Copa Libertadores nos anos 90

Yahoo! Esportes - Copa Libertadores da América 2007 - História - Anos 90
A década brasileira

A Libertadores entrou nos anos 90 da mesma maneira que terminou a década anterior, com títulos de times de menor expressão e com fraco desempenho dos times brasileiros, que em 1990 e 1991 não conseguiram sequer chegar às finais. Assim, os primeiros campeões na década foram, respectivamente, o Olímpia, do Paraguai, e o Colo Colo, do Chile.


Um fator que diferenciou esta nova fase da competição foi a mudança no formato de disputa. Até então, a Libertadores tinha três fase: a fase de grupos, a semifinal, com dois triangulares e a decisão, onde se enfrentavam os campeões de cada triangular. A partir de 88, no entanto, os melhores times da fase de grupo passaram a se classificar para a fase eliminatória, com oitavas-de-final, quartas-de-final, semifinais e final.


Os times brasileiros, ao que parece, precisaram de um tempo de adaptação ao novo formato. Afinal, só no quinto ano após a mudança conseguiram voltar a uma decisão de Libertadores. A partir daí, porém, o país tem lugar quase cativo na final (desde 1992, apenas 3 finais de Libertadores não tiveram nenhum time brasileiro).


São Paulo – 1992 e 1993


A “virada” brasileira começou em 1992, com o São Paulo de Telê Santana, Zetti e Raí. Aliás, começou em 1990, quando Tricolor contratou o ex-técnico da seleção brasileira e começou a montar o maior time de sua história.


Em 1991, o clube conquistou o Campeonato Paulista e o Brasileirão, o que garantiu a vaga na edição seguinte da Libertadores . Cinco anos depois de sua última participação no torneio (em 87 o São Paulo obteve sua pior posição, um 17º lugar), o clube paulista voltou com força total e finalmente fez história no cenário internacional.


No entanto, ao contrário do que muita gente imagina atualmente, a “máquina” de Telê Santana não atropelou os adversários desde o início. Pelo contrário. Na primeira fase, o time foi apenas o segundo em um grupo que contava com o Criciúma (1º lugar), Bolívar e San José.


A partir das oitavas-de-final as coisas melhoraram e o Tricolor eliminou o Nacional, do Uruguai, o Criciúma e o Barcelona, do Equador. Na decisão, contra o Newell’s Old Boys, depois de uma derrota por 1 a 0 na Argentina e uma vitória pelo mesmo placar no Morumbi, o São Paulo venceu por 3 a 2 nos pênaltis e conquistou seu primeiro título continental.


No ano seguinte, como atual campeão, o time entrou direto nas oitavas-de-final e, por coincidência, enfrentou o mesmo Newell’s. Apesar da derrota por 2 a 0 no jogo de ida, garantiu a classificação ao vencer por 4 a 0 no Morumbi. Nas quartas-de-final passou pelo Flamengo e na semi pelo Cerro Porteño.


Na decisão, goleou o Universidad Católica por 5 a 1 no jogo de ida e nem o 2 a 0 para os chilenos no segundo jogo impediu a festa do bi. O domínio tricolor só terminou em 1994, quando o time ficou com o vice ao ser derrotado pelo Vélez Sarsfield, na decisão por pênaltis.


Grêmio – 1995


A hegemonia brasileira na América, no entanto, não demorou a voltar. Já em 1995, outro tricolor conquistou o bicampeonato da competição. O Grêmio, campeão do mundo em 83, chegou ao bicampeonato ao vencer, na decisão, o Atlético Nacional, da Colômbia: 3 a 1 no primeiro jogo, em casa, e 1 a 1 na partida de volta.


O destaque na campanha do Grêmio, no entanto, fica por conta dos jogos das quartas-de-final, contra o Palmeiras. A equipe gaúcha, na época dirigida por Luiz Felipe Scolari, praticamente garantiu a vaga na semi ao golear a equipe paulista por 5 a 0 em Porto Alegre. No jogo de volta, porém, uma vitória por 5 a 1 do Verdão quase tirou o Tricolor da competição.


Além desta goleada nas quartas-de-final, a única outra derrota do Grêmio foi em seu primeiro jogo na competição, também diante do Palmeiras, por 3 a 2. Com essa campanha o time gaúcho conseguiu não só o título, mas também o artilheiro: Jardel, com 12 gols.


Cruzeiro – 1997


Depois de um ano sem título, em 1996, quando o River Plate conquistou o bicampeonato, o Brasil iniciou em 1997 sua maior seqüência de títulos da Libertadores até hoje. E o primeiro nessa fila de títulos nacionais foi o Cruzeiro, dirigido por Paulo Autuori. Campeão em 1976, o clube mineiro foi o quarto time brasileiro a conquistar o bicampeonato.


O começo dessa trajetória, contudo, não foi nada fácil. Na 1ª fase, a equipe conseguiu apenas o segundo lugar do grupo 4, atrás do Grêmio. Com isso se classificou para enfrentar o El Nacional, do Equador, nas oitavas, e só conseguiu a vitória nos pênaltis: 5 a 3.


Nas quartas-de-final e na semifinal, mais duas pedreiras, contra Grêmio e Colo Colo, respectivamente. Ao chegar na decisão o adversário não parecia dos piores, o Sporting Cristal, do Peru. Mas, mesmo assim, o título só veio depois de um 0 a 0 fora de casa e de uma apertada vitória por 1 a 0 no Mineirão.


Vasco – 1998


Campanha semelhante ao do Cruzeiro-97 fez oVasco em 1998. Depois de um título brilhante no Campeonato Brasileiro de 1997 a equipe cruz-maltina perdeu seu principal craque, o atacante Edmundo, negociado com a Fiorentina, da Itália.


Assim, o desempenho na primeira fase da Libertadores não foi dos melhores e o time carioca se classificou em segundo lugar no grupo 2, atrás do Grêmio. A partir daí, contudo, ninguém parou o time carioca, que chegou à final sem nenhuma disputa de pênaltis, vencendo o Cruzeiro nas oitavas-de-final, o Grêmio nas quartas e o River Plate na semifinal.


Na decisão, contra o Barcelona, do Equador, um título indiscutível, com duas vitórias. No Rio de Janeiro, 2 a 0, gols de Donizete e Luizão. E no jogo de volta, em Guayaquil, 2 a 1, novamente com gols dos dois atacantes.


Palmeiras – 99


Para encerrar a década mais vitoriosa do Brasil na história da Libertadores (6 títulos em 10 edições), o país começou a competição com três supertimes: o Corinthians, então campeão brasileiro, com jogadores como Dida, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Vampeta e Rincón, o Vasco, que no ano anterior havia sido campeão da Libertadores, e o Palmeiras que havia garantido vaga na competição ao conquistar a Copa do Brasil em 1998.


E não deu outra: para chegar ao título sul-americano, o Verdão precisou superar, antes de mais nada, seus rivais caseiros. Já nas oitavas-de-final, o duelo contra o Vasco terminou com um empate por 1 a 1 em São Paulo e uma vitória por 4 a 2 em pleno estádio de São Januário, no Rio.


Nas quartas-de-final, o Palmeiras enfrentou aquele que é considerado pela sua torcida, até hoje, um dos confrontos mais emocionantes da história do time. Contra o arqui-rival Corinthians, o Verdão viu suas chances de avançar na Libertadores diminuírem ao perder o primeiro jogo por 2 a 0.


Na partida de volta, no entanto, o Alviverde conseguiu devolver o mesmo placar e levar a decisão para os pênaltis. E aí brilhou a estrela do goleiro Marcos. Ele defendeu as cobranças de Vampeta e Dinei e garantiu o Palmeiras na semifinal.


Depois de eliminar o rival, as coisas foram mais fáceis para o Verdão e, depois de eliminar o River Plate nas semifinais, a equipe conquistou o título inédito ao vencer o Deportivo Cáli por 3 a 4 nos pênaltis, em jogo realizado no Morumbi.


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