As tragédias do Flu e as tragédias dos outros
Sex, 04 Jul - 13h51 Yahoo! Esportes Exclusivo
Se quem gosta de futebol conseguisse enxergar esse esporte como apenas um jogo, em que para um ganhar o outro tem de perder, tudo seria mais fácil. Mas infelizmente não é assim. Por isso, o Fluminense vive sua tragédia, como viveram outros que hoje riem.
E eu nem estou me referindo às desilusões recentes de 2008, ano particularmente pródigo delas para o torcedor brasileiro. Que o digam os corintianos, após a derrota para o Sport por diferença de dois gols na final da Copa do Brasil, quando bastava perder por apenas um para ficar com a taça e a vaga na Libertadores de 2009.
Ou, então, os flamenguistas, eliminados nas oitavas da Libertadores com derrota em casa para o América do México por diferença de três gols, quando podiam ter perdido por até dois.
São-paulinos, eliminados nas quartas da Libertadores pelo próprio Flu, com um gol no último minuto; botafoguenses, que perderam a final do Carioca para o Flamengo e caíram nos pênaltis diante do Corinthians nas semifinais da Copa do Brasil; colorados, despachados também pelo Sport, na Copa do Brasil, apesar da vantagem de um gol; cruzeirenses, riscados do mapa da Libertadores em casa, diante do Boca; vascaínos, que fizeram o mais difícil (vitória por dois gols sobre o Sport, na semifinal da Copa do Brasil) e, depois, viram seu craque Edmundo desperdiçar um dos pênaltis na série decisiva.
No biênio 1975/76, o Flu tinha um timaço, não por acaso bicampeão carioca, que ganhou o apelido de Máquina. Contava com craques do nível de Carlos Alberto Torres, Edinho, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Pintinho, Rivellino, Gil, Doval, Paulo César Caju, Dirceu... Nas semifinais do Brasileiro de 1976, enfrentou o Corinthians de Tobias, Ruço, Neca e outros menos cotados. “Uma bosta de adversário”, nas palavras do próprio Paulo César Caju, em uma entrevista ao programa Grandes Momentos do Esporte, da TV Cultura, anos depois.
Mas eis que naquela tarde de 5 de dezembro choveu muito, mas muito mesmo, no Maracanã. Principalmente no segundo tempo, que já começou empatado em 1 a 1, gols de Carlos Alberto Pintinho, abrindo a contagem para o Fluminense, e de Ruço, empatando para o Corinthians.
O resultado arrastou-se no tempo normal, na prorrogação e, nos pênaltis, o goleiro corintiano Tobias defendeu as cobranças de Rodrigues Neto e Carlos Alberto Torres, no mesmo gol em que o equatoriano Cevallos, dessa vez, deu o título da Libertadores à LDU.
Olho para todos esses casos e penso: isso sim que é tragédia. Mas tragédia mesmo não se mede nem se compara. Apenas fica para sempre, e isso não foi inventado agora, em 2008. Nem para o próprio Fluminense.