Márcio Bernardes
Fica para a África do Sul, em 2010, a próxima esperança de novidade. Os africanos dizem que a Copa será deles. Se a Coréia do Sul em 2002 quase chegou, no futebol e nos bastidores, por que duvidar?
Só quem ama o risco para apostar cegamente em Itália ou França. O equilíbrio que se previa e que se confirmou nas semifinais se estenderá naturalmente a uma decisão que, no início da Copa, era altamente improvável.
A Itália chegou à Alemanha sob o trauma do escândalo de manipulação de resultados que pode enviar a Juventus para a Série C (leia no blog as penas propostas pela justiça esportiva italiana).
Além disso, o trabalho de Marcello Lippi era discreto demais para que a equipe tivesse pinta de favorita. E, de fato, não fez uma primeira fase que justificasse admiração. Depois, passou pela Austrália com um pênalti malandro no final.
Só nos 3 a 0 contra a Ucrânia é que a Itália começou a fazer valer a máxima das Copas: esta é uma competição de tiro curto, geralmente vencida por quem vai crescendo jogo a jogo, encontrando assim sua melhor formação, até chegar ao ponto máximo na sétima partida.
A final de domingo mostrará se os italianos ainda estão na ascendente ou se o ponto máximo foi alcançado contra a Alemanha. Em tese, a prorrogação na semifinal de terça-feira os deixou um pouco mais desgastados fisicamente do que a França, mas os franceses têm uma equipe com idade média um pouco maior e terão um dia a menos para descansar (o que faz diferença com este calor e umidade). Zero a zero.
A França, por sua vez, desembarcou na Alemanha desacreditada pela campanha pálida nas Eliminatórias e sob a suspeita de que repetiria o fiasco de 2002. Houve quem pensasse nisso, inclusive na França, durante a primeira fase. Depois, contra a Espanha, teve início trajetória semelhante à italiana.
Lippi conhece muito bem a França. Raymond Domenech conhece muito bem a Itália. Entre arqui-rivais da Europa, como se viu na semifinal de Dortmund, não há muito espaço para surpresas. Cada um sabe perfeitamente o que terá pela frente.
Será também um jogo de compadres, por assim dizer. Zidane brilhou na Juventus, onde jogam hoje Thuram, Vieira e Trezeguet ao lado de Buffon, Cannavaro, Zambrotta, Camoranesi e Del Piero. É possível que todos eles arrumem novos clubes se a Juve for rebaixada.
Os outros jogadores se encontram a toda hora pelas competições européias. Mas o compadrio será suspenso, não tenha dúvida, por 90 ou 120 minutos, ao menos até que Cannavaro ou Zidane posem para aquela foto aguardada que entrará para a história.