felipão -- sorte acompanhada de competência -- o levará outra vez a uma semifinal de Copa.

Que poderia ser, como sabe você que já examinou a tabela, contra o Brasil.

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