Brasil nas Copas
Copa do Mundo e Seleção Brasileira - duas histórias que se confundem
Por Rafael Alvez
A Seleção Brasileira de futebol é, sem dúvida, a principal protagonista dos 76 anos de história da Copa do Mundo. E isso não se deve somente à exclusiva honra de termos participado de todos os Mundiais. Com exceção do torneio de 1934, quando nossa seleção demorou 11 dias para atravessar o Atlântico e jogou apenas uma partida, o Brasil passou longe de ser somente um coadjuvante em Copas do Mundo.

Como o futebol é o mais imprevisível dos esportes coletivos, a Seleção que mais se destaca numa Copa não é necessariamente a campeã dela. Por isso, o Brasil chamou a atenção mesmo nos torneios em que não saiu com o caneco nas mãos. Houve vezes em que perdemos, por assim dizer, para nós mesmos - na rixa entre cariocas e paulistas em 30, na desorganização do elenco de 66, na guerra de egos de 90 e no choque psicológico antes da final de 98. Em outras oportunidades, a derrota veio trazida pela surpresa, ou pela tragédia não anunciada: o Maracanzo, em 50, e a tragédia do Sarriá, em 82. Adversário respeitáveis, que marcaram a história do futebol, nos derrotaram em 38 (Itália), 54 (Hungria) e 74 (Holanda). Em 78, fomos campeões morais, como disse o técnico Coutinho, já que a Seleção ficou em terceiro sem ter perdido nenhum jogo e viu a Argentina campeã sob suspeitas de ter chegado à final por meios escusos. Na segunda Copa no México (86), a derrota veio como que por castigo. Um time nervoso, principalmente depois da penalidade desperdiçada por Zico no tempo regulamentar, caiu na disputa de pênaltis diante de Platini e companhia. Nas outras cinco edições, levantamos a taça de ouro.

Com ou sem o título, todas as Copas têm aquele jogo que não sai da memória do torcedor brasileiro que acompanhou o torneio. Na galeria de adversários brilhantes, que fizeram com o Brasil jogos inesquecíveis, podemos incluir o Uruguai de Giggia (50), a Hungria de Puskas (54), a França de Fontaine (58), a Inglaterra de Charlton (62 e 70), Portugal de Eusébio (66), a Holanda de Cruyff (74), a Polônia de Lato (78), a Argentina de Maradona (82 e 90), a França de Platini (86), a Holanda de Bergkamp (94 e 98) e a Alemanha de Oliver Kahn (2002).

Outro capítulo fundamental para contar a gloriosa história do Brasil nas Copas é o que traz os heróis que levaram a Seleção ao título em 58, 62, 70, 94 e 2002. Sem Bellini, Nilton Santos, Didi e Pelé, o primeiro Mundial dificilmente teria vindo na Suécia. Quatro anos mais tarde, em 62, Pelé machucou-se e Garrincha espantou o mundo do futebol com sua irreverente genialidade. Na melhor seleção da história, a lista de imprescindíveis aumenta: quem acha que o tri seria conquistado sem Tostão, Jairzinho, Carlos Alberto, Rivellino, Gérson e, é claro, Pelé? E o que seria do time campeão de Parreira sem Romário? Já em 2002, a Família Scolari foi carregada por Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo. E ainda cabem parênteses para citar os que não foram campeões, mas que entraram para a história por esbanjarem talento com a camisa mais tradicional do futebol: Leônidas da Silva, Zizinho, Ademir, Jair da Rosa Pinto, Bauer, Júnior, Falcão, Sócrates e Zico, dentre outros.

Nunca na história das Copas uma seleção chegou a quatro finais consecutivas. E o Brasil de 2006 tem tudo para bater mais esse recorde. Conquistar o mundo mais uma vez seria a apoteótica consagração de uma das gerações mais vitoriosas que já se viu. Ronaldinho, Ronaldo, Kaká, Robinho, Adriano, Cafu, Roberto Carlos. Astros cujas rotas têm de estar em perfeita sintonia durante o mês em que pretendem brilhar Alemanha. O Brasil é favoritíssimo. Agora basta torcermos para que esta Seleção não entre no grupo dos que perderam para si próprios.
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