Não é esse o espírito, contudo, que Alemanha e Portugal deveriam levar a campo neste sábado em Stuttgart, o destino indesejado pelas duas seleções. Poderia naturalmente ser a final. Por pouco não foi.
Até os italianos reconheceram que, se houvesse disputa de pênaltis na semifinal de Dortmund, eles perderiam. A Alemanha sempre foi infalível nesse quesito e a Itália vem de traumas em 1994 e 1998.
Pois bem: ainda que os italianos estivessem mais próximos da vitória ao longo da partida, os alemães só precisavam resistir por mais dois minutos.
Aí, Pirlo teve clarividência extraordinária para aquele momento da partida, quando cérebro e pernas já não funcionam direito, e Grosso inscreveu seu nome na história do futebol italiano.
Os portugueses podem argumentar que outro juiz não teria dado pênalti na semifinal de Munique e, de quebra, amarelaria Henry por simulação. Parece razoável supor isso, dada a enorme diferença de critérios exibida pela arbitragem na Copa.
Mesmo com o pênalti, no entanto, bastaria que Figo tivesse aproveitado aquele presentão de Barthez no final para que a partida fosse à prorrogação, com provável vantagem física e psicológica, naquela altura, para Portugal.
De qualquer forma, as campanhas de alemães e portugueses os credenciaram para uma nobre disputa pelo terceiro lugar. A torcida alemã, refeita da desilusão de Dortmund, trocou o slogan "nós vamos a Berlim" por "Stuttgart é mais bonita do que Berlim".
"Fair play", nessa Copa, veio quase sempre assim, da arquibancada e das ruas.
O Brasil tem uma experiência parecida, em 1978, quando enfrentou a Itália, num jogo dos mais técnicos e agradáveis daquela Copa, para sair invicto e de cabeça erguida de um Mundial cercado de situações estranhas, digamos.
Foi o último jogo de Rivellino em Copas, 2 a 1 para o Brasil, em Buenos Aires. Ali, o falecido treinador Cláudio Coutinho usou o célebre termo "campeão moral" para se referir à seleção.
E aquele time da Itália em 1978, não custa lembrar, foi a base da equipe que, quatro anos depois, treinada pelo mesmo Enzo Bearzot, bateu o Brasil em Barcelona, 3 a 2, no que até os italianos consideram a final antecipada da Copa de 1982.
Vai saber se, em 2010, Alemanha e Portugal não estarão em Johanesburgo no último, e não no penúltimo, dia do Mundial.