| INGLATERRA - 1966 |

Países inscritos: 53
Participantes: 16
Gols: 89
Média de gols: 2,78
Média de público: 50.458
O primeiro seria atingido com um número recorde: 1 bilhão e meio de libras esterlinas foram arrecadados nas 32 partidas da fase final. Sem contar que os ingleses ganharam com o turismo mais de 400 mil libras, incluindo-se entre as despesas os astronômicos gastos com o preparo da seleção nacional e os prêmios por empate e vitória pagos aos 22 jogadores campeões.
Alf Ramsey representava, de fato, uma mudança de mentalidade no comando do centenário English Team. O novo treinador assumiu em 1963 e, apesar de um mau começo - derrota de 5 x 2 para a França em jogo da Copa Européia das Nações -, os efeitos dos seus métodos de treinamento não tardaram a se fazer sentir. Ramsey não era bem um estrategista, um engenhoso criador de táticas e sistemas. Mas, fora de qualquer dúvida, era um trabalhador incansável, que levava os seus jogadores a campo bem cedo, pela manhã, e só os tirava de lá quando atingia seu objetivo.
Ramsey sabia que a oitava Copa do Mundo seria, talvez, a mais difícil de todas até então disputadas. Na Europa, todos se preparavam intensivamente, adaptando-se a uma nova concepção de futebol, segundo a qual os grandes talentos individuais teriam de abrir mão de seu virtuosismo para se transformarem em partes de um conjunto ajustado quase cientificamente. Na Copa do Mundo de 1966, o futebol do craque haveria de dar lugar ao futebol do time. Estrelas como Garrincha - capaz de ganhar quase sozinho o título para o Brasil - deixariam de brilhar para que jogadores menos dotados, mas coletivistas, mudassem a ordem das coisas.
Mera fatalidade?
Os principais treinadores europeus - entre eles o inglês Alf Ramsey e o alemão Helmut Schoen - acabaram abrindo os olhos no dia em que a modestíssima seleção da Bélgica goleou a do Brasil por 5 x 1, em Bruxelas, durante a excursão que os bicampeões mundiais realizaram à Europa, em 1963. Enquanto os experts brasileiros atribuíram aquele resultado a uma "fatalidade completamente fora de lógica", Ramsey, Schoen e outros começavam a se convencer de que o treinador belga Mollet bem podia estar com a razão. Pelo menos, uma Seleção Belga, formada por jogadores medíocres, se impusera, pelo fôlego, pela velocidade, pelo rendimento, a uma Seleção Brasileira na qual atuavam craques como Djalma Santos, Zito, Mauro, Amarildo, Zagalo, todos participantes da brilhante campanha do bicampeonato no Chile.
O Brasil sem time
Quanto aos jovens sem experiência, tinham sobretudo no mineiro Tostão e no gaúcho Alcindo dois casos interessantes. Convocados apenas para agradar ao pessoal dos estados a que pertenciam, os dois acabaram por ganhar seus lugares entre os 22 e forçaram Feola a cortar gente que já tinha passaporte visado. Por exemplo, o paulista Servílio, a quem a torcida do Palmeiras queria ver como titular em dupla com Pelé. De qualquer maneira, o fato é que Feola chegou à Inglaterra sem ter na cabeça o time para a estréia na Copa.
As oitavas-de-final começaram frias, com a maioria das equipes jogando um futebol retrancado e violento. No Grupo 1, os resultados obedeceram à lógica: classificação de Inglaterra e Uruguai, eliminação de França e México. No Grupo 2, houve a decepção espanhola, mas Alemanha Ocidental e Argentina confirmaram o que delas se esperava. A Suíça, sem ter ganhado um ponto sequer, foi eliminada com a Espanha de Luisito Suárez e Gento. Já no grupo disputado em Middlesbrough e Sunderland, duas cidades do norte da Inglaterra, a União Soviética voltava a se classificar, mas - numa das maiores surpresas já registradas na história das Copas do Mundo - a cotadíssima Itália era derrotada pela frágil Coréia do Norte e ia fazer companhia ao Chile entre os eliminados.
O Brasil caiu num grupo reconhecidamente difícil. Estreou contra a Bulgária, vencendo por 2 x 0, gols de Pelé e de Garrincha, ambos em cobrança de falta nas proximidades da área. Já então a seleção refletia a desorganização de toda a comissão técnica. Carlos Nascimento e Feola raramente chegavam a um acordo sobre a formação do time. Nossos jogadores tinham problemas médicos, músculos cansados, minados, frouxos. Resultado: desastre total. Os húngaros, melhores técnica e fisicamente, venceram por 3 x 1 e deixaram o Brasil na dependência de um milagre para continuar a pensar no tri: só passaria às quartas-de-final se vencesse Portugal por uma diferença mínima de três gols.
O jogo foi disputado em 19 de julho em Liverpool. Muita coisa estranha de fato aconteceu dentro do campo: os portugueses evitaram chutar em gol nos primeiros minutos, não jogaram tão fechados na defesa, tentaram fazer a bola correr em banho-maria. Mas a Seleção Brasileira estava tão mal, novamente modificada (Feola utilizara vinte jogadores nas três partidas), que os portugueses chegaram aos 2 x 0 quase sem querer, Simões marcando o primeiro gol de cabeça da sua vida e Eusébio aproveitando uma bobeada de toda a defesa brasileira. Três a um foi o resultado final do jogo, o Brasil estava fora da Copa. E Portugal, que então estreava nas finais de um campeonato mundial, fazia bonito ao conseguir levar sua Seleção a um honroso terceiro lugar.
Prevalece o espírito de equipe
Nas quartas-de-final, a Inglaterra venceu a Argentina em partida discutida. Só quando Rattín saiu de campo, expulso, sem que o juiz ao menos ouvisse um intérprete para saber o que ele reclamava, os ingleses fizeram o gol único da tarde. O Uruguai, diante da Alemanha, tornou-se presa fácil.
A União Soviética, pela primeira vez tão próxima do título, superava a Hungria, com méritos, mas Portugal por pouco não saía inesperadamente do campeonato: sofreu três gols seguidos dos coreanos e só no final reagiu para chegar aos 5 x 3. As duas semifinais premiavam, exatamente, as quatro equipes que melhor representavam o preparo físico como base da aplicação técnica, o jogo de conjunto, o espírito de equipe, a verdade que prevaleceu na oitava Copa do Mundo.
A Inglaterra venceu Portugal, a Alemanha derrotou a União Soviética, as duas partidas terminadas com o escore de 2 x 1. A final, em 31 de julho, no Wembley Empire Stadium, poria frente a frente as duas mais eficientes cultoras do futebol-força, expressão que jamais seria bem compreendida no Brasil. Força, no caso, nada tinha a ver com o corpo a corpo, o tranco, a violência - recursos dos tecnicamente fracos. Inglaterra e Alemanha jogavam assim, e assim foram para a final.
A rigor, qualquer das duas poderia ter ganho. Os 2 x 2 do tempo regulamentar - os alemães empataram em cima da hora - diziam bem da igualdade entre as duas finalistas. Mas os ingleses, cujos méritos da vitória já não se podiam tirar, tiveram algo mais a seu favor: Wembley. Uma torcida que jamais se imaginara tão inflamada, gritando "England! England! England!" A Inglaterra venceu, na prorrogação, por 2 x 0. O primeiro gol foi discutidíssimo. O juiz apontou para o meio-de-campo, talvez porque, naquele instante, não lhe fosse possível ver os filmes e os videoteipes, que mais tarde provariam não ter a bola cruzado a linha de meta. Mas Hurst, que marcara um gol no tempo regulamentar e o primeiro na prorrogação, faria mais outro, liquidando a Alemanha e Helmut Schoen: 4 x 2.

Nascimento: 25 de janeiro de 1942, em Manfala-MOÇ
Clubes: Sporting Lourenço Marques-MOÇ, Benfica, Monterrey-MEX, Toronto Metros-Croatia-CAN, Beira Mar, Boston Minutemen-EUA, New Jersey Americans
-EUA e Las Vegas Quicksilver-EUA
Maior jogador da história do futebol português, Eusébio nasceu em
Moçambique, na época colônia de Portugal. Centroavante típico, com habilidade, oportunismo e chute potente, tornou-se jogador símbolo do Benfica, onde atuou durante quase toda sua carreira. Apelidado de Pantera Negra, é o terceiro maior artilheiro da Copa dos Campeões (atrás apenas de Raúl e Di Stéfano) e protagonista de algumas das principais glórias da seleção portuguesa e do Benfica.