Márcio Bernardes
A Argentina parecia capaz de eliminar a Alemanha. Sob condições inóspitas, manteve a vantagem pela maior parte do tempo. Dizer que perdeu para si mesma não seria de todo equivocado.
As mudanças de Pekerman jogaram o time na defensiva talvez um pouco antes do que fosse recomendável. E chegar aos pênaltis contra os alemães - qualquer seleção alemã, em qualquer estádio do mundo -- é tarefa das mais ingratas.
Na semifinal 100% européia que disputará contra a Itália, a Alemanha provará de um veneno até agora desconhecido para ela nesta Copa: pragmatismo e disciplina táticas no mínimo tão grandes quanto as dela. Talvez superiores.
Há outro dado: se a Argentina eventualmente sentiu a pressão de enfrentar o Estádio Olímpico de Berlim lotado e o país todo contra ela, a Itália tem plenas condições de se manter imune a isso. É tricampeã mundial também, joga ao lado de casa, não é o tipo de seleção que se intimide diante de ninguém.
Na última vez em que se enfrentaram, em amistoso preparativo para a Copa, os italianos ganharam dos alemães por 4 a 1. Nenhum dos 22 jogadores em campo na semifinal da próxima terça-feira terá se esquecido disso. Para o bem ou para o mal.
Sairá de Dortmund um forte candidato ao tetracampeonato. Fortíssimo, seja lá quem for.
Do outro lado, neste sábado à noite saberemos se o Clube da Europa será fechado apenas a seus membros ou se o Brasil, como um penetra impertinente, tentará repetir a proeza de 1958, quando voltou da Suécia com o caneco.
Os jogadores da seleção brasileira faziam hoje o reconhecimento de campo no Waldstadion de Frankfurt no horário em que Alemanha e Argentina jogavam. Pena. Tomara que assistam à reprise da partida antes do duelo de amanhã contra a França. A Argentina deixou lições sobre como não jogar contra um time europeu que se acredita senhor do pedaço.
É o caso da França, renascida das cinzas, extremamente autoconfiante, com um novo olhar. A imprensa francesa também estava toda prosa hoje no Waldstadion. Queremos aposentar o Zidane, mas eles querem eliminar o último intruso dessa Eurocopa fora de estação.