Márcio Bernardes
Em nome desse projeto, assiste-se a um monte de partidas sem interesse ou, então, disputadas por uma seleção de verdade contra outra que só quer impedir quem sabe jogar de fazê-lo. Quase todos os dias, às vezes em três horários, durante um mês.
Claro, aumenta o número de países na festa. E de ingressos vendidos, e de cotas de transmissão e de patrocínio, e de pacotes turísticos. Não sejamos ingênuos.
Nos antigos moldes, só agora a Copa começaria, com os 16 times divididos em quatro grupos, equivalentes às quatro rotas definidas hoje para as finais.
Sinta como seria outra Copa, bem mais competitiva e emocionante:
Grupo A: Alemanha, Argentina, México e Suécia.
Grupo B: Equador, Holanda, Inglaterra e Portugal.
Grupo C: Austrália, Itália, Suíça e Ucrânia.
Grupo D: Brasil, Espanha, França e Gana.
Seis campeões mundiais em 16, quase 50%. Só os dois primeiros de cada grupo iriam adiante, para quartas-de-final sensacionais.
E, por um capricho do destino e/ou por equilíbrio no sorteio, todos os grupos teriam seleções representando mais de uma das seis confederações que integram a FIFA. (Faltaria a turma da Ásia -- que, você sabe, faz uma falta danada.)
Veja então o paradoxo: até agora, a Copa só valeu para separar competidores, de um lado, e turistas, de outro. A partir deste sábado, a competição terá início para valer. E, daqui a meros quatro dias, só restarão oito seleções.
Demora muito para começar e, quando começa, pimba: ejaculação precoce.