Márcio Bernardes
Prodi aceitou e levará com ele uma pequena delegação do governo. Será bom que eles gritem muito para reforçar a minoritária torcida italiana; o Westfalenstadion, cuja arquitetura o tornou uma impressionante caixa de ressonância, será quase todo "Deutschland!".
O primeiro-ministro italiano também escreveu uma carta de agradecimento muito gentil a Angela Merkel. "Saibamos exprimir no jogo a criatividade e a beleza", disse ele. Mas avisou: "Nós, com toda a Itália, daremos o nosso grito de incentivo. Forza Azzurri!".
Tem-se por aí uma pequena amostra do clima dessa semifinal, que vai parar boa parte da Europa. A intensa rivalidade entre os dois países cresceu diante do fato de que os italianos consideram os alemães seus velhos fregueses.
Os alemães, por sua vez, adotaram a política do sorriso, como se os italianos fossem mesmo os favoritos, seguindo uma das "leis de Klinsmann" (leia quais são no blog). Amanhã você verá se alguém vai sorrir em campo.
Como os dois países têm forte tradição de disciplina tática, a partida é encarada não só como uma disputa de controle emocional, mas também, e talvez principalmente, de uso da massa cinzenta. Coisa de enxadristas do gramado.
Klinsmann optou desde o início da Copa por um time-base e possivelmente o manteria, mas será obrigado a mudá-lo por causa da suspensão de Frings, um dos principais jogadores da equipe, fundamental na marcação e na saída de bola.
Duas peças de utilidade bem distinta se oferecem ao treinador alemão para a substituição: Borowski, do Werder Bremen, que deu de cabeça o passe para Klose marcar o gol de empate contra a Argentina, e que tornaria o time mais ofensivo; e Kehl, do Borussia Dortmund, mais "mordedor".
Klinsmann pode tirar outro coelho da cartola, mas isso obrigaria a mexer muito na estrutura que vem funcionando. Risco demais para um alemão -- até mesmo para um alemão que mora na Califórnia.
Já os italianos, os reis do xadrez futebolístico, têm três ou quatro opções táticas. É provável que Marcello Lippi ainda esteja pensando na melhor alternativa para enfrentar os alemães.
A velha escola italiana, como se sabe, preconiza observar atentamente o adversário e, então, optar por um sistema que procure neutralizar suas qualidades e explorar suas fraquezas.
Uma das alternativas traria quatro homens de meio-de-campo (Gattuso, Pirlo, Camoranesi pela direita e Perrotta pela esquerda), mais Totti um pouco avançado e apenas Luca Toni na frente.
Outra formação, sem Camoranesi, teria Zambrotta na lateral-esquerda (com a entrada de Oddo em seu lugar), fazendo avançar Grosso pela meia-esquerda e transferindo Perrotta para a meia-direita.
A opção mais ofensiva teria uma primeira linha de três no meio-de-campo (Gattuso, Pirlo e Perrotta), com Totti um pouco avançado. Na frente, Toni e Gilardino.
Sem falar em Del Piero, que não anda muito bem, mas tem a confiança de Lippi e pode exercer mais de uma função.
Antes de o jogo começar, enquanto bebericam algo na tribuna de honra, Romano pode explicar isso tudo para sua amiga Angela.