| JAPÃO E CORÉIA DO SUL - 2002 |

Países inscritos: 169
Participantes: 32
Gols: 161
Média de gols: 2,52
Média de público: 42.269
O problema é que a entidade menosprezou a rivalidade entre japoneses e coreanos. A Coréia do Sul se mobilizou e mostrou incrível determinação para confrontar os nipônicos durante a candidatura. Tirando proveito do apoio informal da Fifa ao Japão, os sul-coreanos obtiveram a simpatia das federações descontentes com a administração de Joseph Blatter. Há dois dias da eleição, a Fifa percebeu que a Coréia do Sul estava perto de conseguir a maioria dos votos e, na iminência de uma derrota vexatória, propôs uma trégua de emergência. E assim foi decidido que a Copa do Mundo de 2002 seria a primeira com dois países-sede.
Sofrimento nas Eliminatórias
Enquanto os dois países tentavam viabilizar a organização da Copa, os demais buscavam uma vaga no torneio. Pela primeira vez, o Brasil disputava as Eliminatórias sul-americanas em sistema de grupo único em pontos corridos. A fórmula, que deveria tornar mais segura a classificação das equipes mais fortes, acabou apenas prolongando o sofrimento da Seleção Brasileira.
No início da campanha, o comando era de Vanderlei Luxemburgo. O técnico chegou com a promessa de implantar um padrão de jogo ofensivo e insinuante, mas não conseguiu formar uma base e o Brasil tinha dificuldades para se manter na zona de classificação para a Copa. Envolvido nas investigações do Congresso Nacional sobre corrupção no futebol, Luxemburgo não resistiu aos maus resultados nas Eliminatórias e à derrota para Camarões nas quartas-de-final dos Jogos Olímpicos de 2000.
Nem com um novo treinador, Leão, o Brasil melhorou seu futebol. Pelo contrário, perdeu para o Equador e empatou com o Peru no Morumbi, deixando em risco sua classificação. Após o quarto lugar na Copa das Confederações, a CBF demitiu mais um técnico da Seleção.
O novo eleito foi Luiz Felipe Scolari. O início do trabalho do gaúcho foi inconstante, com três vitórias e três derrotas e a garantia da classificação apenas na última rodada, após vitória contra a Venezuela. A Seleção terminou atrás até do Equador, mas o principal motivo de preocupação era o desempenho da Argentina, que dominara as Eliminatórias e despontava como uma das favoritas ao título mundial. Mesmo tendo caído no espinhoso grupo F, ao lado de Inglaterra, Suécia e Nigéria.
A única seleção que parecia ter forças para encarar os argentinos era a França. Com Zidane em grande fase e a confiança de quem conquistou a Copa de 1998 e a Eurocopa de 2000, os franceses já tinham atacantes melhores que no Mundial anterior e um conjunto sólido. Outras seleções européias que vinham bem cotadas eram Itália e Inglaterra.
O Brasil não despertava a confiança nem de sua própria torcida e teria ainda de contar com Rivaldo e Ronaldo, ambos voltando de graves contusões durante a temporada. Tentando consolidar o grupo, Felipão criou o conceito da "família Scolari".
Tudo ao contrário
Logo em seu primeiro jogo, a Copa de Coréia do Sul/Japão já mostrou que seria pródiga em surpresas. Desfalcada de Zidane, que se contundira em um amistoso de preparação, a França não teve poder ofensivo e perdeu para Senegal. A agonia francesa continuou na segunda rodada, com um empate sem gols com o Uruguai. Desesperado, o técnico francês Roger Lemèrre escalou o ainda contundido Zidane para a partida decisiva contra a Dinamarca. Limitado pela falta de condições, o capitão da França não conseguiu evitar a vitória dinamarquesa por 2 x 0. Os campeões mundiais caíam na primeira fase sem marcar um gol sequer.
Curiosamente, a outra favorita da Copa, a Argentina, também não passou da primeira fase. Os argentinos jogaram bem e venceram a Nigéria na estréia: 1 x 0. A segunda partida foi contra a Inglaterra, rival histórica a quem haviam desclassificado em 1998. Dessa vez, a sorte esteve do lado inglês, que venceu por 1 x 0, gol de pênalti de Beckham. O empate com a boa Suécia na rodada final oficializou a eliminação argentina.
Destino um pouco melhor teve a Itália. Com um futebol inconstante, os italianos não atenderam às expectativas e, após uma boa vitória sobre o Equador, perderam para a Croácia e empataram com o México. Só asseguraram o segundo lugar no grupo – e um lugar nas oitavas-de-final – devido à derrota dos croatas diante dos equatorianos.
O caminho começou a se abrir para o Brasil. Na estréia, a Seleção contou com a ajuda da arbitragem – que marcou pênalti em uma falta fora da área – para virar em cima da Turquia: 2 x 1. A classificação veio com duas vitórias tranqüilas sobre China (4 x 0) e Costa Rica (5 x 2). Rivaldo e Ronaldo mostraram um grande futebol e recolocaram os brasileiros entre os favoritos.
Além do Brasil, só duas seleções tradicionais passaram com tranqüilidade. A Espanha, que venceu as três partidas da primeira fase, contra Eslovênia, Paraguai e África do Sul, e a Alemanha, que protagonizou a maior goleada da Copa sobre a Arábia Saudita (8 x 0), empatou com a Irlanda (1 x 1) e venceu Camarões (2 x 0). Japão e Coréia do Sul também se classificaram, frustrando a expectativa de quem esperava ver, pela primeira vez, uma seleção anfitriã cair na primeira fase de uma Copa.
Rumo do penta
O Brasil enfrentou mais dificuldades que o esperado para superar a Bélgica nas oitavas-de-final. Dominada durante o primeiro tempo e início do segundo, a Seleção teve de contar com o goleiro Marcos para manter o 0 x 0. Foi quando Rivaldo, decisivo, apareceu. O meia-atacante recebeu na entrada da área, dominou com o peito e chutou de voleio. A bola desviou em um zagueiro belga e tirou De Vlieger da jogada. Nos últimos minutos, Kléberson puxou um contra-ataque e cruzou para Ronaldo definir a vitória brasileira.
Outra partida de destaque das oitavas-de-final reuniu Coréia do Sul e Itália. Contando com o apoio da torcida, os sul-coreanos desperdiçaram um pênalti aos 3 minutos, mas permitiu que Azzurra saísse na frente aos 18, com Vieri. Aos 43 minutos do segundo tempo, a seleção da casa empatou. O jogo seguiu nervoso na prorrogação, com a Itália reclamando do árbitro equatoriano Byron Moreno, que expulsou Totti e marcou impedimentos contra os italianos em lances regulares. A três minutos do fim do tempo extra, Ahn Jung-Hwan fez o gol da virada sul-coreana, determinando a eliminação de mais um favorito.
Nas demais partidas, o Japão foi eliminado pela Turquia, a Espanha precisou dos pênaltis para superar a Irlanda, a Inglaterra mostrou força ao golear a Dinamarca, Senegal ganhou da Suécia em um dos melhores jogos do Mundial, os Estados Unidos ficavam entre os oito primeiros pela primeira vez desde 1930 ao bater o México no clássico da América do Norte e a Alemanha venceu o Paraguai sem brilho.
Com a queda de tantos favoritos, o encontro entre Brasil e Inglaterra foi encarado como final antecipada por muitos. Os ingleses saíram na frente com Owen, após falha de Lúcio. No entanto, o Brasil dominou o resto da partida e, com Ronaldinho Gaúcho inspirado, venceu por 2 x 1.
A Coréia do Sul voltaria a vencer uma seleção européia com ajuda da arbitragem. Após ter dois gols legítimos anulados, a Espanha caiu diante da equipe da casa nos pênaltis. A Turquia bateu Senegal e impediu que, pela primeira vez, uma seleção africana ficasse entre as quatro melhores do mundo. A única seleção tradicional que seguia na disputa era a Alemanha, que contou com as defesas do goleiro Kahn para bater os Estados Unidos.
Após tantas surpresas, as semifinais foram um raro momento em que a tradição prevaleceu. O Brasil venceu a Turquia com um gol de Ronaldo – o sexto do atacante no torneio – e a Alemanha, novamente com grande atuação de Kahn, passou pela Coréia do Sul. Turcos e sul-coreanos fizeram um jogo movimentado pelo terceiro lugar. O atacante Hakan Sükür fez o gol mais rápido da história das Copas aos 11 segundos de jogo e iniciou a vitória da Turquia por 3 x 2.
A final seria um duelo entre o artilheiro do torneio, Ronaldo, e o goleiro Kahn, que só sofrera um gol em toda a Copa. Até porque o outro destaque alemão, Ballack, havia recebido o segundo cartão amarelo contra a Coréia do Sul e foi suspenso para a decisão.
A defesa da Alemanha esteve muito bem posicionada e dificultou as ações de Rivaldo e Ronaldo, sobretudo no primeiro tempo. O jogo seguiu equilibrado e os alemães assustaram no início do segundo tempo, quando Neuville cobrou uma falta na trave. A partir da última meia hora de jogo, o Brasil começou a exercer um domínio mais intenso. Após uma falha de Kahn e de um corta-luz de Rivaldo, Ronaldo fez dois gols, assegurou a artilharia da Copa e deu o quinto título mundial ao Brasil.
Nascimento: 22 de setembro de 1976
Clubes: Cruzeiro, PSV Eindhoven-HOL, Barcelona-ESP, Internazionale-ITA e Real Madrid-ESP
É um dos maiores jogadores nesse início de século. Surgiu como artilheiro do Cruzeiro no Brasileirão de 1993 e, em menos de um ano, já estava na Seleção Brasileira. Foi apelidado de "Fenômeno" pela imprensa espanhola durante a grande temporada que teve no Barcelona. Foi eleito melhor jogador da Copa de 1998 pela Fifa, mas teve problemas no joelho após o torneio. Recuperou-se, mas contundiu-se gravemente logo em sua primeira partida. Chegou-se a se falar no fim de sua carreira, mas Ronaldo retornou e, em 2002, foi artilheiro da Copa com 8 gols, igualando Pelé como maior goleador do Brasil em Mundiais e terceiro maior do mundo.