Márcio Bernardes
Buffon foi diplomático, com aquela história de respeitar o adversário e ser respeitado por ele, mas você tem por aí uma idéia do que seria reeditar as finais de 1970 e 1994 (e as quartas-de-final de 1982) logo no início da fase de mata-mata. Melhor deixar um confronto tenso desses para mais tarde.
Melhor, portanto, encarar Gana. Em tese, ao menos.
Nossa preparação para a Copa durou oficialmente três anos e meio. Nesse período, a lógica seria experimentar um pouco de tudo o que o Brasil teria pela frente na Alemanha. Um time competitivo africano, por exemplo. Pois jogamos pela última vez contra uma seleção do continente na distante Copa das Confederações de 2003, na França.
Na ocasião, perdemos para Camarões, 1 a 0, com um elenco que incluía Belletti, Kléber, Kléberson e Gil. Um pouco antes, batemos a Nigéria, 3 a 0, em amistoso realizado em Abuja. Eduardo Costa, Fábio Luciano e Luís Fabiano jogaram. Faz tempo. As Eliminatórias vieram e nenhuma dessas duas seleções se classificou para a Copa.
Da África, vieram cinco times que a seleção de Parreira desconhece ou conhece de longe, sem a vivência de enfrentar em campo. Agora, vamos pegar justamente a mais perigosa delas.
Só para redobrar a atenção: fomos eliminados na semifinal do torneio de futebol das Olimpíadas de 1996 pela Nigéria (que depois bateu a Argentina na final) e nas quartas-de-final das Olimpíadas de 2000 por Camarões (que derrotou a Espanha na final).
Em ambas as situações, o Brasil adotou a postura de quem considerava que os adversários deveriam se sentir honrados de jogar contra nós. Foi pego no contrapé.
A goleada contra o Japão encerra a fase de aquecimento do Brasil para a Copa, que começa para valer no dia 27. Não sei você, mas eu queria mesmo ver todo mundo que o Parreira pôs para jogar hoje com a camisa de titular.
Ainda que o adversário no Westfalenstadion não fosse nenhuma Argentina, parece-me que melhorou muito o jogo pelas laterais, a chegada dos volantes ao ataque e a movimentação pelo meio. E, afinal, o Ronaldo desencantou. Valeu.
As trocas foram boas. Quem sabe Parreira não resolve efetivar ao menos uma ou duas delas? Enquanto isso, que a rapaziada assista aos jogos de Gana e que o Gilberto Silva, do Arsenal, ensine a anular o Essien, do Chelsea, o principal distribuidor de jogo do time africano. O próprio Gilberto Silva pode cuidar da tarefa.
Por fim, calçar as sandálias da humildade também não custa nada. Nós é que estamos honrados pela oportunidade de jogar contra os bravos ganenses.