Opinião e Análise

Só a Alemanha não sofreu. E o Brasil?
26 de Junho de 2006, 06:37
DORTMUND - Desse jeito, quase não era preciso marcar os jogos que antecederam as quartas-de-final. Os cabeças-de-chave dos grupos A (Alemanha), B (Inglaterra), C (Argentina), D (Portugal) e E (Itália) estão entre os oito finalistas, em companhia da Ucrânia.

Só não existe mais a possibilidade de que todos os oito cabeças se encontrem porque a Espanha, que confirmou a liderança do H, terá amanhã um duelo com a França, única seleção privilegiada no sorteio pela FIFA que não fez a lição de casa e terminou em segundo no grupo G.

Não mencionei o Brasil, cabeça do grupo F, mas suponho que, mesmo diante de dificuldades, ele se junte nesta terça-feira a seus co-irmãos.

Se o desfecho até agora foi um tanto previsível, correspondendo ao que se esperava das principais seleções, não se pode dizer que o andamento tenha sido.

Só a Alemanha, até agora, liquidou a fatura com relativa moleza.

Os demais papões sofreram. A Argentina precisou encarar prorrogação, a Itália avançou nos acréscimos, Portugal disputou batalha campal e a Inglaterra sobreviveu graças a um gol de falta.

Você não quer que o Brasil passe por maus bocados, exceto se prefere as grandes emoções. Logo, será preciso torcer para que a seleção se comporte como a da Alemanha, que em 15 minutos de jogo comunicou aos suecos quem iria seguir adiante. A pressão foi tão grande, durante toda a partida, que Larsson desperdiçou aquele pênalti que talvez complicasse os alemães no final.

Não é essa, porém, a característica da seleção brasileira. Considere como exceção aquele começo avassalador contra a Argentina na final da Copa das Confederações.

Equipes treinadas pelo Parreira tendem a inicialmente "estudar" o adversário, como se diz, à espera de que, em algum momento, descuidos de marcação ofereçam oportunidades de gol.

Esse tal momento pode demorar, e talvez seja único em toda a partida. É irritante para quem espera pressão e sufoco sobre o outro time, mas tem um grau razoável de eficiência e, de qualquer forma, a religião de Parreira não permite contrariar essa escola.

Qualquer coisa fora desse roteiro, no mata-mata contra Gana, deverá ser debitado na conta de eventual e especial inspiração dos nossos jogadores.

Possibilidade razoável também, a partir do discurso de autoconfiança ganense: uma postura agressiva dos africanos no início, com marcação avançada.

Deixe um copo de água com açúcar ao lado do sofá, por precaução.

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