Opinião e Análise

Do jeito que Felipão adora
25 de Junho de 2006, 06:25
DORTMUND - Quem te viu e quem te vê, Portugal. Durante mais de uma década, aguardou-se a explosão da geração que foi bicampeã mundial sub-21 em 1989 e 1991 (aqui, derrotando o Brasil na final). Nada. Só desilusão em cima de desilusão.

A Batalha de Nuremberg mostrou hoje o espírito vencedor que sempre se esperou dessa turma (da qual o único remanescente é Luís Figo). Até os postes de Lisboa, como diria Mino Carta, sabem quem é o responsável por isso.

Torcedores do Grêmio e do Palmeiras conhecem muito bem o estilo Felipão de agir. O Brasil todo sentiu um pouco disso em 2002.

Resumidamente, funciona assim: no início, ele ignora paradigmas, implanta métodos que parecem estranhos a muitos e, por causa disso, leva paulada; com o tempo e os resultados, compreende-se que o sujeito é um excelente administrador de talentos, trabalha com planejamento de longo prazo e, embora não seja brilhante como estrategista, sabe o bastante para duelar com enxadristas (ou supostos enxadristas) de banco. Aqueles presunçosos de terno Armani.

O Frankestadion de Nuremberg não assistiu hoje a uma partida normal, digamos. Foram quatro expulsões, mas poderiam ser seis. Houve um pênalti contra Portugal, faltas não marcadas para ambos os lados, agressões e um clima de rivalidade que comprometeu a beleza do jogo.

A seu modo, no entanto, foi um jogo belo. Épico, para Portugal. Sob medida para a maneira Scolari de trabalhar. E inspirador para o duelo das quartas-de-final contra a Inglaterra, no próximo sábado, em Gelsenkirchen. Deco fará falta, Costinha nem tanto.

Será, quem sabe, a ocasião para que os dirigentes ingleses se arrependam de ter colocado uma faca no pescoço de Felipão, exigindo que ele anunciasse antes da Copa seu compromisso com a Inglaterra. Se esperassem um pouco, o teriam.

Agora, talvez comprovem, com um gosto amargo, o que já sabem: perto dele, o sueco Sven-Goran Eriksson é um bom treinador para times escandinavos.

E, com perdão a Terry, Lampard e Gerrard, que a valente seleção portuguesa acabe também com o reinado metrossexual desse enganador chamado David Beckham, com a empáfia juvenil de Wayne Rooney e, de quebra, despache os bêbados ingleses que estão na Alemanha de volta aos pubs de Londres.

Pega que são seus, Rainha.

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