| ITÁLIA - 1990 |

Países inscritos: 106
Participantes: 24
Gols: 115
Média de gols: 2,21
Média de público: 48.410
Havia a Era Dunga...
Aos poucos a euforia da Copa América e das Eliminatórias foi arrefecendo. Sem Romário – havia fraturado o perônio três meses antes em jogo pelo PSV da Holanda - no time titular, prevalecia a arte da defesa. Lazaroni não escondia o orgulho que tinha do volante Dunga. Outro trunfo de Lazaroni atendia pelo nome de Mauro Galvão. Era o líbero de um país sem tradição de líberos. Na cabeça do técnico, o Brasil jogava num 3-5-2. Galvão, Ricardo Gomes e Mozer eram a defesa; os laterais/alas Jorginho e Branco, mais os volantes Dunga e Alemão e o apoiador Valdo completavam o meio, enquanto Careca e Müller faziam o ataque. Na prática, porém, esses números se embaralhavam.
Sem Romário em condições de jogar 90 minutos, toda a responsabilidade ficava nos pés de Careca, que praticamente exigiu a presença de Müller no time, um assistente bem mais efetivo que a estrela Bebeto. Com esses problemas, o time começava a fazer água. Em abril, o Brasil perdeu para a Inglaterra em Wembley por 1 x 0, depois veio o vexame diante da Seleção da Umbria e a imprensa já batizava o atual momento de Seleção da Era Dunga, jogador símbolo do defensivismo.
E a Era Maradona
Nesse clima de chuvas e trovoadas, o time de Lazaroni estreou contra a Suécia, do perigoso meia Brolin. O desempenho não passou do burocrático e o time exibiu uma enorme dificuldade para criar ataques. Careca decidiu o jogo em dois contra-ataques. A mesma impressão de que faltava algo de mais criativo naquele time ficou ainda mais evidente nas duas partidas seguintes. As vitórias por 1 x 0 sobre Costa Rica e Escócia provocaram a ira da imprensa que clamava por uma dose maior de arte e geraram uma pequeno motim no grupo brasileiro. "Eu não sou Gullit", avisava Romário após o jogo contra a Costa Rica, referindo-se ao holandês que havia sido operado há nove meses e ainda não estava em forma. "Arrebentei na Copa América, nas Eliminatórias, fui escolhido o terceiro melhor jogador do mundo e agora tenho que ficar no banco", dizia um inconformado Bebeto.
Careca também não era um exemplo de satisfação. Sentia-se isolado e tinha algo em comum com os dois reservas: achava que o Brasil não iria longe apenas com dois no ataque. Contra a Escócia, Romário até começou jogando mas era indisfarçável que estava fora de jogo, sem o tempo da bola. Com todos os problemas, o Brasil acabou em primeiro do grupo e recebeu a má notícia: enfrentaria nas oitavas-de-final o terceiro classificado do Grupo B, justamente a Argentina, o último campeão do Mundo.
Era bem verdade que a equipe argentina estava destroçada. Perdera na estréia para Camarões, empatara com a fraca Romênia e só conseguira a classificação com uma vitória sobre a União Soviética. Se estivesse na loteca, qualquer apostador de bom senso cravaria seco na coluna 1, do Brasil. Nada parecia dar certo para os campeões do mundo. A começar pelo goleiro. Pumpido tomara um frangaço contra Camarões e quebrara a tíbia e o perônio contra a União Soviética. Em seu lugar entrava Goycoechea, goleiro que elevava a pressão arterial argentina cada vez que a bola chegava alta na área. A defesa se notabilizava pela insegurança e aquele meio-de-campo, formado por Basualdo, Trogliolo e o barbudo Batista, jamais entraria para história.
Havia apenas duas ilhas de excelência para as quais os torcedores olhavam como náufragos desesperados. Maradona, mesmo machucado e jogando no sacrifício, continuava sendo Maradona. E Caniggia estava em grande fase. O clássico sul-americano iniciou e os brasileiros, que lotavam o Estádio Delle Alpi em Turim, não se decepcionaram. A Argentina era realmente fraca. Perto daquele time em frangalhos, a equipe de Lazaroni parecia um esquadrão arrasador.
Careca perdia gols feitos, Alemão virava atacante e até Dunga, o símbolo máximo do defensivismo, botava uma bola na trave. O gol não saía, mas parecia questão de tempo. Talvez na prorrogação a justiça se fizesse. Só que havia Maradona. Quando faltavam nove minutos para o final do tempo normal, o camisa 10 arrancou, passou por quatro brasileiros e entregou a bola para Caniggia fazer o gol. Adeus, tetra, Lazaroni, era Dunga, líberos e ganância. O Brasil se despedia da Itália como no México quatro anos antes: justamente em sua melhor partida na competição.
Ciao, ciao, Azzurra
Entre os favoritos que começaram a Copa, apenas a Holanda poderia ser considerada uma decepção absoluta. Não parecia possível um time com Van Basten, Gullit, Koeman e Rijkaard fazer feio. Mas o time dirigido pelo pouco imaginativo Leo Beenhakker era de dar dó. Acabou em terceiro lugar em seu grupo, atrás de Inglaterra e Irlanda, para ser eliminado nas oitavas-de-final pela Alemanha. O time de Franz Beckenbauer, aliás, surpreendia. Duas goleadas contra Iugoslávia e Emirados Árabes (4 x 1 e 5 x 1), um empate contra a emergente Colômbia, shows de Mathaus e Klinsmann. Sem atuações brilhantes, a Itália ia despachando os seus adversários apoiada no oportunismo de um siciliano chamado Salvatore "Totó" Schilacci. Representante do melhor estilo trombador, Totó deixava a estrela Vialli no banco, ofuscava Roberto Baggio e mantinha a média de um gol por partida.
Por fora corriam os alegres camaroneses, os eficientes ingleses e o insuportável Irlanda, especialista em empates de 0 x 0. Nas quartas-de-final, a Argentina continuou mostrando que era desaconselhável para cardíacos. Venceu nos pênaltis a Iugoslávia graças aos milagres processados pelo goleiro Goycoechea. Itália e Alemanha venciam pelo escore mínimo Irlanda e Tchecoslováquia, enquanto Camarões e Inglaterra faziam um sensacional clássico entre o talento e a competência. Naquele, que pode ser considerado o melhor jogo daquela Copa, deu competência, ou melhor, Inglaterra. A vitória veio após o empate no tempo normal (2 x 2) e um gol de pênalti de Lineker na prorrogação. Tudo se desenhava para uma final entre Alemanha e Itália.
Os germânicos cumpriram seu papel vencendo os ingleses nos pênaltis. Faltava a Itália, dona da casa e favorita, dar o tiro de misericórdia no alquebrado time argentino. Para variar, Schilacci fez 1 x 0 e os italianos já se sentiam na finalíssima. E de novo Caniggia aprontou. Fez o gol de empate, levou o jogo para os pênaltis e apostou em São Goycoechea. Mais defesas, milagres e o exército brancaleone argentino disputaria o título com os alemães.
A tática escolhida para o Estádio Olímpico de Roma era a mesma dos jogos passados. Segurar o empate, esperar algum lampejo de Maradona e confiar no talento de Goycoechea na hora dos pênaltis. Quase deu certo. O jogo foi para a prorrogação e parecia que o roteiro seria seguido. Na prorrogação, contudo, deu a lógica. O alemão Völler caiu na área e Brehme fez, por ironia, de pênalti, o gol do tricampeonato alemão. Maradona chorou e a torcida argentina soltou foguetes. Pela primeira vez na história das Copas um vice-campeão foi recebido como herói.

Nascimento: 1º de dezembro de 1962, em Palermo
Clubes: Messina, Juventus, Internazionale e Jubilo Iwata-JAP
Foi uma das maiores surpresas da Copa de 1990. "Totó" Schillaci estreou na Serie A italiana em agosto de 1989 e, menos de um ano depois, estava entre os 22 convocados por Azeglio Vicini. Então atacante da Juventus, Schillaci se destacava pela voluntariedade, forma com que compensava a limitação técnica e física. Começou o Mundial como reserva, mas, já no primeiro jogo, contra a Áustria, entrou e fez o gol da vitória italiana. Com a má fase da dupla Carnevale-Vialli, Schillaci assumiu um lugar entre os titulares. Depois da Copa, teve dificuldade para controlar seu peso e se recuperar de contusões e nunca mais teve espaço na seleção italiana.