O Flamengo e dois resultados impossíveis
Sex, 09 Mai - 13h40 Yahoo! Esportes Exclusivo
Resultados impossíveis acontecem. Dessa vez foi com o Flamengo, que podia perder de dois e acabou levando três gols do América do México, dando adeus à Libertadores. Mas já aconteceu, por exemplo, com o Santa Cruz do Recife, uma vez a favor e outra contra
15 de abril de 1917. No campo dos Aflitos, onde hoje está instalado o Náutico, enfrentavam-se Santa Cruz e América pelo Campeonato Pernambucano. O Santa fez o primeiro gol, mas logo seu ex-jogador Zé Tasso, então no América, marcou quatro vezes seguidas. O primeiro tempo terminou em 4 a 1 para o América. Logo no começo do segundo, os americanos marcaram o quinto.
Foi então que o impossível começou a acontecer. Faltavam apenas quinze minutos quando o Santa descontou para 5 a 2. Em seguida, fez 5 a 3 e 5 a 4. Chegou a empatar em 5 a 5, com um gol de seu maior ídolo na época, Pitota. Tiano fez Santa 6 a 5, e Joaquim de Sá marcou Santa Cruz 7 x América 5. A maior virada do futebol brasileiro em todos os tempos.
Anos depois, Tiano, o médico Martiano Fernandes, que chegou a ser senador pelo Estado de Pernambuco, relatou: “Fiz três gols e os outros foram marcados por Nequinho, Joaquim de Sá e Pitota. Foi uma vitória tática: como o América correu demais no primeiro tempo, não pôde acompanhar nosso ritmo no segundo”.
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Praticamente sessenta e quatro anos depois, também no mês de abril, mas no dia 5, em 1981, o Santa estava novamente em campo, para enfrentar o Bahia, na Fonte Nova, em Salvador. Só que dessa vez foi a vítima da fatalidade.
O jogo era pela última rodada da segunda fase. No Grupo F, a Ponte Preta já estava classificada para os mata-matas das oitavas-de-final. O Santa Cruz, com 7 pontos ganhos contra 5 do Bahia, só perderia a segunda vaga no saldo de gols, se fosse goleado pelo próprio Bahia por uma diferença a partir de 5 a 0.
Ao chegar a Salvador, o folclórico artilheiro Dadá Maravilha, que estava no Santa Cruz, foi logo provocando: “Meter cinco gols no Santa Cruz será o mesmo que acertar a quina na Loto”. Mas, para assombro do próprio Dadá, naquele dia a quina aconteceu.
Gílson, de falta, fez Bahia 1 a 0. E ampliou para 2 a 0. Dirceu fez 3 a 0, Toninho Taino 4 a 0. Faltavam cinco minutos para o final quando novamente Toninho Taino marcou o quinto. O impossível acontecia novamente.
Como se vê, são coisas que não acontecem só com o Flamengo...