Opinião e Análise

França x Portugal não é Zidane x Felipão
4 de Julho de 2006, 07:09
MUNIQUE - Tabus existem para serem quebrados, mais cedo ou mais tarde. Antes da semifinal desta terça-feira, a Itália nunca havia perdido para a Alemanha na história das Copas e a Alemanha nunca havia perdido para ninguém em Dortmund.

O primeiro tabu continua em pé, até cair noite dessas, em 2010, 2014 ou 2018. O segundo foi para o espaço com os gols de Grosso e Del Piero.

A Alemanha termina a Copa onde não desejava, Stuttgart. Lá, disputa no sábado o terceiro lugar. Um mês atrás, a medalha de bronze seria considerada uma proeza. Agora, por conta da euforia vivida no país, será vista como um amargo prêmio de consolação.

A Itália, a desacreditada Itália, é quem vai a Berlim para a final de domingo. Cannavaro pode sair na foto que entrará para a história levantando a taça. Saberemos nesta quarta-feira se a outra possibilidade atenderá pelo nome de Figo ou de Zidane.

Quem acredita na força dos tabus apostará na França, que tem ampla vantagem no confronto direto com os portugueses. Essa não parece, contudo, a melhor forma de encarar um jogo que tenderá a ser muito equilibrado.

E que, diferentemente do que o circo da mídia quer propor, não equivale a uma disputa entre Felipão e Zidane.

Por mais que eles tenham boa parcela de responsabilidade pela chegada às semifinais, seria desrespeito e miopia reduzir aos dois a força das seleções de Portugal e França.

Sobre Portugal, sugiro que o internauta visite o blog para conferir a relação de sete destaques (acrescentei um oitavo) feita hoje pelo jornal português "A Bola".

Uma empresa de telefonia francesa publicou ontem um anúncio em que homenageia os jogadores da seleção chamando-os de "inhos", como tantos brasileiros: Ribérynho, Sagnolinho, Abidalinho, Maloudinho e por aí vai.

Vamos entrar na brincadeira. Zidaninho Argelino é, claro, o craque da equipe, encarnação do significado mágico da camisa 10. Não conseguiria tocar o piano, contudo, se não fosse acompanhado por gente de qualidade que ajuda a carregá-lo e que também arrisca dedilhar algumas notas.

O sistema defensivo, por exemplo, não fica muito atrás do italiano em eficiência, com Thuraminho e Gallasinho erguendo no centro uma parede difícil de ultrapassar.

Para esse trabalho, contam com a ajuda valiosa de Makelelinho. O Real Madrid sabe o que custou perdê-lo para o Chelsea: uma desordem jamais arrumada na proteção à zaga dos "galáticos".

Cabe a Vieirainho, um buldogue, funcionar como o motor do meio-de-campo, também combatendo (o verbo é corretíssimo) o adversário e fazendo a bola chegar a Zidaninho Argelino, Ribérynho e Maloudinho.

Henrynho, lá na frente, não costuma perdoar vacilo. Foi arrumar a meia e descansar? Tomou gol.

A espinha dorsal desse time é formada por veteranos. Suposta vantagem no terreno emocional, mas que pode eventualmente ter um preço elevado se o jogo desta quarta-feira for para a prorrogação.

E tem ainda no banco o Raymond Domenechão. Treinador se valoriza com outro sufixo.

> Comente esta coluna no Blog do Sérgio Rizzo